Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — Avança SP 2025
Medicina›Doenças Infecto-Parasitárias
Código
qg413008
Banca
Avança SP
Órgão
FUSAM de Caçapava - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Infectologista
O controle de infecções hospitalares é um desafio constante, especialmente diante da emergência de patógenos multirresistentes. A epidemiologia molecular, com o advento das tecnologias de sequenciamento genômico, tornou-se uma ferramenta poderosa nesse contexto. Em relação à aplicação do sequenciamento genômico de nova geração (NGS) na investigação de surtos de Klebsiella pneumoniae resistente a carbapenêmicos (KPC) em ambiente hospitalar, avalie as seguintes afirmativas e assinale a verdadeira:
AA análise filogenética baseada em NGS de isolados de KPC pode revelar a relação clonal entre as cepas, auxiliando na reconstrução da cadeia de transmissão e identificação da fonte do surto.
BO NGS permite a identificação precisa do clone de KPC envolvido no surto, mas não é capaz de determinar o mecanismo de resistência aos carbapenêmicos presente na cepa.
CO sequenciamento do genoma completo (WGS) de KPC é uma técnica mais demorada e menos sensível que a PCR em tempo real para a detecção de genes de resistência a carbapenêmicos, como blaKPC.
DA utilização de NGS na investigação de surtos de KPC é limitada a laboratórios de referência, devido ao alto custo e à complexidade da análise bioinformática, não sendo aplicável em tempo hábil para a tomada de decisões clínicas.
EO NGS permite identificar apenas a presença do gene blaKPC, sendo incapaz de detectar outros genes de resistência a antimicrobianos ou fatores de virulência presentes no genoma da bactéria.
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GabaritoA — A análise filogenética baseada em NGS de isolados de KPC pode revelar a relação clonal entre as cepas, auxiliando na reconstrução da cadeia de transmissão e identificação da fonte do surto.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Sequenciamento genômico de nova geração (NGS) na investigação de surtos de KPC
Gabarito: letra A. O NGS, por meio da análise filogenética, permite comparar os genomas completos dos isolados de KPC, revelando a relação clonal entre eles e, assim, reconstruindo a cadeia de transmissão e identificando a provável fonte do surto. As demais alternativas contêm erros conceituais sobre as capacidades e limitações do NGS, que é uma ferramenta poderosa e cada vez mais acessível para a epidemiologia molecular.
O sequenciamento de nova geração (NGS) — também chamado de sequenciamento de alto rendimento — revolucionou a epidemiologia molecular de patógenos hospitalares. Diferentemente das técnicas tradicionais, que analisam apenas um ou poucos alvos genéticos (como a PCR para um gene específico), o NGS sequencia o genoma completo do microrganismo (Whole Genome Sequencing – WGS), fornecendo uma quantidade imensa de dados. Essa informação permite não apenas identificar a espécie e o clone bacteriano, mas também detectar todos os genes de resistência a antimicrobianos, fatores de virulência e elementos genéticos móveis (como plasmídeos) presentes na cepa.
No contexto de um surto hospitalar por Klebsiella pneumoniae produtora de KPC (Klebsiella pneumoniae carbapenemase), a pergunta central é: os isolados dos pacientes são da mesma cepa (clonalmente relacionados) ou são cepas diferentes? A resposta tem implicações diretas no controle da infecção. Se forem clonais, há uma fonte comum e uma cadeia de transmissão a ser interrompida; se forem diversos, o problema pode ser a pressão seletiva por uso de antibióticos, exigindo outra abordagem.
A análise filogenética baseada em NGS compara as diferenças de nucleotídeos (SNPs – polimorfismos de nucleotídeo único) entre os genomas dos isolados. Quanto menor a distância genética, maior a probabilidade de transmissão recente entre os pacientes. Essa análise permite construir árvores filogenéticas que mostram as relações evolutivas entre as cepas, identificando o provável índice (primeiro caso) e a rota de disseminação. É uma ferramenta muito mais discriminatória que os métodos fenotípicos ou a tipagem por PFGE, pois revela diferenças sutis que outros métodos não captam.
A alternativa A está correta porque descreve exatamente essa aplicação: a análise filogenética por NGS revela a relação clonal, auxiliando na reconstrução da cadeia de transmissão e na identificação da fonte do surto. As demais alternativas contêm erros: o NGS é capaz de determinar o mecanismo de resistência (B), é mais sensível e não menos sensível que a PCR para detecção de genes de resistência (C), não é limitado a laboratórios de referência nem inaplicável em tempo hábil (D), e não se limita a detectar apenas o gene blaKPC (E).
NGS (WGS) na investigação de surtos
1Capacidades
Análise filogenética (relação clonal)
Reconstrução da cadeia de transmissão
Identificação da fonte do surto
Detecção de genes de resistência (blaKPC, ESBL, etc.)
Detecção de fatores de virulência
Detecção de elementos genéticos móveis
2Comparação com outras técnicas
PCR: alvo específico, rápida, limitada
PFGE: menos discriminativa
NGS: genoma completo, mais abrangente
3Aplicabilidade
Cada vez mais acessível
Tempo hábil para decisões clínicas
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A afirmativa está correta. O NGS permite a análise filogenética dos isolados de KPC, comparando seus genomas completos. Essa comparação revela o grau de parentesco clonal entre as cepas: se os isolados de diferentes pacientes são geneticamente muito próximos (poucos SNPs de diferença), isso indica transmissão recente entre eles, permitindo reconstruir a cadeia de transmissão e identificar a provável fonte do surto (o paciente índice, um equipamento contaminado, etc.). É exatamente essa a aplicação da epidemiologia molecular no controle de infecções hospitalares.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A afirmativa erra ao afirmar que o NGS "não é capaz de determinar o mecanismo de resistência aos carbapenêmicos". Na verdade, o NGS (WGS) é capaz de identificar todos os genes de resistência presentes no genoma, incluindo o gene blaKPC, que codifica a carbapenemase KPC, bem como outros mecanismos (como genes de β-lactamases de espectro estendido – ESBL, metalo-β-lactamases, alterações de porinas, bombas de efluxo). Portanto, o NGS não só identifica o clone, mas também determina o mecanismo de resistência, sendo uma ferramenta completa para caracterização molecular.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A afirmativa está errada ao afirmar que o WGS é "mais demorada e menos sensível que a PCR em tempo real" para detecção de genes de resistência. Embora a PCR em tempo real seja uma técnica rápida e sensível para detectar um gene específico (como blaKPC), o WGS é capaz de detectar todos os genes de resistência e fatores de virulência de uma só vez, com alta sensibilidade e especificidade. O WGS não é menos sensível; ele é mais abrangente. Além disso, com os avanços tecnológicos, o tempo de execução do WGS tem diminuído, podendo ser realizado em poucos dias, o que é viável para investigação de surtos.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A afirmativa erra ao afirmar que o NGS é "limitado a laboratórios de referência" e "não aplicável em tempo hábil para a tomada de decisões clínicas". Embora o custo e a complexidade bioinformática sejam maiores que os de técnicas tradicionais, o NGS está se tornando cada vez mais acessível e é utilizado em laboratórios de rotina e de referência. O tempo de execução, embora maior que o de uma PCR, é compatível com a investigação de surtos, permitindo a tomada de decisões em tempo hábil para implementar medidas de controle. A afirmativa generaliza de forma incorreta, apresentando uma limitação que não é absoluta.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A afirmativa erra ao afirmar que o NGS "permite identificar apenas a presença do gene blaKPC". Na verdade, o NGS sequencia o genoma completo, permitindo a detecção de todos os genes de resistência a antimicrobianos (não apenas blaKPC), bem como fatores de virulência, elementos genéticos móveis e outras características genômicas. É justamente essa capacidade de análise abrangente que torna o NGS uma ferramenta tão poderosa na epidemiologia molecular.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre as capacidades do NGS e as limitações de técnicas mais antigas. O candidato pode pensar que o NGS é apenas uma "PCR melhorada", mas ele é muito mais: sequencia o genoma inteiro, permitindo análise filogenética, detecção de múltiplos genes de resistência e virulência. A alternativa B, por exemplo, tenta limitar o NGS à identificação do clone, negando sua capacidade de determinar o mecanismo de resistência — o oposto do que a tecnologia faz. Fique atento: o NGS é abrangente, não restritivo.
PEGA ESSA DICA!
Para questões sobre epidemiologia molecular, lembre-se do que cada técnica oferece: PCR detecta um alvo específico (rápido, mas limitado); PFGE tipa por padrão de fragmentos (menos discriminativo); NGS/WGS sequencia o genoma completo, permitindo análise filogenética, detecção de todos os genes de resistência e virulência, e é a ferramenta mais poderosa para investigação de surtos. Se a alternativa disser que o NGS "não pode" ou "é limitado" a algo que ele claramente pode fazer (como determinar mecanismo de resistência ou detectar múltiplos genes), está errada.