Em relação às características do líquido cefalorraquidiano (LCR) na meningite aguda herpética, assinale a alternativa correta:
AO LCR tipicamente apresenta pleocitose neutrofílica acentuada (>1000 células/mm³), com predomínio de polimorfonucleares (>90%), proteínas elevadas (>200 mg/dL) e glicorraquia normal.
BA pressão de abertura do LCR é geralmente normal (<20 cm H2O), com pleocitose linfocítica moderada (50-500 células/mm³), proteínas levemente aumentadas (50-100 mg/dL) e glicorraquia reduzida (<40 mg/dL).
CO achado característico é a pleocitose linfomononuclear (10-500 células/mm³), com possível presença de hemácias, proteínas elevadas (50-200 mg/dL), glicorraquia normal ou levemente diminuída e detecção de DNA viral por PCR.
DA análise liquórica revela tipicamente ausência de pleocitose (<5 células/mm³), proteínas normais (<45 mg/dL), glicorraquia normal e presença de bandas oligoclonais, sendo o diagnóstico confirmado exclusivamente por cultura viral.
EO LCR apresenta pleocitose eosinofílica (>10% eosinófilos), proteínas muito elevadas (>500 mg/dL), glicorraquia normal e presença de cristais de Charcot-Leyden, além de PCR positivo para HSV.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoC — O achado característico é a pleocitose linfomononuclear (10-500 células/mm³), com possível presença de hemácias, proteínas elevadas (50-200 mg/dL), glicorraquia normal ou levemente diminuída e detecção de DNA viral por PCR.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Líquido cefalorraquidiano na meningite herpética
Gabarito: letra C. Na meningite/meningoencefalite herpética, o LCR apresenta pleocitose linfomononuclear (10-500 células/mm³), proteínas elevadas (50-200 mg/dL), glicorraquia normal ou levemente diminuída, e o diagnóstico é confirmado pela detecção do DNA viral por PCR — exatamente o que a alternativa C descreve. As demais alternativas misturam características de outras etiologias (bacteriana, fúngica, parasitária) ou apresentam dados incorretos.
A meningite herpética é uma infecção viral do sistema nervoso central causada pelo vírus herpes simplex (HSV), geralmente o tipo 2, e cursa com um padrão liquórico típico de meningite viral/asséptica. O LCR é o exame fundamental para o diagnóstico diferencial das meningites, e a análise quimiocitológica — celularidade, predomínio celular, proteinorraquia e glicorraquia — permite distinguir as principais etiologias.
Na meningite viral, a celularidade costuma estar entre 100 e 500 células/mm³, com predomínio linfomonocitário, proteínas normais ou discretamente elevadas e glicorraquia normal ou pouco diminuída. Na meningite herpética especificamente, os achados são semelhantes aos da meningite viral, podendo haver presença de hemácias devido ao componente encefalítico e ao caráter hemorrágico da lesão. A proteinorraquia pode estar elevada, tipicamente entre 50 e 200 mg/dL, e a glicorraquia costuma ser normal ou levemente diminuída.
O diagnóstico de certeza é feito pela reação em cadeia da polimerase (PCR) para HSV no LCR, que apresenta alta sensibilidade e especificidade, especialmente na primeira semana de doença. A cultura viral é insensível e não deve ser utilizada como método diagnóstico principal. O tratamento empírico com aciclovir deve ser iniciado imediatamente diante da suspeita clínica, sem aguardar a confirmação laboratorial.
A tabela abaixo resume as características do LCR nas principais etiologias de meningite, permitindo visualizar o contraste entre elas:
Característica
Bacteriana
Viral/Herpética
Tuberculosa
Celularidade
> 1.000 células/mm³
100-500 células/mm³
5-500 células/mm³
Predomínio celular
Neutrofílico (80-95%)
Linfomonocitário
Linfomonocitário ou misto
Proteinorraquia
> 50 mg/dL
Normal ou discretamente elevada
Muito elevada (50-300 mg/dL)
Glicorraquia
Diminuída (< 40 mg/dL)
Normal ou pouco diminuída
Muito diminuída (20-40 mg/dL)
Diagnóstico
Gram e cultura
PCR para HSV
BAAR, cultura, ADA
A pegadinha central desta questão é a tentativa de confundir o padrão liquórico da meningite herpética com o da meningite bacteriana (pleocitose neutrofílica acentuada, glicorraquia muito reduzida) ou com outras condições. A banca explora a associação automática entre "meningite" e "padrão bacteriano", quando na verdade a etiologia viral tem características bem distintas. Guarde a fronteira entre o padrão viral (linfomonocitário, glicose normal ou levemente reduzida) e o bacteriano (neutrofílico, glicose muito baixa): é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Meningite herpética (LCR): Celularidade (Pleocitose linfomononuclear (10-500), Possíveis hemácias); Bioquímica (Proteínas elevadas (50-200), Glicose normal ou levemente ↓); Diagnóstico (PCR para HSV, Cultura insensível)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Descreve um padrão de meningite bacteriana aguda: pleocitose neutrofílica acentuada (>1000 células/mm³), predomínio de polimorfonucleares (>90%), proteínas elevadas (>200 mg/dL) e glicorraquia normal. Na meningite bacteriana, a glicorraquia está diminuída (< 40 mg/dL), não normal. Além disso, a meningite herpética tem padrão viral, com predomínio linfomonocitário e celularidade moderada, não neutrofílica acentuada.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Apresenta elementos parcialmente corretos para meningite viral (pleocitose linfocítica moderada, proteínas levemente aumentadas), mas erra ao afirmar que a glicorraquia está reduzida (< 40 mg/dL). Na meningite herpética, a glicorraquia é normal ou levemente diminuída, não reduzida a níveis tão baixos. Além disso, a pressão de abertura na meningite herpética pode estar elevada, não sendo geralmente normal.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Descreve com precisão o padrão liquórico da meningite herpética: pleocitose linfomononuclear (10-500 células/mm³), possível presença de hemácias (devido ao componente hemorrágico da encefalite herpética), proteínas elevadas (50-200 mg/dL), glicorraquia normal ou levemente diminuída e detecção de DNA viral por PCR, que é o método diagnóstico de escolha.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que há ausência de pleocitose (<5 células/mm³), o que é incorreto — a meningite herpética cursa com pleocitose linfomononuclear. Além disso, o diagnóstico não é confirmado exclusivamente por cultura viral, que é insensível; o método de escolha é a PCR. A presença de bandas oligoclonais é um achado de outras condições, como esclerose múltipla, não da meningite herpética.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Descreve um padrão de meningite eosinofílica, que não é característico da meningite herpética. A pleocitose eosinofílica (>10% eosinófilos) e os cristais de Charcot-Leyden são típicos de infecções parasitárias, como a angiostrongilíase ou a cisticercose, não da infecção por HSV. A proteína muito elevada (>500 mg/dL) também não é o padrão da meningite viral.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta fazer você associar "meningite" automaticamente ao padrão bacteriano (pleocitose neutrofílica, glicose baixa) ou a padrões exóticos (eosinofílico, com cristais). A meningite herpética é uma meningite viral — o padrão é linfomonocitário, com glicose normal ou levemente reduzida. Fique atento: a presença de hemácias e a PCR positiva para HSV são as pistas que fecham o diagnóstico.
PEGA ESSA DICA!
Para diferenciar as meningites no LCR, use a tríade celularidade-predomínio-glicose: bacteriana = neutrófilos + glicose baixa; viral = linfócitos + glicose normal; tuberculosa = linfócitos + glicose muito baixa. Na dúvida entre viral e bacteriana, a glicorraquia é o parâmetro que mais separa as duas.