Questão de Medicina — Medicina Intensiva — Avança SP 2025
Medicina›Medicina Intensiva
Código
qg413030
Banca
Avança SP
Órgão
FUSAM de Caçapava - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Intensivista - Plantonista
Sobre a morte cerebral, assinale a alternativa que caracteriza corretamente o Sinal de Lázaro:
AMovimentos voluntários coordenados observados em pacientes com atividade cerebral residual.
BReflexos espinais que ocorrem após a cessação das funções cerebrais superiores, sem indicação de consciência.
CResposta autonômica que inclui aumento da pressão arterial e frequência cardíaca em estado de morte cerebral.
DContrações musculares induzidas por estímulos dolorosos persistentes em pacientes em coma profundo.
EAtividade elétrica cerebral detectável através de eletroencefalograma mesmo após a declaração de morte cerebral.
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GabaritoB — Reflexos espinais que ocorrem após a cessação das funções cerebrais superiores, sem indicação de consciência.
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Sinal de Lázaro na morte encefálica
Gabarito: letra B. O Sinal de Lázaro consiste em movimentos reflexos de origem espinal que podem ocorrer após a cessação das funções encefálicas, sem qualquer indicação de consciência ou retomada da atividade cerebral — exatamente o que descreve a alternativa B. Trata-se de um fenômeno bem documentado na literatura médica sobre morte encefálica, que pode impressionar familiares e profissionais, mas não contradiz o diagnóstico.
A morte encefálica é definida como a cessação irreversível das funções de todo o encéfalo, incluindo o tronco cerebral. O diagnóstico é essencialmente clínico e exige a demonstração de coma profundo, ausência de reflexos do tronco e apneia, além da exclusão de causas reversíveis. O que muitos não sabem é que, mesmo após a confirmação da morte encefálica, podem persistir atividades medulares — e é aí que entra o Sinal de Lázaro.
O Sinal de Lázaro (ou fenômeno de Lázaro) recebe esse nome em referência à passagem bíblica da ressurreição de Lázaro, justamente porque o paciente pode apresentar movimentos que parecem indicar vida, como elevação dos braços, flexão dos membros, movimentos de cabeça ou até tentativas de sentar. Esses movimentos são gerados por reflexos espinais, ou seja, circuitos neuronais localizados na medula espinal, que permanecem funcionais mesmo sem comando do cérebro. São movimentos involuntários, estereotipados e sem propósito, e não representam consciência, percepção ou qualquer forma de atividade mental.
Na prática clínica, o Sinal de Lázaro pode ocorrer espontaneamente ou ser desencadeado por estímulos, como durante o teste de apneia ou a manipulação do paciente. É fundamental que a equipe médica reconheça esse fenômeno para não gerar falsas esperanças na família e para evitar erros na interpretação do quadro. A literatura descreve que movimentos motores puramente espinais podem incluir arqueamento do dorso, torção do pescoço, enrijecimento dos membros inferiores e flexão dos membros superiores — todos sem qualquer correlação com atividade consciente.
A distinção crucial que a banca explora nesta questão é entre movimentos de origem espinal (reflexos, involuntários, sem consciência) e movimentos de origem cerebral (voluntários, coordenados, com intencionalidade). O Sinal de Lázaro pertence à primeira categoria. Além disso, é importante diferenciar o Sinal de Lázaro de outras respostas que podem ocorrer em pacientes comatosos ou em morte encefálica, como as respostas autonômicas (variações de pressão arterial e frequência cardíaca) e a atividade elétrica residual que pode ser captada em exames complementares.
Guarde este critério: o que define o Sinal de Lázaro é a origem espinal dos movimentos, associada à ausência de consciência. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem — as incorretas atribuem ao fenômeno características de atividade cerebral, consciência ou coordenação voluntária.
Sinal de Lázaro: Origem (Reflexo espinal, Medula permanece funcional); Características (Movimentos involuntários, Estereotipados, sem propósito, Sem consciência); Contexto (Após cessação das funções encefálicas, Pode ser espontâneo ou por estímulo); Confusões comuns (Não é movimento voluntário/coordenado, Não é resposta autonômica (PA/FC), Não é atividade elétrica cerebral (EEG plano))
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que o Sinal de Lázaro envolve movimentos voluntários coordenados em pacientes com atividade cerebral residual. Isso é um erro conceitual grave: o Sinal de Lázaro ocorre justamente após a cessação das funções encefálicas, e os movimentos são involuntários e reflexos, não coordenados nem voluntários. A presença de movimentos voluntários coordenados indicaria atividade cerebral preservada, o que excluiria o diagnóstico de morte encefálica.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa B descreve com precisão o Sinal de Lázaro: reflexos espinais que ocorrem após a cessação das funções cerebrais superiores, sem indicação de consciência. A medula espinal permanece funcional por algum tempo após a morte encefálica, e seus reflexos podem gerar movimentos que impressionam, mas não representam atividade consciente. É a definição correta do fenômeno.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa C descreve uma resposta autonômica com aumento da pressão arterial e frequência cardíaca. Embora respostas autonômicas possam ocorrer em situações de estresse ou em pacientes com lesão cerebral, elas não caracterizam o Sinal de Lázaro, que é um fenômeno motor, não autonômico. Além disso, na morte encefálica, a regulação autonômica está profundamente alterada, e o padrão descrito não corresponde ao Sinal de Lázaro.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa D fala em contrações musculares induzidas por estímulos dolorosos persistentes em pacientes em coma profundo. Embora reflexos a estímulos dolorosos possam ocorrer em pacientes comatosos, o Sinal de Lázaro não é uma resposta a estímulos dolorosos persistentes, e sim um fenômeno espontâneo ou desencadeado por manipulação, que ocorre especificamente no contexto de morte encefálica. A descrição é genérica demais e não captura a essência do fenômeno.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa E afirma que o Sinal de Lázaro envolve atividade elétrica cerebral detectável no eletroencefalograma (EEG) mesmo após a declaração de morte cerebral. Isso é incorreto: na morte encefálica, o EEG é isoelétrico (plano), ou seja, não há atividade elétrica cerebral. O Sinal de Lázaro é um fenômeno motor de origem espinal, sem correlação com atividade elétrica cerebral. A alternativa confunde o Sinal de Lázaro com a possibilidade de artefatos ou atividade residual em exames, o que não se aplica.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre movimentos de origem espinal (reflexos, sem consciência) e movimentos de origem cerebral (voluntários, coordenados). O candidato desatento pode achar que o Sinal de Lázaro indica alguma forma de consciência residual, mas a essência do fenômeno é justamente o oposto: são reflexos medulares que ocorrem apesar da morte encefálica. Lembre-se: medula ≠ cérebro.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, compare o Sinal de Lázaro com outros fenômenos que podem ocorrer na morte encefálica: reflexos espinais (como o Sinal de Lázaro), respostas autonômicas (variações de PA e FC) e atividade elétrica residual (que não ocorre no EEG, que é plano). O Sinal de Lázaro é sempre motor, reflexo e sem consciência.