O diagnóstico de morte encefálica (ME) é um processo rigoroso e que exige o cumprimento de protocolos específicos. O teste de apneia é uma etapa fundamental nesse processo. De acordo com as diretrizes do Conselho Federal de Medicina (CFM) para a execução e interpretação do teste de apneia na determinação de ME, analise as seguintes afirmações indicando a correta:
AO teste de apneia deve ser realizado antes dos exames complementares que demonstrem ausência de atividade elétrica cerebral ou de fluxo sanguíneo intracraniano.
BAntes de iniciar o teste de apneia, o paciente deve ser pré-oxigenado para atingir uma PaO2 > 100 mmHg e deve ser desconectado do ventilador mecânico, mantendo-se a oferta de oxigênio por cateter intratraqueal a 15 L/min.
CO objetivo do teste de apneia é demonstrar a ausência de movimentos respiratórios na presença de hipercapnia, sendo considerado positivo quando a PaCO2 atinge valores ≥ 55 mmHg e não há movimentos respiratórios observados.
DO teste de apneia deve ser imediatamente interrompido se a pressão arterial sistólica cair abaixo de 90 mmHg ou se a saturação de oxigênio cair abaixo de 85%, independentemente do tempo decorrido ou do valor da PaCO2.
EPara a realização do teste de apneia, é necessário que o paciente esteja em coma profundo, com escala de coma de Glasgow = 3, e que a temperatura corporal central seja superior a 32 °C.
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GabaritoC — O objetivo do teste de apneia é demonstrar a ausência de movimentos respiratórios na presença de hipercapnia, sendo considerado positivo quando a PaCO2 atinge valores ≥ 55 mmHg e não há movimentos respiratórios observados.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Morte encefálica: o teste de apneia
Gabarito: letra C. O teste de apneia é positivo quando, após a desconexão do ventilador, a PaCO2 atinge ≥ 55 mmHg sem que haja movimentos respiratórios — é exatamente o que a alternativa C afirma. As demais alternativas contêm erros técnicos em relação aos valores, à ordem dos exames ou aos critérios de interrupção, conforme as diretrizes do Conselho Federal de Medicina (CFM) para determinação de morte encefálica.
O diagnóstico de morte encefálica (ME) é um processo rigoroso, definido como a interrupção completa e irreversível das funções encefálicas, mesmo na presença de atividade cardíaca. No Brasil, o protocolo segue a resolução do CFM, que exige, de forma obrigatória: dois exames clínicos realizados por médicos diferentes (que confirmem coma não perceptivo, ausência de resposta motora supraespinhal e ausência de reflexos de tronco cerebral), um teste de apneia que comprove a ausência de movimentos respiratórios após estimulação dos centros respiratórios, e um exame complementar que demonstre ausência de atividade encefálica. O teste de apneia é a etapa que confirma a ausência de função do tronco encefálico, especificamente dos centros respiratórios, e por isso é tão importante — sem ele, o diagnóstico não se completa.
O teste de apneia funciona assim: o paciente, já em coma profundo e com os demais critérios clínicos preenchidos, é pré-oxigenado e, em seguida, desconectado do ventilador mecânico, mantendo-se a oferta de oxigênio por cateter intratraqueal. O objetivo é permitir que a PaCO2 suba progressivamente, estimulando os centros respiratórios. Se o tronco encefálico estiver íntegro, o aumento da PaCO2 (hipercapnia) desencadeará movimentos respiratórios; se estiver destruído, não haverá resposta. O teste é considerado positivo quando a PaCO2 atinge ≥ 55 mmHg e não há movimentos respiratórios observados — é esse o critério que confirma a ausência de função dos centros respiratórios. O teste é negativo se houver movimentos respiratórios durante o teste, e inconclusivo se for interrompido antes de atingir o alvo de PaCO2.
A ordem dos exames também é importante: o teste de apneia é realizado após os exames clínicos que confirmam o coma e a ausência de reflexos de tronco, e antes do exame complementar que demonstra ausência de atividade elétrica cerebral ou de fluxo sanguíneo intracraniano. Ou seja, a sequência é: exames clínicos → teste de apneia → exame complementar. A alternativa A inverte essa ordem, o que é um erro clássico.
A pegadinha desta questão está nos detalhes numéricos e nos critérios de segurança. A banca mistura valores corretos com valores incorretos, e o candidato que não domina o protocolo exato acaba caindo em uma das alternativas com erro sutil. Guarde os números-chave: PaO2 > 200 mmHg na pré-oxigenação, PaCO2 alvo ≥ 55 mmHg, interrupção se PAS < 90 mmHg ou SpO2 < 85%, e temperatura central > 36 °C (não 32 °C).
1Exames clínicos (2 médicos)
2Teste de apneia
3Exame complementar
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o teste de apneia deve ser realizado antes dos exames complementares. Na verdade, a ordem correta é: exames clínicos (dois, por médicos diferentes) → teste de apneia → exame complementar. O teste de apneia vem depois dos exames clínicos e antes do exame complementar, não antes de todos. A banca inverte a sequência para confundir.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erra no valor da PaO2 alvo na pré-oxigenação. O protocolo exige PaO2 > 200 mmHg (não > 100 mmHg) antes de desconectar o paciente do ventilador. O restante da alternativa está correto: o paciente deve ser desconectado do ventilador e receber oxigênio por cateter intratraqueal a 15 L/min. O erro está justamente no valor da PaO2, que é um dos detalhes que a banca adora trocar.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Descreve corretamente o objetivo e o critério de positividade do teste de apneia: demonstrar a ausência de movimentos respiratórios na presença de hipercapnia, sendo considerado positivo quando a PaCO2 atinge ≥ 55 mmHg e não há movimentos respiratórios observados. É exatamente o que determina o protocolo do CFM. A alternativa espelha a definição técnica com precisão.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erra no valor da saturação de oxigênio para interrupção do teste. O teste deve ser interrompido se a pressão arterial sistólica cair abaixo de 90 mmHg ou se a saturação de oxigênio cair abaixo de 85% — mas a alternativa diz "independentemente do tempo decorrido ou do valor da PaCO2", o que é falso. Na prática, o teste é interrompido por esses critérios de segurança, mas o valor da PaCO2 no momento da interrupção é fundamental para classificar o teste como positivo, negativo ou inconclusivo. A alternativa mistura o critério de interrupção com a interpretação do resultado, criando uma afirmação incorreta.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erra no valor da temperatura corporal central. O protocolo exige temperatura central > 36 °C (não > 32 °C) para a realização do teste de apneia. A alternativa também menciona corretamente o coma profundo com Glasgow = 3, mas o erro na temperatura é suficiente para torná-la incorreta. A banca troca o valor de 36 °C por 32 °C, um distrator clássico.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora trocar valores numéricos no teste de apneia. Os mais cobrados são: PaO2 > 200 mmHg (não 100), PaCO2 ≥ 55 mmHg (positivo), interrupção se PAS < 90 mmHg ou SpO2 < 85%, e temperatura > 36 °C (não 32 °C). Memorize esses números e você elimina as alternativas erradas rapidamente.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar a ordem do protocolo de ME, lembre-se da sequência: exames clínicos → teste de apneia → exame complementar. E para os valores, monte uma tabela mental: PaO2 > 200, PaCO2 ≥ 55, PAS ≥ 90, SpO2 ≥ 85%, T > 36 °C. Esses são os números que a banca explora.