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Questão de Medicina — Endocrinologia — Avança SP 2025

MedicinaEndocrinologia
Código
qg413035
Banca
Avança SP
Órgão
FUSAM de Caçapava - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Intensivista - Plantonista
Identifique o sinal ou sintoma mais característico de uma crise tireotóxica, levando em consideração a apresentação clínica e a gravidade da condição:
  1. ABradicardia.
  2. BHipotermia.
  3. CHipoglicemia.
  4. DEdema periférico.
  5. ETaquicardia.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Taquicardia.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crise tireotóxica: manifestações clínicas

Gabarito: letra E. A taquicardia é o sinal mais característico e constante da crise tireotóxica, presente em praticamente todos os pacientes, refletindo o estado hiperadrenérgico e hipermetabólico da condição. As demais alternativas (bradicardia, hipotermia, hipoglicemia e edema periférico) representam manifestações de outras emergências endócrinas ou complicações, não sendo típicas da tempestade tireotóxica.

A crise tireotóxica (ou tempestade tireotóxica) é a complicação mais grave do hipertireoidismo, caracterizada por uma exacerbação súbita e potencialmente fatal das manifestações clínicas da tireotoxicose, com descompensação de múltiplos sistemas. O quadro é secundário à hipersecreção aguda e inapropriada de hormônios tireoidianos (T3 e T4), que leva a um estado hipermetabólico extremo e a uma resposta adrenérgica excessiva. Essa resposta adrenérgica é a chave para entender por que a taquicardia é o sinal cardíaco mais proeminente: os hormônios tireoidianos aumentam a sensibilidade do coração às catecolaminas (adrenalina e noradrenalina), resultando em taquicardia sinusal, frequentemente com frequência cardíaca superior a 140 batimentos por minuto, além de poder desencadear fibrilação atrial e insuficiência cardíaca.

A apresentação clínica clássica da crise tireotóxica envolve quatro características principais: febre (hiperpirexia, muitas vezes desproporcional a um quadro infeccioso), taquicardia, disfunção do sistema nervoso central (agitação, delirium, confusão mental, podendo evoluir para coma) e sintomas gastrointestinais (náuseas, vômitos, dor abdominal e diarreia). O diagnóstico é essencialmente clínico e pode ser auxiliado pelo sistema de pontuação de Burch e Wartofsky, que pontua justamente a temperatura, a frequência cardíaca, as manifestações neurológicas, gastrointestinais e a presença de fatores precipitantes. Nesse escore, a taquicardia é um dos componentes de maior peso, com pontuação máxima (25 pontos) para frequência cardíaca acima de 140 bpm.

É importante distinguir a crise tireotóxica de outras emergências endócrinas que apresentam sinais opostos. Enquanto a tempestade tireotóxica cursa com taquicardia e hipertermia, o coma mixedematoso (complicação grave do hipotireoidismo) cursa com bradicardia e hipotermia. Essa distinção é fundamental na prática clínica e frequentemente explorada em provas. A hipoglicemia, por sua vez, não é uma manifestação típica da crise tireotóxica, sendo mais associada a outras condições como insulinoma, insuficiência adrenal ou uso de hipoglicemiantes. O edema periférico pode ocorrer na crise tireotóxica, mas geralmente está relacionado à insuficiência cardíaca congestiva, uma complicação possível, e não é o sinal mais característico da condição.

A banca explora exatamente a confusão entre os sinais da crise tireotóxica e os de outras emergências endócrinas, especialmente o coma mixedematoso. O candidato que não domina as manifestações clínicas de cada condição pode facilmente marcar bradicardia ou hipotermia, que são os opostos fisiológicos do que ocorre na tempestade tireotóxica. Guarde o par: crise tireotóxica = taquicardia + hipertermia; coma mixedematoso = bradicardia + hipotermia. É nessa fronteira que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A bradicardia é o oposto do que se observa na crise tireotóxica. O estado hiperadrenérgico e o excesso de hormônios tireoidianos causam taquicardia, não bradicardia. A bradicardia é característica do coma mixedematoso, complicação do hipotireoidismo grave, e também pode ocorrer em outras condições como bloqueios cardíacos ou uso de betabloqueadores.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A hipotermia não é uma manifestação da crise tireotóxica. Pelo contrário, a hiperpirexia (febre alta) é um dos pilares do diagnóstico, frequentemente desproporcional a um quadro infeccioso. A hipotermia é típica do coma mixedematoso, a emergência do hipotireoidismo, onde há redução do metabolismo basal.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A hipoglicemia não é um sinal característico da crise tireotóxica. Embora o hipermetabolismo possa aumentar o consumo de glicose, a hipoglicemia não faz parte do quadro clássico da tempestade tireotóxica. A hipoglicemia é mais associada a outras emergências endócrinas, como insuficiência adrenal aguda, insulinoma ou uso de hipoglicemiantes.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O edema periférico pode ocorrer na crise tireotóxica, mas geralmente é secundário à insuficiência cardíaca congestiva, uma complicação possível da condição devido ao alto débito cardíaco e à taquicardia sustentada. No entanto, não é o sinal mais característico nem o mais específico da crise tireotóxica, sendo a taquicardia a manifestação cardíaca mais proeminente e constante.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A taquicardia é o sinal mais característico e constante da crise tireotóxica, presente em praticamente todos os pacientes. Resulta da hipersensibilidade às catecolaminas induzida pelos hormônios tireoidianos, levando a frequência cardíaca geralmente superior a 140 bpm. No sistema de pontuação de Burch e Wartofsky, a taquicardia é um dos componentes de maior peso, com pontuação máxima para FC > 140 bpm, reforçando sua importância diagnóstica.

Gabarito: letra E

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