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Questão de Medicina — Endocrinologia — Avança SP 2025

MedicinaEndocrinologia
Código
qg413326
Banca
Avança SP
Órgão
Fundação de Saúde de Rio Claro - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Especialista Endocrinologista
Qual é o principal achado laboratorial que indica hemocromatose e qual é a sua implicação clínica?
  1. AAumento dos níveis de bilirrubina, que indica hepatite crônica.
  2. BDiminuição da hemoglobina, que sugere anemia ferropriva.
  3. CAumento dos níveis de ácido úrico, que pode indicar gota.
  4. DAumento da ferritina sérica e da saturação de transferrina, indicando sobrecarga de ferro no organismo.
  5. EDiminuição da albumina sérica, que sugere síndrome nefrótica.
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GabaritoD — Aumento da ferritina sérica e da saturação de transferrina, indicando sobrecarga de ferro no organismo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hemocromatose: diagnóstico laboratorial e implicação clínica

Gabarito: letra D. O principal achado laboratorial que indica hemocromatose é o aumento da ferritina sérica e da saturação da transferrina, refletindo sobrecarga de ferro no organismo — condição que, se não tratada, leva a lesão de órgãos-alvo como fígado (cirrose e carcinoma hepatocelular), pâncreas (diabetes melito), gônadas (hipogonadismo) e miocárdio (insuficiência cardíaca). A alternativa D espelha exatamente essa combinação diagnóstica e sua implicação clínica.

A hemocromatose hereditária é uma doença genética caracterizada por absorção intestinal excessiva de ferro, mediada por deficiência de hepcidina — peptídeo sintetizado no fígado que regula os estoques de ferro inibindo sua absorção. Como não há processo fisiológico de excreção de ferro (exceto por perda sanguínea ou descamação celular), o excesso se acumula progressivamente nos tecidos, causando dano oxidativo e fibrose nos órgãos-alvo. O diagnóstico se baseia nos exames do metabolismo do ferro, na análise genética (mutação no gene HFE) e, em casos selecionados, na histologia hepática.

O teste de rastreamento é a saturação da transferrina, considerada positiva quando superior a 45%. A ferritina sérica elevada também é um marcador importante, mas deve ser interpretada com cautela: níveis elevados podem ocorrer por esteatose hepática ou inflamação sistêmica, sem sobrecarga de ferro real — nesses casos, a saturação da transferrina costuma estar normal. Por isso, o exame indicado para avaliação de hemocromatose é a saturação da transferrina, e não a ferritina isoladamente. O encaminhamento para serviços secundários está indicado para avaliação quanto à indicação de biópsia hepática, que permite a confirmação diagnóstica e o estadiamento da hepatopatia.

O tratamento baseia-se em flebotomias periódicas (sangrias) associadas ou não ao uso de quelante de ferro. A implicação clínica da sobrecarga de ferro é grave: acúmulo e lesão em órgãos-alvo, como fígado (cirrose e carcinoma hepatocelular), pâncreas (diabetes melito), gônadas (hipogonadismo) e miocárdio (insuficiência cardíaca), além de artropatia e coloração escurecida da pele. A detecção precoce por exames laboratoriais é essencial para prevenir essas complicações.

Guarde a fronteira entre os marcadores: a saturação da transferrina é o teste de rastreamento (positivo > 45%), enquanto a ferritina sérica reflete os estoques de ferro, mas pode estar elevada por outras causas (inflamação, esteatose). É exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ❌ Incorreta

O aumento da bilirrubina indica disfunção hepática ou hemólise, não hemocromatose. A hepatite crônica pode cursar com elevação de bilirrubinas, mas não é o achado laboratorial que define sobrecarga de ferro. A hemocromatose pode causar hepatopatia, mas o marcador específico é o metabolismo do ferro, não a bilirrubina.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A diminuição da hemoglobina sugere anemia, mas não é específica de hemocromatose. Na anemia ferropriva, a hemoglobina está baixa, mas a ferritina sérica está diminuída e a saturação da transferrina também — o oposto do que ocorre na hemocromatose, onde há sobrecarga de ferro. A hemocromatose não causa anemia ferropriva; pelo contrário, pode cursar com níveis elevados de ferro.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O aumento do ácido úrico está associado à gota, não à hemocromatose. Embora a hemocromatose possa causar artropatia, o mecanismo é por deposição de ferro nas articulações, não por hiperuricemia. A gota é uma doença distinta, relacionada ao metabolismo das purinas.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A hemocromatose é caracterizada por sobrecarga de ferro, refletida laboratorialmente pelo aumento da ferritina sérica (estoques de ferro) e da saturação da transferrina (ferro circulante ligado à transferrina). A implicação clínica é o acúmulo de ferro em órgãos-alvo, causando cirrose hepática, diabetes melito, hipogonadismo, insuficiência cardíaca, artropatia e hiperpigmentação da pele. A alternativa D espelha exatamente essa combinação diagnóstica e sua consequência clínica.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A diminuição da albumina sérica sugere síndrome nefrótica ou hepatopatia crônica, não hemocromatose. A albumina é uma proteína sintetizada no fígado e sua redução ocorre em condições como síndrome nefrótica (perda renal), desnutrição ou insuficiência hepática — não é um marcador de sobrecarga de ferro.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os marcadores de sobrecarga de ferro e outras condições. O candidato pode marcar a letra B (anemia ferropriva) por associar ferro a anemia, mas na hemocromatose o ferro está aumentado, não diminuído. Lembre-se: saturação da transferrina > 45% é o rastreamento; ferritina elevada confirma estoques aumentados.

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar na prova: hemocromatose = ferro alto (ferritina ↑, saturação ↑); anemia ferropriva = ferro baixo (ferritina ↓, saturação ↓). Se a alternativa falar em "diminuição" de ferro, não é hemocromatose.

Gabarito: letra D

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