Qual é o principal achado semiológico que diferencia o delirium da demência no idoso?
ADéficit cognitivo progressivo e irreversível.
BComprometimento da memória de curto prazo sem flutuações ao longo do dia.
CFlutuações no nível de consciência e atenção, com início agudo e curso flutuante.
DAlterações comportamentais crônicas sem alteração no estado de alerta.
EDéficit motor associado à diminuição da força muscular generalizada.
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GabaritoC — Flutuações no nível de consciência e atenção, com início agudo e curso flutuante.
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Delirium versus Demência no Idoso: o Achado Semiológico Decisivo
Gabarito: letra C. O principal achado semiológico que diferencia o delirium da demência é a flutuação no nível de consciência e atenção, com início agudo e curso flutuante — característica central do delirium, conforme os critérios do DSM-5 e do Confusion Assessment Method (CAM). Enquanto o delirium se instala de forma abrupta e cursa com flutuação, a demência tem instalação lenta e progressiva, sem flutuação do nível de consciência.
O delirium é uma síndrome cerebral orgânica (encefalopatia) de natureza aguda, curso flutuante e causa potencialmente reversível. Seu principal domínio cognitivo afetado é a atenção, esteja o paciente sonolento (delirium hipoativo) ou agitado (delirium hiperativo). Apenas secundariamente ao déficit de atenção é que o delirium causa disfunção cognitiva global. Já a demência é um transtorno neurocognitivo crônico, de instalação progressiva e lenta, que compromete domínios cognitivos específicos (memória, linguagem, função executiva, praxia, gnosis) sem flutuação do nível de consciência.
A diferenciação entre os dois quadros é um desafio clínico frequente, sobretudo em idosos hospitalizados. O delirium pode se sobrepor à demência (delirium sobreposto), e o diagnóstico diferencial depende essencialmente da anamnese e da observação do curso clínico. O Confusion Assessment Method (CAM) oferece uma estrutura validada: o delirium é provável quando o paciente apresenta confusão de aparecimento súbito com evolução flutuante e desatenção, associada a pensamento desorganizado ou alteração do nível de consciência.
Na prática, o médico deve pensar em delirium quando o idoso apresenta alteração da atenção, desorientação, confusão, alteração do nível de consciência (sonolência, torpor), alterações comportamentais, mudança no ciclo sono-vigília, distúrbios da percepção (delírios, alucinações, ilusões) e comprometimento abrupto da funcionalidade. A instalação é rápida, na vigência de doença grave ou condição desencadeante (infecção, distúrbio metabólico, medicamentos, abstinência). Na demência, a instalação é progressiva e lenta, não se focaliza na atenção e abrange outros prejuízos cognitivos com déficit funcional associado.
A tabela abaixo resume as principais diferenças entre delirium e demência, que são exatamente o que a banca explora nesta questão:
Característica
Delirium
Demência
Instalação
Abrupta
Lenta
Evolução em 24h
Flutuante
Estável
Atenção
Reduzida
Sem alterações
Consciência
Flutua: reduzida a hiperalerta
Normal
Orientação
Alterada
Alterada
Memória
Alterada
Alterada
Percepção
Alucinações visuais e raramente auditivas
Intacta
Pensamento
Desorganizado
Vago
Linguagem
Lentificada
Dificuldade em achar palavras
Alteração de movimento
Pode ter flapping
Usualmente sem alterações
Guarde a fronteira entre início agudo + curso flutuante + alteração da atenção/consciência (delirium) e início insidioso + curso progressivo + memória/outros domínios (demência): é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Delirium
1Início agudo
2Curso flutuante
3Atenção/consciência alteradas
4Reversível
5Demência
Início insidioso
Curso progressivo
Atenção/consciência preservadas
Irreversível
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o achado que diferencia é o déficit cognitivo progressivo e irreversível. Esse é um traço da demência, não do delirium. O delirium é classicamente descrito como reversível (em pelo menos 50% dos casos), e a demência é que cursa com declínio progressivo e, em geral, irreversível. A alternativa descreve a demência, não o achado diferencial.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Menciona comprometimento da memória de curto prazo sem flutuações ao longo do dia. A ausência de flutuação é característica da demência, mas o comprometimento da memória de curto prazo não é o principal achado diferencial — tanto o delirium quanto a demência podem cursar com alteração de memória. O que diferencia é a flutuação do nível de consciência e atenção, que está ausente na demência e presente no delirium.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Descreve exatamente o principal achado semiológico do delirium: flutuações no nível de consciência e atenção, com início agudo e curso flutuante. Conforme o DSM-5, o delirium é definido como um distúrbio da atenção e da consciência, desenvolvido ao longo de um curto período (geralmente horas a dias), representando uma mudança do estado habitual do paciente e tendendo a flutuar durante o dia. Essa é a característica que o distingue da demência, que tem instalação lenta e curso estável.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que o achado diferencial são alterações comportamentais crônicas sem alteração no estado de alerta. Alterações comportamentais podem ocorrer tanto no delirium quanto na demência, mas no delirium são agudas e acompanhadas de alteração do nível de consciência. A ausência de alteração do estado de alerta é típica da demência, não do delirium. A alternativa inverte as características.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Menciona déficit motor associado à diminuição da força muscular generalizada. Esse não é um achado semiológico que diferencie delirium de demência. Embora o delirium possa cursar com alterações de movimento (como flapping), o déficit motor generalizado não é característico de nenhum dos dois quadros e não serve como critério diferencial. A alternativa foge do escopo da diferenciação cognitiva.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre as características do delirium e da demência, invertendo os atributos: coloca o déficit progressivo e irreversível (demência) como se fosse o diferencial, e omite a flutuação da atenção e consciência (delirium). O candidato que memoriza apenas "delirium é agudo e demência é crônico" pode acertar, mas a pegadinha está em detalhar o comprometimento da memória (presente nos dois) e as alterações comportamentais (presentes nos dois), fazendo o aluno duvidar da letra C. Lembre-se: o que decide é a flutuação do nível de consciência e atenção — isso é patognomônico do delirium.
PEGA ESSA DICA!
Para diferenciar delirium de demência na prova, foque em três eixos: início (agudo vs. insidioso), curso (flutuante vs. progressivo/estável) e atenção/consciência (alterada vs. preservada). Se a alternativa mencionar flutuação ou alteração do nível de consciência, é delirium; se mencionar declínio progressivo sem flutuação, é demência. Essa tríade resolve a maioria das questões sobre o tema.