Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Geriatria — Avança SP 2025

MedicinaGeriatria
Código
qg413375
Banca
Avança SP
Órgão
Fundação de Saúde de Rio Claro - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Especialista Geriatra
É a principal alteração fisiopatológica que leva à incontinência fecal em idosos?
  1. AHiperatividade do esfíncter anal interno, causando contrações involuntárias durante a defecação.
  2. BAumento da pressão intrarretal, resultando em evacuação frequente e incompleta.
  3. CObstrução crônica no trato gastrointestinal inferior, levando à incapacidade de evacuar normalmente.
  4. DFraqueza do esfíncter anal externo e diminuição da sensibilidade retal, resultando na incapacidade de controlar a passagem fecal.
  5. EHiperplasia da musculatura anal, reduzindo a capacidade de contração voluntária do esfíncter.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Fraqueza do esfíncter anal externo e diminuição da sensibilidade retal, resultando na incapacidade de controlar a passagem fecal.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Incontinência fecal no idoso: fisiopatologia e controle esfincteriano

Gabarito: letra D. A principal alteração fisiopatológica que leva à incontinência fecal em idosos é a fraqueza do esfíncter anal externo associada à diminuição da sensibilidade retal, que compromete a capacidade de perceber o enchimento retal e de contrair voluntariamente o esfíncter para reter as fezes até o momento adequado. Essa é a base do mecanismo de continência, que depende tanto da integridade neuromuscular do assoalho pélvico quanto da percepção sensorial do reto.

A continência fecal é um processo complexo que envolve a interação coordenada entre o reto, os esfíncteres anais interno e externo, a musculatura do assoalho pélvico e o sistema nervoso. O esfíncter anal interno é um músculo liso, de controle involuntário, que mantém o canal anal fechado em repouso, contribuindo com cerca de 70-80% da pressão basal. Já o esfíncter anal externo é um músculo estriado, de controle voluntário, que entra em ação quando precisamos adiar a evacuação, contraindo-se de forma consciente. A sensibilidade retal é fundamental para percebermos o enchimento do reto e distinguirmos entre gás, líquido e fezes sólidas.

No idoso, o processo de envelhecimento e as comorbidades associadas podem levar a alterações nesses mecanismos. A fraqueza do esfíncter anal externo, muitas vezes decorrente de neuropatia, sarcopenia ou lesões do assoalho pélvico, reduz a capacidade de contração voluntária. A diminuição da sensibilidade retal, por sua vez, faz com que o idoso não perceba o enchimento retal ou não consiga diferenciar o conteúdo, resultando em perda involuntária de fezes. Esses dois fatores, combinados, são a principal causa de incontinência fecal no idoso, especialmente na incontinência passiva, em que o paciente não percebe a perda.

É importante distinguir a incontinência fecal da incontinência urinária, que tem mecanismos fisiopatológicos diferentes. Na incontinência urinária de urgência, por exemplo, o problema é a hiperatividade do detrusor, com contrações involuntárias da bexiga. Já na incontinência fecal, o problema central está no complexo esfincteriano e na sensibilidade retal. A banca explora exatamente essa confusão entre os mecanismos de continência urinária e fecal, além de apresentar distratores que invertem o papel dos esfíncteres.

A pegadinha desta questão está em identificar qual esfíncter é o principal responsável pela continência voluntária e qual é o papel da sensibilidade retal. O esfíncter anal interno é involuntário e mantém a continência em repouso; o esfíncter anal externo é voluntário e permite o controle consciente. A fraqueza do esfíncter externo, somada à perda de sensibilidade, é o que leva à incapacidade de controlar a passagem fecal. Guarde essa distinção: é exatamente nela que as alternativas se dividem.

Incontinência fecal no idoso
  • 1Mecanismo de continência
    • Esfíncter interno (involuntário)
      • 70-80% da pressão basal
    • Esfíncter externo (voluntário)
      • Controle consciente
    • Sensibilidade retal
      • Percebe enchimento
      • Distingue gás/líquido/sólido
  • 2Principal alteração
    • Fraqueza do esfíncter externo
    • Diminuição da sensibilidade retal
  • 3Distratores
    • Hiperatividade do esfíncter interno → obstipação
    • Obstrução crônica → impactação fecal
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a hiperatividade do esfíncter anal interno causa contrações involuntárias durante a defecação. Isso está invertido: o esfíncter anal interno é responsável pela continência em repouso, e sua hiperatividade causaria dificuldade para evacuar (obstipação), não incontinência. A incontinência por urgência fecal está relacionada à hiperatividade do reto, não do esfíncter interno.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Menciona aumento da pressão intrarretal resultando em evacuação frequente e incompleta. Embora a pressão intrarretal aumentada possa ocorrer em algumas condições, não é a principal alteração fisiopatológica da incontinência fecal no idoso. O quadro descrito se assemelha mais a um quadro de urgência evacuatória, mas não aborda o mecanismo esfincteriano, que é o cerne da questão.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Descreve obstrução crônica no trato gastrointestinal inferior levando à incapacidade de evacuar. Isso caracteriza obstipação/impactação fecal, que pode causar incontinência por transbordamento, mas não é a principal alteração fisiopatológica da incontinência fecal no idoso. A obstrução leva à retenção, não à perda involuntária por fraqueza esfincteriana.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A fraqueza do esfíncter anal externo e a diminuição da sensibilidade retal são exatamente os mecanismos que levam à incapacidade de controlar a passagem fecal. O esfíncter externo, por ser voluntário, é o principal responsável pelo controle consciente; sua fraqueza impede a retenção voluntária. A diminuição da sensibilidade retal faz com que o idoso não perceba o enchimento do reto, resultando em perda involuntária. Essa combinação é a base fisiopatológica da incontinência fecal no idoso.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Cita hiperplasia da musculatura anal reduzindo a capacidade de contração voluntária. Não há essa condição como causa de incontinência fecal; a hiperplasia muscular não é um mecanismo descrito. O problema está na fraqueza, não na hiperplasia, e o esfíncter envolvido no controle voluntário é o externo, não uma "musculatura anal" genérica.

Gabarito: letra D — a fraqueza do esfíncter anal externo e a diminuição da sensibilidade retal são os principais mecanismos da incontinência fecal no idoso.

Link permanente: /questoes/qg413375