É a principal alteração fisiopatológica que leva à incontinência fecal em idosos?
AHiperatividade do esfíncter anal interno, causando contrações involuntárias durante a defecação.
BAumento da pressão intrarretal, resultando em evacuação frequente e incompleta.
CObstrução crônica no trato gastrointestinal inferior, levando à incapacidade de evacuar normalmente.
DFraqueza do esfíncter anal externo e diminuição da sensibilidade retal, resultando na incapacidade de controlar a passagem fecal.
EHiperplasia da musculatura anal, reduzindo a capacidade de contração voluntária do esfíncter.
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GabaritoD — Fraqueza do esfíncter anal externo e diminuição da sensibilidade retal, resultando na incapacidade de controlar a passagem fecal.
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Incontinência fecal no idoso: fisiopatologia e controle esfincteriano
Gabarito: letra D. A principal alteração fisiopatológica que leva à incontinência fecal em idosos é a fraqueza do esfíncter anal externo associada à diminuição da sensibilidade retal, que compromete a capacidade de perceber o enchimento retal e de contrair voluntariamente o esfíncter para reter as fezes até o momento adequado. Essa é a base do mecanismo de continência, que depende tanto da integridade neuromuscular do assoalho pélvico quanto da percepção sensorial do reto.
A continência fecal é um processo complexo que envolve a interação coordenada entre o reto, os esfíncteres anais interno e externo, a musculatura do assoalho pélvico e o sistema nervoso. O esfíncter anal interno é um músculo liso, de controle involuntário, que mantém o canal anal fechado em repouso, contribuindo com cerca de 70-80% da pressão basal. Já o esfíncter anal externo é um músculo estriado, de controle voluntário, que entra em ação quando precisamos adiar a evacuação, contraindo-se de forma consciente. A sensibilidade retal é fundamental para percebermos o enchimento do reto e distinguirmos entre gás, líquido e fezes sólidas.
No idoso, o processo de envelhecimento e as comorbidades associadas podem levar a alterações nesses mecanismos. A fraqueza do esfíncter anal externo, muitas vezes decorrente de neuropatia, sarcopenia ou lesões do assoalho pélvico, reduz a capacidade de contração voluntária. A diminuição da sensibilidade retal, por sua vez, faz com que o idoso não perceba o enchimento retal ou não consiga diferenciar o conteúdo, resultando em perda involuntária de fezes. Esses dois fatores, combinados, são a principal causa de incontinência fecal no idoso, especialmente na incontinência passiva, em que o paciente não percebe a perda.
É importante distinguir a incontinência fecal da incontinência urinária, que tem mecanismos fisiopatológicos diferentes. Na incontinência urinária de urgência, por exemplo, o problema é a hiperatividade do detrusor, com contrações involuntárias da bexiga. Já na incontinência fecal, o problema central está no complexo esfincteriano e na sensibilidade retal. A banca explora exatamente essa confusão entre os mecanismos de continência urinária e fecal, além de apresentar distratores que invertem o papel dos esfíncteres.
A pegadinha desta questão está em identificar qual esfíncter é o principal responsável pela continência voluntária e qual é o papel da sensibilidade retal. O esfíncter anal interno é involuntário e mantém a continência em repouso; o esfíncter anal externo é voluntário e permite o controle consciente. A fraqueza do esfíncter externo, somada à perda de sensibilidade, é o que leva à incapacidade de controlar a passagem fecal. Guarde essa distinção: é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Incontinência fecal no idoso
1Mecanismo de continência
Esfíncter interno (involuntário)
70-80% da pressão basal
Esfíncter externo (voluntário)
Controle consciente
Sensibilidade retal
Percebe enchimento
Distingue gás/líquido/sólido
2Principal alteração
Fraqueza do esfíncter externo
Diminuição da sensibilidade retal
3Distratores
Hiperatividade do esfíncter interno → obstipação
Obstrução crônica → impactação fecal
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a hiperatividade do esfíncter anal interno causa contrações involuntárias durante a defecação. Isso está invertido: o esfíncter anal interno é responsável pela continência em repouso, e sua hiperatividade causaria dificuldade para evacuar (obstipação), não incontinência. A incontinência por urgência fecal está relacionada à hiperatividade do reto, não do esfíncter interno.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Menciona aumento da pressão intrarretal resultando em evacuação frequente e incompleta. Embora a pressão intrarretal aumentada possa ocorrer em algumas condições, não é a principal alteração fisiopatológica da incontinência fecal no idoso. O quadro descrito se assemelha mais a um quadro de urgência evacuatória, mas não aborda o mecanismo esfincteriano, que é o cerne da questão.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Descreve obstrução crônica no trato gastrointestinal inferior levando à incapacidade de evacuar. Isso caracteriza obstipação/impactação fecal, que pode causar incontinência por transbordamento, mas não é a principal alteração fisiopatológica da incontinência fecal no idoso. A obstrução leva à retenção, não à perda involuntária por fraqueza esfincteriana.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A fraqueza do esfíncter anal externo e a diminuição da sensibilidade retal são exatamente os mecanismos que levam à incapacidade de controlar a passagem fecal. O esfíncter externo, por ser voluntário, é o principal responsável pelo controle consciente; sua fraqueza impede a retenção voluntária. A diminuição da sensibilidade retal faz com que o idoso não perceba o enchimento do reto, resultando em perda involuntária. Essa combinação é a base fisiopatológica da incontinência fecal no idoso.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Cita hiperplasia da musculatura anal reduzindo a capacidade de contração voluntária. Não há essa condição como causa de incontinência fecal; a hiperplasia muscular não é um mecanismo descrito. O problema está na fraqueza, não na hiperplasia, e o esfíncter envolvido no controle voluntário é o externo, não uma "musculatura anal" genérica.
Gabarito: letra D — a fraqueza do esfíncter anal externo e a diminuição da sensibilidade retal são os principais mecanismos da incontinência fecal no idoso.