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Questão de Medicina — Nefrologia — Avança SP 2025

MedicinaNefrologia
Código
qg413409
Banca
Avança SP
Órgão
Fundação de Saúde de Rio Claro - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Especialista Nefrologista
Em pacientes com diabetes mellitus e insuficiência renal crônica, qual dos seguintes é o principal alvo terapêutico para controlar a progressão da doença renal?
  1. AControle rigoroso dos níveis séricos de fósforo para prevenir a calcificação vascular.
  2. BRestrição total de proteínas da dieta para reduzir a pressão nos glomérulos.
  3. CControle da glicemia e redução da pressão arterial com inibidores da ECA ou bloqueadores dos receptores de angiotensina (BRA).
  4. DUso de diuréticos de alça para controlar a glicose no sangue e prevenir a progressão da doença renal.
  5. EAumento da ingestão de potássio para melhorar a função glomerular e reduzir a hipertensão.
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GabaritoC — Controle da glicemia e redução da pressão arterial com inibidores da ECA ou bloqueadores dos receptores de angiotensina (BRA).

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Nefroproteção no diabetes mellitus: controle glicêmico e bloqueio do SRAA

Gabarito: letra C. Em pacientes com diabetes mellitus e doença renal crônica (DRC), o principal alvo terapêutico para controlar a progressão da doença renal é o controle rigoroso da glicemia associado à redução da pressão arterial com inibidores da ECA (IECA) ou bloqueadores dos receptores de angiotensina (BRA). Essa combinação ataca os dois principais mecanismos de progressão da nefropatia diabética: a hiperglicemia crônica, que lesa diretamente os glomérulos, e a hipertensão intraglomerular, que acelera a perda de função renal. As diretrizes atuais recomendam meta pressórica inferior a 130/80 mmHg e hemoglobina glicada (HbA1c) abaixo de 7%, com uso preferencial de IECA ou BRA, especialmente na presença de albuminúria.

A nefropatia diabética é a principal causa de doença renal crônica e de insuficiência renal terminal no mundo. A progressão da DRC no diabetes é multifatorial, mas dois pilares se destacam: o controle metabólico e o controle anti-hipertensivo. O controle glicêmico intensivo reduz a progressão da nefropatia — em diabetes tipo 1, reduz em cerca de 40% a progressão; em tipo 2, o efeito é menor, mas ainda significativo, com meta de HbA1c < 7%. Já o controle da pressão arterial é extremamente efetivo: na presença de albuminúria, o uso de IECA ou BRA reduz em 27% o risco de insuficiência renal terminal e em 25% o risco de progressão da nefropatia (duplicação da creatinina). Esses fármacos têm efeito renoprotetor além do controle pressórico, pois bloqueiam a via do sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA), reduzindo a pressão intraglomerular e a proteinúria.

Na prática, o manejo do paciente diabético com DRC envolve: (1) controle glicêmico rigoroso, com HbA1c < 7% (evitando hipoglicemia); (2) controle pressórico com meta < 130/80 mmHg, preferencialmente com IECA ou BRA; (3) uso de inibidores do SGLT2 (como dapagliflozina), que demonstraram benefício renal adicional; (4) restrição proteica moderada (0,6-0,8 g/kg/dia) em estágios avançados, embora com benefício modesto; (5) suspensão do tabagismo; e (6) evitar nefrotoxinas (AINEs, aminoglicosídeos). A combinação de IECA com BRA não é recomendada, pois aumenta mortalidade. A restrição proteica total não é indicada — a recomendação é de restrição moderada, não total.

A pegadinha desta questão está em distinguir o que é alvo terapêutico principal (controle glicêmico + bloqueio do SRAA) do que são medidas adjuvantes (controle de fósforo, restrição proteica moderada) ou condutas incorretas (restrição total de proteínas, uso de diuréticos para controle glicêmico, aumento de potássio). O controle de fósforo é importante na DRC avançada para prevenir doença óssea e calcificação vascular, mas não é o principal alvo para retardar a progressão. A restrição proteica total é prejudicial e não é recomendada. Diuréticos de alça não têm efeito sobre a glicemia. Aumento de potássio é perigoso, especialmente com IECA/BRA.

Guarde a hierarquia: controle glicêmico + anti-hipertensivo com bloqueio do SRAA é o pilar central da nefroproteção no diabetes; os demais são coadjuvantes ou erros conceituais. É exatamente essa hierarquia que separa as alternativas.

Alternativa A — ❌ Incorreta

O controle rigoroso do fósforo sérico é importante na DRC avançada para prevenir hiperparatireoidismo secundário, doença óssea e calcificação vascular, mas não é o principal alvo terapêutico para controlar a progressão da doença renal no diabetes. O manejo do distúrbio mineral e ósseo é uma complicação da DRC, não uma intervenção que retarde a progressão da doença de base. O principal alvo continua sendo o controle glicêmico e pressórico com bloqueio do SRAA.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A restrição total de proteínas é uma conduta incorreta e potencialmente prejudicial. As diretrizes recomendam restrição moderada (0,6-0,8 g/kg/dia) em estágios avançados da DRC, com benefício modesto e inconclusivo segundo o estudo MDRD. A restrição total levaria à desnutrição, piorando o prognóstico. Além disso, a restrição proteica não é o principal alvo terapêutico — é uma medida adjuvante.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a alternativa correta. O controle rigoroso da glicemia (HbA1c < 7%) e a redução da pressão arterial com IECA ou BRA são os pilares da nefroproteção no diabetes. Os IECA/BRA bloqueiam o SRAA, reduzindo a pressão intraglomerular e a proteinúria, com efeito renoprotetor além do controle pressórico. As diretrizes recomendam meta pressórica < 130/80 mmHg e uso preferencial desses fármacos, especialmente na presença de albuminúria.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Diuréticos de alça (como furosemida) são usados para controle de edema e hipertensão, especialmente quando a TFG < 30 mL/min/1,73 m², mas não têm efeito sobre a glicemia e não previnem a progressão da doença renal. O controle glicêmico é feito com hipoglicemiantes (metformina, insulina, iSGLT2, arGLP1, etc.), não com diuréticos. A alternativa confunde classes farmacológicas com finalidades distintas.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Aumentar a ingestão de potássio é uma conduta perigosa em pacientes com DRC, especialmente em uso de IECA ou BRA, pois há risco de hipercalemia (potássio > 5,0 mmol/L), que pode causar arritmias fatais. O potássio não melhora a função glomerular nem reduz a hipertensão — na verdade, a hipercalemia é uma complicação temida no manejo da DRC. A alternativa inverte completamente a conduta correta.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura intervenções que são adjuvantes (controle de fósforo, restrição proteica moderada) ou erradas (restrição total de proteínas, diuréticos para glicemia, aumento de potássio) com o pilar central da nefroproteção (controle glicêmico + IECA/BRA). O candidato que sabe que "proteína faz mal ao rim" pode cair na letra B, mas a restrição é moderada, não total. E quem sabe que "diurético controla pressão" pode achar a D plausível, mas diurético não controla glicose. Fique atento: a questão pergunta o principal alvo, não uma medida coadjuvante.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de nefroproteção no diabetes, memorize a tríade: controle glicêmico (HbA1c < 7%) + controle pressórico (< 130/80 mmHg) + bloqueio do SRAA (IECA/BRA). Tudo mais — fósforo, proteína, potássio, diurético — é secundário ou errado. Se a alternativa trouxer "restrição total" ou "aumento de potássio", elimine na hora: são condutas contraindicadas.

Gabarito: letra C

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