Em pacientes com insuficiência renal crônica avançada, o consumo de alguns alimentos deve ser restringido. Qual dos seguintes alimentos deve ser evitado, e qual é a justificativa para essa restrição?
ABrócolis, pois contém oxalato, o que pode aumentar a formação de cálculos renais.
BBanana, devido ao seu alto teor de potássio, que pode causar hipercalemia em pacientes com função renal comprometida.
CCenoura, por conter altas quantidades de vitamina K, o que interfere com anticoagulantes em pacientes dialíticos.
DAlface, que aumenta a produção de ureia no sangue, sobrecarregando a função renal.
EArroz integral, devido ao seu alto teor de fósforo, que leva à desmineralização óssea.
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GabaritoB — Banana, devido ao seu alto teor de potássio, que pode causar hipercalemia em pacientes com função renal comprometida.
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Dietoterapia na doença renal crônica avançada
Gabarito: letra B. A banana deve ser evitada em pacientes com insuficiência renal crônica avançada devido ao seu alto teor de potássio, que pode causar hipercalemia — uma complicação potencialmente fatal quando a função renal comprometida não consegue excretar o excesso desse íon. As demais alternativas apresentam justificativas incorretas ou alimentos que não são o foco principal da restrição nesse contexto.
A doença renal crônica (DRC) avançada, especialmente nos estágios 4 e 5 (pré-dialítico e dialítico), impõe uma série de restrições dietéticas que visam minimizar o acúmulo de substâncias que o rim doente não consegue eliminar adequadamente. Os três pilares da dieta renal são: restrição de potássio, restrição de fósforo e restrição de sódio, além do controle de proteínas. O potássio é um eletrólito intracelular cuja excreção depende diretamente da função renal — quando os néfrons estão comprometidos, a capacidade de eliminar potássio cai, e o acúmulo desse íon no sangue (hipercalemia) pode levar a arritmias cardíacas graves, incluindo fibrilação ventricular e parada cardíaca.
A banana é um dos alimentos mais ricos em potássio (cerca de 350-400 mg por unidade média), por isso é classicamente contraindicada em pacientes com DRC avançada. Outros alimentos ricos em potássio incluem: batata, tomate, laranja, abacate, feijão, espinafre e melão. A orientação dietética nesses pacientes envolve não apenas evitar esses alimentos, mas também técnicas de preparo que reduzem o teor de potássio, como cozinhar em água e descartar a água do cozimento.
O fósforo também merece atenção: em DRC avançada, a retenção de fósforo leva a hiperfosfatemia, que estimula a secreção de PTH (hiperparatireoidismo secundário) e causa doença óssea renal (osteodistrofia). Alimentos ricos em fósforo incluem laticínios, carnes processadas, refrigerantes à base de cola e grãos integrais. No entanto, a alternativa E menciona o arroz integral — embora o fósforo seja um nutriente a ser restringido, o arroz integral não é o exemplo mais clássico nem o mais cobrado; a banana e o potássio são o par alimento-nutriente mais emblemático da dieta renal.
A pegadinha desta questão está em reconhecer qual é a restrição mais importante e mais diretamente associada ao alimento citado. A banca explora o conhecimento básico de nefrologia: o potássio é o eletrólito mais perigosamente elevado na DRC avançada, e a banana é o alimento prototípico dessa restrição. As outras alternativas misturam conceitos de outras áreas (oxalato e cálculos renais, vitamina K e anticoagulantes, ureia e proteínas, fósforo e ossos) que, embora tenham algum fundamento fisiológico, não correspondem à justificativa correta para o alimento específico mencionado.
Dieta na DRC avançada
1Restrição de potássio
Banana (350-400 mg/unidade)
Batata, tomate, laranja, abacate
Risco: hipercalemia → arritmias fatais
2Restrição de fósforo
Laticínios, carnes processadas, refrigerantes cola
Risco: hiperfosfatemia → osteodistrofia
3Restrição de sódio
4Controle de proteínas
Ureia (metabólito proteico)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O brócolis contém oxalato, mas a restrição de oxalato é relevante para pacientes com litíase renal (cálculos de oxalato de cálcio), não para pacientes com insuficiência renal crônica avançada. Na DRC avançada, o problema central não é a formação de cálculos, mas o acúmulo de eletrólitos como potássio e fósforo. Além disso, o brócolis não é um alimento classicamente restrito na dieta renal — ele é até recomendado por ser fonte de vitaminas e fibras, desde que com controle de potássio (que é moderado). A justificativa apresentada confunde o manejo da litíase com o da DRC.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A banana é rica em potássio (aproximadamente 350-400 mg por unidade). Em pacientes com DRC avançada, a excreção renal de potássio está comprometida, levando ao risco de hipercalemia — condição que pode causar arritmias cardíacas fatais. A restrição de potássio é uma das principais medidas dietéticas na DRC, e a banana é o exemplo clássico de alimento a ser evitado. A alternativa está correta tanto no alimento quanto na justificativa.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A cenoura contém vitamina K, mas a interação com anticoagulantes (como varfarina) é relevante para pacientes em uso desses medicamentos, não especificamente para pacientes dialíticos. Na DRC, a cenoura não é um alimento proibido — ela tem teor moderado de potássio e pode ser consumida com moderação. A justificativa mistura o manejo de anticoagulação com a dieta renal, que não tem como foco a vitamina K. Além disso, a vitamina K não é o nutriente crítico na DRC avançada.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alface não aumenta a produção de ureia de forma significativa. A ureia é um produto do metabolismo de proteínas, não de vegetais folhosos como a alface. A restrição proteica é importante na DRC, mas a alface é um alimento de baixo teor proteico e baixo teor de potássio, sendo geralmente permitida na dieta renal. A justificativa apresentada é fisiologicamente incorreta — a alface não sobrecarrega a função renal dessa forma.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O arroz integral é rico em fósforo, e a restrição de fósforo é de fato importante na DRC avançada para prevenir hiperfosfatemia e doença óssea renal. No entanto, a alternativa está incorreta porque: (1) o arroz integral não é o alimento mais emblemático da restrição de fósforo — laticínios e carnes processadas são mais ricos; (2) a justificativa de "desmineralização óssea" é uma consequência indireta e tardia, não o motivo principal da restrição; (3) a banca provavelmente espera que o aluno identifique a banana/potássio como o par mais clássico. A alternativa tem um fundo de verdade (fósforo é restrito), mas o alimento escolhido e a justificativa não são os mais precisos.
Gabarito: letra B — banana, devido ao alto teor de potássio e risco de hipercalemia.