Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Neurologia — Avança SP 2025

MedicinaNeurologia
Código
qg413437
Banca
Avança SP
Órgão
Fundação de Saúde de Rio Claro - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Especialista Neuropediatra
As epilepsias na infância são classificadas em diferentes tipos, cada uma com características clínicas específicas. Qual das seguintes opções descreve corretamente uma característica de uma das formas mais comuns de epilepsia na infância?
  1. AEpilepsia mioclônica juvenil, caracterizada por crises tônicas bilaterais e alta taxa de resposta ao tratamento com benzodiazepínicos.
  2. BEpilepsia rolândica, que se caracteriza por crises noturnas de perda de consciência e movimentos tônicos.
  3. CEpilepsia focal, que se apresenta exclusivamente com crises generalizadas e ausência de sintomas focais.
  4. DSíndrome de West, que é caracterizada por crises tônicas e está associada a um padrão de eletroencefalograma (EEG) normal.
  5. EEpilepsia de ausência, que se manifesta por crises breves de perda de consciência, frequentemente acompanhadas de automatismos.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Epilepsia de ausência, que se manifesta por crises breves de perda de consciência, frequentemente acompanhadas de automatismos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Epilepsias na Infância: Síndromes e Características Clínicas

Gabarito: letra E. A epilepsia de ausência é caracterizada por crises breves de perda de consciência, frequentemente acompanhadas de automatismos, como piscamento, mastigação e deglutição. As demais alternativas apresentam erros conceituais: a mioclônica juvenil tem crises mioclônicas (não tônicas bilaterais), a rolândica tem crises focais noturnas (não perda de consciência), a focal não é exclusivamente generalizada, e a síndrome de West tem EEG com hipsarritmia (não normal).

As epilepsias na infância formam um grupo heterogêneo de síndromes, cada uma com características clínicas, eletrencefalográficas e etiológicas próprias. A classificação atual, proposta pela ILAE (International League Against Epilepsy), divide as epilepsias em quatro grandes categorias: focal, generalizada, generalizada e focal combinada, e desconhecida. Dentro de cada categoria, existem síndromes epilépticas específicas, que se distinguem pelo tipo de crise, achados de EEG, idade de início, prognóstico e comorbidades.

A epilepsia de ausência, também chamada de picnolepsia ou pequeno mal, é uma forma de epilepsia generalizada idiopática que começa tipicamente entre 4 e 10 anos, com pico aos 7 anos. As crises são caracterizadas por perda breve de consciência, com duração de 2 a 20 segundos, durante as quais o paciente parece "desligar-se" do ambiente, mantendo olhar vago. Podem ocorrer automatismos, como piscamento das pálpebras, mastigação e deglutição. O EEG ictal mostra descargas de pontas e ondas de 3 Hz, bilateralmente sincrônicas. A hiperventilação é um procedimento útil para provocar as crises durante o EEG.

A epilepsia mioclônica juvenil (EMJ) é outra forma de epilepsia generalizada idiopática, com início na adolescência (pico entre 12 e 18 anos). Caracteriza-se por crises mioclônicas, que são abalos breves e repentinos, geralmente nos braços, com duração menor que 1 segundo, ocorrendo com frequência pela manhã, logo após o despertar. A consciência é preservada durante as crises mioclônicas. Frequentemente, também ocorrem crises tônico-clônicas generalizadas, que costumam levar o paciente ao médico. A EMJ é altamente fotossensível.

A epilepsia rolândica, ou epilepsia benigna da infância com pontas centrotemporais, é uma epilepsia focal que se manifesta tipicamente entre 3 e 13 anos. As crises são focais, frequentemente noturnas, e envolvem sintomas motores e sensitivos na face e orofaringe, como salivação, parestesia e contrações hemifaciais. A consciência geralmente é preservada, embora possa haver generalização secundária. O EEG mostra pontas centrotemporais, com morfologia característica.

A síndrome de West é uma encefalopatia epiléptica da lactância, caracterizada pela tríade: espasmos epilépticos, hipsarritmia no EEG e regressão ou atraso do desenvolvimento psicomotor. Os espasmos epilépticos são contrações breves, bilaterais e simétricas, em flexão, extensão ou mistas, que ocorrem em séries. A hipsarritmia é um padrão de EEG desorganizado e caótico, com ondas lentas de alta amplitude e descargas epileptiformes multifocais. O prognóstico é sombrio, com mais de 90% dos pacientes desenvolvendo deficiência intelectual.

A epilepsia focal, por definição, origina-se em uma rede neuronal limitada a um hemisfério cerebral. As crises focais podem ser classificadas quanto à consciência (preservada ou prejudicada) e quanto ao início motor ou não motor. Não se apresentam exclusivamente com crises generalizadas; pelo contrário, as crises focais são as mais comuns em crianças e adultos. A generalização secundária pode ocorrer, mas a crise tem início focal.

A distinção entre os tipos de crise é fundamental para o diagnóstico sindrômico e para a escolha do tratamento. A banca explora a confusão entre as características de cada síndrome, trocando termos como "mioclônicas" por "tônicas", "focais" por "generalizadas", e "hipsarritmia" por "EEG normal".

Alternativa A — ❌ Incorreta

A epilepsia mioclônica juvenil é caracterizada por crises mioclônicas, não por crises tônicas bilaterais. As crises mioclônicas são abalos breves e repentinos, geralmente nos braços, com duração menor que 1 segundo, e a consciência é preservada. Além disso, o tratamento de primeira linha é o valproato, não os benzodiazepínicos. A alternativa troca o tipo de crise (mioclônica por tônica) e o tratamento (valproato por benzodiazepínico).

Alternativa B — ❌ Incorreta

A epilepsia rolândica é uma epilepsia focal, com crises que envolvem a face e a orofaringe, como salivação, parestesia e contrações hemifaciais. A consciência geralmente é preservada, não havendo perda de consciência. As crises são noturnas, mas não são tônicas generalizadas. A alternativa erra ao descrever crises de perda de consciência e movimentos tônicos, que não são características da epilepsia rolândica.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A epilepsia focal, por definição, origina-se em uma rede neuronal limitada a um hemisfério. As crises focais podem ter sintomas motores, sensitivos, autonômicos ou psíquicos, e a consciência pode estar preservada ou prejudicada. Não se apresenta exclusivamente com crises generalizadas; pelo contrário, as crises focais são as mais comuns. A alternativa erra ao afirmar que a epilepsia focal se apresenta exclusivamente com crises generalizadas e ausência de sintomas focais.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A síndrome de West é caracterizada por espasmos epilépticos, não por crises tônicas. Além disso, o EEG mostra hipsarritmia, um padrão desorganizado e caótico, e não um EEG normal. A tríade clássica é: espasmos epilépticos, hipsarritmia e regressão do desenvolvimento psicomotor. A alternativa erra ao descrever crises tônicas e EEG normal.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A epilepsia de ausência é caracterizada por crises breves de perda de consciência, com duração de 2 a 20 segundos, durante as quais o paciente parece "desligar-se" do ambiente. Podem ocorrer automatismos, como piscamento das pálpebras, mastigação e deglutição. O EEG ictal mostra descargas de pontas e ondas de 3 Hz, bilateralmente sincrônicas. A alternativa descreve corretamente as características da epilepsia de ausência.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca as características de cada síndrome epiléptica: mioclônica por tônica, rolândica por perda de consciência, focal por generalizada, e West por EEG normal. A pegadinha está em associar cada síndrome ao tipo de crise e ao EEG correto. Com treino, você identifica essas trocas de longe 💪

PEGA ESSA DICA!

Para memorizar as síndromes, foque na tríade: tipo de crise, EEG e idade de início. A epilepsia de ausência tem ponta-onda a 3 Hz, a síndrome de West tem hipsarritmia, e a rolândica tem pontas centrotemporais. Esses são os achados mais cobrados.

Gabarito: letra E

Link permanente: /questoes/qg413437