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Questão de Medicina — Neurologia — Avança SP 2025

MedicinaNeurologia
Código
qg413439
Banca
Avança SP
Órgão
Fundação de Saúde de Rio Claro - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Especialista Neuropediatra
Qual biomarcador é frequentemente utilizado para confirmar o diagnóstico de Coréia de Huntington e como ele se relaciona à patologia da doença?
  1. ANíveis elevados de ácido úrico no sangue, que indicam degeneração neuronal.
  2. BAumento de dopamina no líquor, que reflete uma desregulação do sistema dopaminérgico.
  3. CDiminuição dos níveis de serotonina, que está associada a transtornos de humor, mas não é específica para Huntington.
  4. DPresença de repetições CAG no gene HTT, que leva à produção de uma proteína mutante e degeneração dos neurônios nos gânglios da base.
  5. EAlterações nos níveis de neurotransmissores colinérgicos, que não são características da doença.
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GabaritoD — Presença de repetições CAG no gene HTT, que leva à produção de uma proteína mutante e degeneração dos neurônios nos gânglios da base.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Coréia de Huntington: biomarcador genético e patologia

Gabarito: letra D. A Coréia de Huntington (DH) é uma doença neurodegenerativa autossômica dominante causada por uma expansão instável da repetição do trinucleotídeo citosina-adenina-guanina (CAG) no gene HTT (também chamado IT-15), localizado no braço curto do cromossomo 4. Essa mutação leva à produção de uma proteína huntingtina anormal (mutante), que se acumula e causa degeneração neuronal seletiva, particularmente no núcleo caudado e no putame (estriado), os gânglios da base. O diagnóstico é confirmado pelo teste genético que detecta o número de repetições CAG — acima de 39 repetições é considerado patológico. As demais alternativas citam biomarcadores bioquímicos (ácido úrico, dopamina, serotonina, neurotransmissores colinérgicos) que não são específicos nem utilizados para confirmar o diagnóstico de DH.

A doença de Huntington é a causa mais comum de coreia hereditária de início na idade adulta. A coreia é um movimento involuntário, irregular, arrítmico e de caráter "dançante", que resulta de disfunção dos núcleos da base, especialmente do estriado. A patologia central da DH é a perda preferencial de neurônios espinhosos de tamanho médio que projetam do estriado para o pálido externo. Essa degeneração seletiva explica os sintomas motores (coreia, distonia, impersistência motora), cognitivos (demência) e psiquiátricos (depressão, irritabilidade) que caracterizam a doença.

O diagnóstico da DH é essencialmente clínico, baseado na tríade de sintomas motores, cognitivos e psiquiátricos, com história familiar autossômica dominante. No entanto, a confirmação diagnóstica é feita pelo teste genético molecular, que identifica a expansão da repetição CAG no gene HTT. Esse teste é o biomarcador definitivo, pois detecta diretamente a mutação causadora da doença, independentemente da manifestação clínica. O teste genético também é utilizado para diagnóstico pré-sintomático e pré-natal em famílias afetadas.

É importante distinguir a DH de outras causas de coreia, como a coreia de Sydenham (imunomediada, pós-estreptocócica), a doença de Wilson (autossômica recessiva, com acúmulo de cobre), a neuroacantocitose e as coreias medicamentosas (discinesia tardia). O diagnóstico diferencial é guiado pela história clínica, exame neurológico, exames de imagem (atrofia do caudado na ressonância magnética) e testes laboratoriais específicos. O teste genético para a expansão CAG é o que confirma a DH e a distingue das demais.

A pegadinha desta questão está em associar a DH a biomarcadores bioquímicos inespecíficos, como níveis de dopamina, serotonina ou ácido úrico. Embora haja desregulação dopaminérgica na DH (hiperatividade dopaminérgica no estriado contribui para a coreia), a dosagem de dopamina no líquor não é utilizada para diagnóstico. O mesmo vale para serotonina, que está relacionada a transtornos de humor, mas não é específica para DH. O biomarcador definitivo é genético: a expansão CAG no gene HTT.

Guarde a fronteira entre o mecanismo fisiopatológico (degeneração dos gânglios da base por proteína huntingtina mutante) e o biomarcador diagnóstico (teste genético para repetições CAG). É exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Níveis elevados de ácido úrico no sangue não são biomarcadores de degeneração neuronal na DH. O ácido úrico está associado a gota e outras condições metabólicas, não à neurodegeneração. Não há correlação entre ácido úrico e DH.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Embora haja hiperatividade dopaminérgica no estriado na DH, o aumento de dopamina no líquor não é um biomarcador utilizado para confirmar o diagnóstico. A dosagem de dopamina no líquor não é específica nem sensível para DH, e não faz parte dos critérios diagnósticos.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A diminuição dos níveis de serotonina está associada a transtornos de humor, como depressão, mas não é específica para DH. Embora sintomas depressivos sejam comuns na DH, a serotonina não é um biomarcador diagnóstico da doença. A alternativa corretamente afirma que não é específica, mas isso a torna incorreta como resposta à pergunta sobre o biomarcador de confirmação.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A presença de repetições CAG no gene HTT é o biomarcador genético que confirma o diagnóstico de DH. A expansão instável da repetição CAG leva à produção de uma proteína huntingtina mutante, que se acumula e causa degeneração neuronal seletiva nos gânglios da base, especialmente no núcleo caudado e putame. O teste genético detecta o número de repetições CAG, sendo diagnóstico quando acima de 39 repetições.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Alterações nos níveis de neurotransmissores colinérgicos não são características da DH. Embora haja disfunção de múltiplos sistemas de neurotransmissores na DH, a alteração colinérgica não é um biomarcador diagnóstico. A alternativa está incorreta ao afirmar que não são características, pois há alterações colinérgicas, mas não são utilizadas para diagnóstico.

Gabarito: letra D

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