Qual dos seguintes achados no exame neurológico é mais comumente observado em crianças com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH)?
ATremor intencional e espasticidade dos membros superiores.
BAlteração na força muscular, com predomínio de fraqueza proximal.
CDificuldade em realizar movimentos coordenados finos, como escrever ou abotoar roupas.
DReflexos tendinosos aumentados, com presença de clônus nas extremidades inferiores.
EInabilidade em manter a atenção sustentada e hiperatividade, sem anormalidades motoras ou sensoriais específicas.
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GabaritoE — Inabilidade em manter a atenção sustentada e hiperatividade, sem anormalidades motoras ou sensoriais específicas.
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Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) no exame neurológico
Gabarito: letra E. O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por desatenção, hiperatividade e impulsividade, sem anormalidades motoras ou sensoriais específicas no exame neurológico — o exame físico neurológico é tipicamente normal. As demais alternativas descrevem achados de outras condições neurológicas (paralisia cerebral, distrofias musculares, disfunção cerebelar, lesão do neurônio motor superior), que não fazem parte do quadro clínico do TDAH.
O TDAH é um dos transtornos do neurodesenvolvimento mais comuns na infância, com prevalência estimada em cerca de 5% das crianças. A tríade clássica — desatenção, hiperatividade e impulsividade — é o núcleo do diagnóstico, que é essencialmente clínico, baseado em critérios do DSM-5 e em escalas padronizadas como a Vanderbilt e as escalas de Conners. O diagnóstico exige que os sintomas estejam presentes antes dos 12 anos, persistam por pelo menos 6 meses, sejam inadequados ao nível de desenvolvimento e causem prejuízo em pelo menos dois contextos (casa, escola, trabalho, relações sociais).
O ponto central desta questão é entender que o TDAH é um transtorno funcional e comportamental, não uma doença com sinais neurológicos focais. Ao contrário de condições como paralisia cerebral (que cursa com espasticidade, reflexos aumentados e clônus), distrofias musculares (fraqueza proximal) ou lesões cerebelares (tremor intencional e dismetria), o TDAH não apresenta alterações no exame neurológico tradicional — tônus, força, reflexos, coordenação e sensibilidade são normais. As dificuldades motoras finas que algumas crianças com TDAH podem apresentar (como letra feia ou dificuldade em abotoar) são decorrentes da impulsividade e da falta de atenção sustentada, e não de um déficit motor primário.
A banca explora exatamente essa confusão: o candidato pode associar as dificuldades funcionais do TDAH (como a dificuldade em escrever) a um achado neurológico objetivo, quando na verdade o exame neurológico é normal. A alternativa C, por exemplo, descreve uma dificuldade que pode ser observada em crianças com TDAH, mas ela não é um "achado no exame neurológico" — é uma consequência funcional dos sintomas centrais, não um sinal neurológico. O que define o TDAH é o padrão comportamental, não um déficit motor ou sensitivo.
NÃO CAIA NESSA!
A banca mistura as dificuldades funcionais do TDAH (como a letra ilegível ou a dificuldade em abotoar, citadas na alternativa C) com achados objetivos do exame neurológico. A pegadinha está em confundir "dificuldade em realizar movimentos coordenados finos" — que pode ser uma consequência da desatenção e impulsividade — com um sinal neurológico real, como seria a dismetria cerebelar ou a apraxia. No TDAH, o exame neurológico é normal; as dificuldades motoras finas, quando presentes, são funcionais e não indicam lesão neurológica.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Tremor intencional e espasticidade dos membros superiores são sinais de disfunção cerebelar e do trato corticoespinhal, respectivamente. O tremor intencional (que surge durante movimentos voluntários) é característico de lesão cerebelar, e a espasticidade é um sinal de lesão do neurônio motor superior. Nenhum desses achados faz parte do quadro de TDAH, que não apresenta sinais neurológicos focais.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Fraqueza muscular proximal é um achado típico de miopatias, como as distrofias musculares (ex.: distrofia de Duchenne). No TDAH não há alteração de força muscular — o exame motor é normal. A fraqueza proximal é um sinal de doença neuromuscular, não de transtorno do neurodesenvolvimento.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Embora crianças com TDAH possam apresentar dificuldade em movimentos finos (como escrever ou abotoar), isso é consequência da desatenção, impulsividade e falta de organização motora, e não um achado primário do exame neurológico. A alternativa descreve uma dificuldade funcional, não um sinal neurológico objetivo. Além disso, a dificuldade em movimentos coordenados finos, quando é um sinal neurológico real, sugere disfunção cerebelar ou apraxia — condições que não fazem parte do TDAH.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Reflexos tendinosos aumentados com clônus são sinais de lesão do neurônio motor superior, como na paralisia cerebral ou em doenças da medula espinhal. Esses achados indicam uma condição neurológica estrutural, completamente diferente do TDAH, que não apresenta alterações nos reflexos.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta alternativa descreve com precisão o quadro do TDAH: inabilidade em manter atenção sustentada e hiperatividade, sem anormalidades motoras ou sensoriais específicas. O exame neurológico de uma criança com TDAH é normal — não há sinais focais, alterações de tônus, força, reflexos, coordenação ou sensibilidade. O diagnóstico é clínico, baseado na história e em escalas comportamentais, e não em achados do exame neurológico.