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Questão de Medicina — Neurologia — Avança SP 2025

MedicinaNeurologia
Código
qg413446
Banca
Avança SP
Órgão
Fundação de Saúde de Rio Claro - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Especialista Neuropediatra
Qual é o principal mecanismo fisiopatológico da Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) e como ele contribui para os sintomas da doença?
  1. ADegeneração das células da glia, resultando em desmielinização das fibras nervosas.
  2. BMorte progressiva dos neurônios motores superiores e inferiores, levando a fraqueza muscular, atrofia e espasticidade.
  3. CFormação de corpos de Lewy nos neurônios, que está associada à doença de Parkinson.
  4. DAcúmulo de substâncias tóxicas devido a alterações no metabolismo celular, levando à morte neuronal.
  5. EDisfunção das sinapses, causando perda de coordenação e dificuldades motoras.
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GabaritoB — Morte progressiva dos neurônios motores superiores e inferiores, levando a fraqueza muscular, atrofia e espasticidade.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Esclerose Lateral Amiotrófica: mecanismo fisiopatológico

Gabarito: letra B. A ELA é uma doença neurodegenerativa cujo principal mecanismo é a morte progressiva dos neurônios motores superiores (córtex motor) e inferiores (corno anterior da medula e núcleos do tronco encefálico), o que gera fraqueza muscular, atrofia e espasticidade — exatamente o que a alternativa B descreve. As demais alternativas confundem a ELA com outras condições neurológicas (desmielinização, doença de Parkinson, doenças metabólicas e disfunção sináptica).

A esclerose lateral amiotrófica (ELA) é uma doença do neurônio motor (DNM) e uma das principais doenças neurodegenerativas, ao lado das doenças de Parkinson e Alzheimer. O termo "esclerose lateral" refere-se ao endurecimento (gliose) das colunas laterais da medula espinhal, onde trafega o trato corticoespinhal (neurônio motor superior); "amiotrófica" refere-se à atrofia muscular decorrente da denervação (neurônio motor inferior). Trata-se de uma doença progressiva que envolve a degeneração do sistema motor em vários níveis: bulbar, cervical, torácico e lombar.

O quadro clínico reflete a perda de neurônios motores localizados no córtex (neurônios motores superiores — NMS) e nos núcleos do tronco encefálico ou corno anterior da medula cervical, torácica e lombossacra (neurônios motores inferiores — NMI). A degeneração dos NMS causa espasticidade, hiperreflexia e sinal de Babinski; a degeneração dos NMI causa fraqueza, atrofia muscular, fasciculações e cãibras. A combinação de sinais de NMS e NMI em múltiplas regiões (bulbar, cervical, torácica, lombar) é a marca da ELA.

Acredita-se que, por ocasião do primeiro sintoma, mais de 80% dos neurônios motores já tenham sido perdidos. Mais de 90% dos casos são esporádicos, e a maior parte dos casos familiares apresenta herança autossômica dominante, com vários genes e mutações já identificados (C9orf72, SOD1, TARDBP, FUS, entre outros). A sobrevida média é de 3 a 5 anos, e a maioria das mortes está relacionada à insuficiência dos músculos respiratórios e pneumonia por aspiração.

A banca explora a confusão entre a ELA e outras doenças neurodegenerativas. A alternativa A fala em desmielinização (típica da esclerose múltipla); a C menciona corpos de Lewy (doença de Parkinson); a D é genérica demais (acúmulo de substâncias tóxicas); e a E fala em disfunção das sinapses (mais associada a outras condições). A alternativa B é a única que descreve com precisão o mecanismo central da ELA.

ELA (doença do neurônio motor)
  • 1Neurônio motor superior (NMS)
    • Córtex motor / trato piramidal
    • Espasticidade, hiperreflexia, Babinski
  • 2Neurônio motor inferior (NMI)
    • Corno anterior / núcleos bulbares
    • Fraqueza, atrofia, fasciculações
  • 3Outras doenças neurodegenerativas (pegadinha)
    • Esclerose múltipla → desmielinização
    • Parkinson → corpos de Lewy
    • Ataxias → disfunção sináptica
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A degeneração das células da glia com desmielinização das fibras nervosas é o mecanismo da esclerose múltipla, não da ELA. Na ELA, o processo degenerativo atinge diretamente os neurônios motores, e não a bainha de mielina produzida pelos oligodendrócitos. A banca troca o alvo da degeneração: na ELA, o neurônio motor é o afetado; na esclerose múltipla, a mielina.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A morte progressiva dos neurônios motores superiores e inferiores é exatamente o mecanismo fisiopatológico da ELA. A degeneração dos NMS (córtex motor e trato piramidal) causa espasticidade e hiperreflexia; a degeneração dos NMI (corno anterior da medula e núcleos bulbares) causa fraqueza, atrofia e fasciculações. A combinação desses sinais em múltiplos níveis é o que define o quadro clínico da doença.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A formação de corpos de Lewy é característica da doença de Parkinson e das demências com corpos de Lewy, não da ELA. Na ELA, os achados histopatológicos incluem perda neuronal, gliose e, em alguns casos, inclusões citoplasmáticas positivas para TDP-43 — mas não corpos de Lewy. A banca troca o marcador patológico de outra doença neurodegenerativa.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A descrição é genérica e não corresponde ao mecanismo específico da ELA. Embora existam hipóteses sobre excitotoxicidade por glutamato e estresse oxidativo, o mecanismo central e bem estabelecido é a degeneração seletiva dos neurônios motores, não um acúmulo inespecífico de substâncias tóxicas. A alternativa falha ao não nomear o alvo celular (neurônio motor) e ao generalizar o processo.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A disfunção das sinapses causando perda de coordenação é mais compatível com doenças que afetam o cerebelo ou as vias de coordenação, como as ataxias. Na ELA, o problema não está na sinapse em si, mas na morte do próprio neurônio motor. A perda de coordenação (ataxia) não é um sintoma típico da ELA, que cursa com fraqueza, atrofia e espasticidade.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca o mecanismo da ELA pelo de outras doenças neurodegenerativas: desmielinização (esclerose múltipla), corpos de Lewy (Parkinson) e disfunção sináptica (ataxias). O candidato que memoriza apenas o nome "esclerose" pode confundir com esclerose múltipla, mas a palavra-chave é "amiotrófica" — atrofia muscular por denervação, que aponta diretamente para o neurônio motor.

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar as doenças neurodegenerativas na prova, associe o marcador patológico ao sintoma cardinal: ELA → neurônios motores (fraqueza + atrofia + espasticidade); Parkinson → corpos de Lewy na substância negra (tremor, rigidez, bradicinesia); Esclerose múltipla → desmielinização (sintomas multifocais com remissões e exacerbações).

Gabarito: letra B

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