Neurite vestibular e exames complementares
Gabarito: letra A. Na neurite vestibular, o exame mais indicado para avaliar a integridade das vias auditivas e vestibulares é o BERA (Potenciais Evocados Auditivos de Tronco Cerebral), que avalia a via auditiva até o tronco encefálico, auxiliando no diagnóstico diferencial. A alternativa A está correta porque descreve com precisão a função do BERA e sua aplicação na neurite vestibular.
A neurite vestibular é uma inflamação do nervo vestibular, geralmente de origem viral, que cursa com vertigem aguda e intensa, sem acometimento auditivo. O diagnóstico é essencialmente clínico, mas exames complementares ajudam a confirmar o comprometimento vestibular e a excluir outras causas, como as vestibulopatias centrais. O BERA é um exame objetivo que avalia a integridade funcional da via auditiva desde o nervo coclear até o tronco encefálico, sendo útil para afastar lesões retrococleares e para confirmar que a audição está preservada na neurite vestibular — o que a distingue da labirintite, que cursa com hipoacusia e zumbido.
Na prática, o BERA registra a atividade elétrica gerada ao longo da via auditiva em resposta a estímulos sonoros, gerando ondas que correspondem a diferentes estruturas: a onda I origina-se no nervo coclear, a onda III no complexo olivar superior e a onda V no colículo inferior. A análise das latências e amplitudes dessas ondas permite identificar alterações funcionais. Na neurite vestibular, o BERA costuma ser normal, pois a via auditiva está íntegra — o que reforça o diagnóstico de lesão vestibular periférica isolada. Por outro lado, alterações no BERA podem sugerir comprometimento retrococlear ou central, como neuroma do acústico ou esclerose múltipla.
A distinção entre neurite vestibular e labirintite é um ponto-chave: enquanto a neurite acomete apenas o ramo vestibular do VIII par craniano, a labirintite acomete também o ramo coclear, causando perda auditiva e zumbido. O BERA, ao avaliar a via auditiva, ajuda a diferenciar essas condições — na neurite, o exame é normal; na labirintite, pode haver alterações. Além disso, o BERA é particularmente útil em pacientes que não colaboram com a audiometria convencional, como crianças ou pacientes com nível de consciência rebaixado.
A banca explora a confusão entre os exames que avaliam a função vestibular (como a videonistagmografia e a eletronistagmografia) e aqueles que avaliam a via auditiva (como o BERA). A pegadinha está em associar o BERA à avaliação vestibular, quando na verdade ele avalia a via auditiva — mas é justamente essa avaliação que permite confirmar a integridade auditiva na neurite vestibular, tornando-o o exame mais indicado para avaliar "a integridade das vias auditivas e vestibulares" de forma objetiva.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa descreve corretamente o BERA: ele avalia a integridade da via auditiva até o tronco cerebral, e na neurite vestibular, ao confirmar que a audição está preservada, auxilia no diagnóstico diferencial. O BERA é um exame objetivo, não comportamental, que registra a atividade elétrica da via auditiva, sendo indicado quando se quer avaliar a integridade funcional dessa via — exatamente o que a questão pede.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A eletrococleografia (ECoG) avalia a atividade elétrica da cóclea e do nervo auditivo, sendo útil no diagnóstico da doença de Ménière e na avaliação da hidropsia endolinfática. Não mede a pressão intralabiríntica diretamente, e não é o exame indicado para avaliar a integridade das vias auditivas e vestibulares na neurite vestibular. O erro está em atribuir à ECoG uma função que ela não possui (medir pressão intralabiríntica) e em não ser o exame mais indicado para o caso.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A eletroneuronografia (ENoG) avalia a função do nervo facial, medindo a velocidade de condução e a amplitude da resposta muscular. É utilizada na paralisia facial periférica (como na paralisia de Bell) para prognóstico, e não tem relação com vertigem ou com a avaliação das vias auditivas e vestibulares. A alternativa confunde o nervo facial com o nervo vestibulococlear.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O estudo do nistagmo optocinético avalia o reflexo optocinético, que envolve vias centrais e periféricas, mas é utilizado para diferenciar lesões vestibulares centrais de periféricas, não sendo o exame mais indicado para avaliar a integridade das vias auditivas e vestibulares na neurite vestibular. A alternativa é imprecisa ao afirmar que avalia a função vestibular periférica de forma isolada.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A videonistagmografia (VNG) é um exame que registra os movimentos oculares e avalia a função vestibular, sendo útil na diferenciação entre vestibulopatias periféricas e centrais. No entanto, ela não avalia a via auditiva, e na neurite vestibular, o exame mais indicado para avaliar a integridade das vias auditivas e vestibulares é o BERA. A alternativa descreve corretamente a VNG, mas não responde ao que a questão pede.
Gabarito: letra A