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Questão de Medicina — Otorrinolaringologia — Avança SP 2025

MedicinaOtorrinolaringologia
Código
qg413463
Banca
Avança SP
Órgão
Fundação de Saúde de Rio Claro - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Especialista Otorrinolaringologista
Durante a ressecção de um meningioma da base do crânio que envolve o seio cavernoso, qual das seguintes modalidades de monitorização neurofisiológica intraoperatória seria mais crucial para a identificação precoce de lesões do nervo trigêmeo, permitindo ao cirurgião realizar ajustes na técnica cirúrgica e minimizar o risco de déficits sensitivos pós-operatórios?
  1. APotenciais evocados somatossensoriais (PESS).
  2. BEletromiografia (EMG) dos músculos da face.
  3. CMonitorização dos potenciais evocados auditivos de tronco encefálico (PEATC).
  4. DEstimulação cortical direta com eletrocorticografia (ECoG).
  5. EMonitorização da pressão intracraniana (PIC).
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GabaritoA — Potenciais evocados somatossensoriais (PESS).

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Monitorização neurofisiológica intraoperatória em cirurgia de base de crânio

Gabarito: letra A. Em cirurgias que envolvem o seio cavernoso, a monitorização mais crucial para identificar precocemente lesões do nervo trigêmeo (V par craniano) é a eletromiografia (EMG) dos músculos da face, pois o nervo trigêmeo é um nervo misto, com componente motor que inerva os músculos da mastigação, e a EMG detecta em tempo real a atividade elétrica muscular, alertando o cirurgião sobre manipulação ou lesão iminente do nervo. As demais modalidades monitoram outras vias neurais, não o trigêmeo diretamente.

A monitorização neurofisiológica intraoperatória (IONM) é um conjunto de técnicas que avaliam a integridade funcional de estruturas neurais durante procedimentos cirúrgicos, permitindo ao cirurgião ajustar a técnica e minimizar déficits pós-operatórios. Em cirurgias de base de crânio, especialmente aquelas que envolvem o seio cavernoso, estruturas nobres como nervos cranianos, tronco encefálico e córtex cerebral estão em risco. A escolha da modalidade de monitorização depende da estrutura neural que se deseja proteger.

O nervo trigêmeo (V par craniano) é um nervo misto: possui uma raiz sensitiva, que inerva a face, e uma raiz motora, que inerva os músculos da mastigação (masseter, temporal, pterigóideos). A eletromiografia (EMG) é a técnica que monitora a atividade elétrica dos músculos. Durante a cirurgia, eletrodos são colocados nos músculos inervados pelo nervo trigêmeo (ex.: masseter, temporal). Quando o cirurgião manipula ou lesa o nervo, ocorre uma descarga elétrica anormal (potenciais de ação) que é captada pela EMG, gerando um alerta imediato. Isso permite que o cirurgião interrompa a manipulação e ajuste a técnica, prevenindo déficits sensitivos e motores pós-operatórios.

As outras modalidades de monitorização têm indicações específicas para outras estruturas: os potenciais evocados somatossensoriais (PESS) monitoram a via sensitiva do sistema nervoso (coluna dorsal-lemnisco medial), sendo úteis para proteger o cordão espinhal e o córtex sensitivo, mas não o nervo trigêmeo especificamente. Os potenciais evocados auditivos de tronco encefálico (PEATC) monitoram a via auditiva (nervo vestibulococlear - VIII par), sendo cruciais em cirurgias do ângulo pontocerebelar, como na ressecção de schwannoma vestibular, mas não avaliam o trigêmeo. A estimulação cortical direta com eletrocorticografia (ECoG) é utilizada para mapear o córtex cerebral motor e sensitivo, sendo útil em cirurgias de tumores corticais, mas não monitora diretamente o nervo trigêmeo. A monitorização da pressão intracraniana (PIC) é uma ferramenta de monitorização fisiológica, não neurofisiológica, e não avalia a função de nervos cranianos.

A pegadinha desta questão está em associar a monitorização ao nervo trigêmeo. O candidato pode confundir a EMG com outras técnicas, mas a chave é lembrar que o trigêmeo tem componente motor, e a EMG é a única modalidade que avalia diretamente a função motora dos músculos por ele inervados. As demais opções monitoram outras vias neurais, que não estão diretamente relacionadas ao trigêmeo.

1Nervo trigêmeo (V par)
EMG dos músculos da face (masseter, temporal)
Detecta descargas anormais em tempo real
2Via sensitiva somática
PESS (coluna dorsal-lemnisco medial)
3Via auditiva (VIII par)
PEATC (ângulo pontocerebelar)
4Córtex cerebral
ECoG (mapeamento cortical)
5Fisiológica
PIC (pressão intracraniana)
Monitorização intraoperatória (IONM)
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Monitorização intraoperatória (IONM): Nervo trigêmeo (V par) (EMG dos músculos da face (masseter, temporal), Detecta descargas anormais em tempo real); Via sensitiva somática (PESS (coluna dorsal-lemnisco medial)); Via auditiva (VIII par) (PEATC (ângulo pontocerebelar)); Córtex cerebral (ECoG (mapeamento cortical)); Fisiológica (PIC (pressão intracraniana))

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A eletromiografia (EMG) dos músculos da face é a modalidade mais crucial para identificar precocemente lesões do nervo trigêmeo. O trigêmeo é um nervo misto, com componente motor que inerva os músculos da mastigação (masseter, temporal, pterigóideos). A EMG capta a atividade elétrica desses músculos em tempo real. Durante a cirurgia, qualquer manipulação ou lesão do nervo gera descargas elétricas anormais (potenciais de ação) que são detectadas pela EMG, alertando o cirurgião imediatamente. Isso permite ajustes na técnica cirúrgica, minimizando o risco de déficits sensitivos e motores pós-operatórios. A EMG é, portanto, a ferramenta padrão-ouro para monitorar a função do nervo trigêmeo durante procedimentos na base do crânio.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Os potenciais evocados somatossensoriais (PESS) monitoram a via sensitiva do sistema nervoso, especificamente a via coluna dorsal-lemnisco medial, que conduz informações de tato, propriocepção e vibração. Eles são úteis para proteger o cordão espinhal e o córtex sensitivo, mas não monitoram diretamente o nervo trigêmeo. O PESS avalia a integridade funcional das vias sensitivas somáticas, não a função motora ou sensitiva específica de um nervo craniano. Portanto, não é a modalidade mais crucial para identificar lesões do trigêmeo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A monitorização dos potenciais evocados auditivos de tronco encefálico (PEATC) avalia a via auditiva, desde o nervo vestibulococlear (VIII par craniano) até o tronco encefálico. É uma ferramenta essencial em cirurgias do ângulo pontocerebelar, como na ressecção de schwannoma vestibular, para preservar a audição. No entanto, não monitora o nervo trigêmeo. O PEATC é específico para a via auditiva, não para a função do V par craniano.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A estimulação cortical direta com eletrocorticografia (ECoG) é uma técnica de mapeamento cerebral utilizada para identificar áreas eloqüentes do córtex, como as áreas motoras e sensitivas primárias. É útil em cirurgias de tumores corticais ou epilepsia, para evitar lesões em áreas funcionais. No entanto, não monitora diretamente o nervo trigêmeo, que é uma estrutura de base de crânio, não cortical. A ECoG é uma ferramenta de mapeamento cortical, não de monitorização de nervos cranianos.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A monitorização da pressão intracraniana (PIC) é uma ferramenta de monitorização fisiológica, não neurofisiológica. Ela mede a pressão dentro do crânio e é utilizada no manejo de pacientes com traumatismo cranioencefálico grave, hidrocefalia ou edema cerebral. A PIC não avalia a função de nervos cranianos, como o trigêmeo. Portanto, não é a modalidade mais crucial para identificar lesões do nervo trigêmeo durante a cirurgia.

Gabarito: letra A

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