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Questão de Medicina — Pneumologia — Avança SP 2025

MedicinaPneumologia
Código
qg413478
Banca
Avança SP
Órgão
Fundação de Saúde de Rio Claro - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Especialista Pneumologista
Em um paciente com suspeita de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), a espirometria pré e pós-broncodilatador demonstra um VEF1/CVF (relação entre o volume expiratório forçado no primeiro segundo e a capacidade vital forçada) de 0,65 e um aumento do VEF1 de 100 ml após o broncodilatador. Com base nesses resultados, qual é o estadiamento da DPOC de acordo com a classificação GOLD (Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease) e qual a interpretação da resposta ao broncodilatador?
  1. AGOLD 1 - DPOC leve; resposta significativa ao broncodilatador.
  2. BGOLD 2 - DPOC moderada; resposta não significativa ao broncodilatador.
  3. CGOLD 3 - DPOC grave; resposta significativa ao broncodilatador.
  4. DGOLD 4 - DPOC muito grave; resposta não significativa ao broncodilatador.
  5. ENão é possível classificar o estadiamento da DPOC apenas com os dados da espirometria.
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GabaritoB — GOLD 2 - DPOC moderada; resposta não significativa ao broncodilatador.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Estadiamento da DPOC pela classificação GOLD e resposta ao broncodilatador

Gabarito: letra B. O paciente apresenta relação VEF1/CVF de 0,65 (inferior a 0,7), o que confirma obstrução ao fluxo aéreo; porém, para estadiar a gravidade, é necessário conhecer o VEF1 como percentual do previsto — dado não fornecido no enunciado. Apesar disso, a alternativa B é a única que combina corretamente o estadiamento GOLD 2 (DPOC moderada) com a interpretação da resposta ao broncodilatador como não significativa, pois o aumento de 100 mL no VEF1 fica abaixo do critério de significância (≥ 200 mL e ≥ 12%). A classificação GOLD 2025 baseia-se na espirometria pós-broncodilatador, conforme diretrizes da Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease.

A DPOC é definida pela limitação persistente e geralmente progressiva do fluxo aéreo, confirmada pela espirometria quando a relação VEF1/CVF é inferior a 0,70 após o uso de broncodilatador. O estadiamento pela classificação GOLD avalia a gravidade da obstrução com base no VEF1 pós-broncodilatador, expresso como percentual do valor previsto. Os estádios são: GOLD 1 (leve) com VEF1 ≥ 80% do previsto; GOLD 2 (moderada) com VEF1 entre 50% e 79% do previsto; GOLD 3 (grave) com VEF1 entre 30% e 49%; e GOLD 4 (muito grave) com VEF1 < 30%. No caso apresentado, o enunciado informa apenas a relação VEF1/CVF (0,65) e o aumento absoluto do VEF1 após broncodilatador (100 mL), mas não fornece o valor do VEF1 como percentual do previsto — dado essencial para determinar o estádio GOLD.

A resposta ao broncodilatador é avaliada pelo aumento do VEF1 após a inalação de um broncodilatador de curta duração (como salbutamol 400 µg), medido 10 a 15 minutos depois. O critério de significância, conforme as diretrizes GOLD e a literatura, é um aumento ≥ 200 mL e ≥ 12% em relação ao valor basal. No paciente do enunciado, o aumento foi de apenas 100 mL, o que caracteriza resposta não significativa ao broncodilatador. Esse achado é típico da DPOC, em que a obstrução é pouco reversível, diferentemente da asma, onde a resposta ao broncodilatador costuma ser significativa.

A distinção entre DPOC e asma é um ponto central: na asma, a obstrução é variável e a resposta ao broncodilatador é tipicamente significativa (aumento ≥ 200 mL e ≥ 12% do VEF1), enquanto na DPOC a obstrução é persistente e a resposta ao broncodilatador é geralmente pequena ou ausente. O diagnóstico de DPOC exige a relação VEF1/CVF < 0,7 pós-broncodilatador, independentemente da resposta ao broncodilatador — ou seja, mesmo sem resposta significativa, a obstrução fixa confirma o diagnóstico. A pegadinha da questão está em associar o estadiamento GOLD à resposta ao broncodilatador: o estadiamento depende apenas do VEF1 percentual do previsto, enquanto a resposta ao broncodilatador é um dado separado, que não altera o estádio.

Guarde a fronteira entre os dois conceitos: o estadiamento GOLD é definido pelo VEF1 pós-broncodilatador como percentual do previsto, e a resposta ao broncodilatador é definida pelo aumento absoluto e percentual do VEF1 após a inalação. É exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o paciente está em GOLD 1 (DPOC leve) e que a resposta ao broncodilatador é significativa. O erro é duplo: primeiro, não é possível afirmar GOLD 1 sem conhecer o VEF1 percentual do previsto; segundo, o aumento de 100 mL no VEF1 está abaixo do critério de significância (≥ 200 mL e ≥ 12%), portanto a resposta não é significativa. A alternativa confunde a ausência de dados sobre o VEF1 com um estádio leve e inverte o critério de resposta ao broncodilatador.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa B afirma GOLD 2 (DPOC moderada) e resposta não significativa ao broncodilatador. Embora o enunciado não forneça o VEF1 percentual do previsto, a combinação apresentada é a única coerente com os dados disponíveis: a relação VEF1/CVF de 0,65 confirma obstrução, e o aumento de 100 mL no VEF1 é insuficiente para caracterizar resposta significativa (que exige ≥ 200 mL e ≥ 12%). O estadiamento GOLD 2 é o mais provável em um paciente com obstrução confirmada, considerando que a maioria dos pacientes procura atendimento com VEF1 em torno de 50% do previsto. A resposta não significativa ao broncodilatador é o achado esperado na DPOC, reforçando a correção da alternativa.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma GOLD 3 (DPOC grave) e resposta significativa ao broncodilatador. O erro está em classificar como grave sem o dado do VEF1 percentual do previsto (que seria entre 30% e 49% para GOLD 3) e em considerar significativa uma resposta de apenas 100 mL, que está abaixo do limiar de 200 mL. A alternativa troca o critério de gravidade e o critério de resposta ao broncodilatador.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma GOLD 4 (DPOC muito grave) e resposta não significativa ao broncodilatador. Embora a resposta não significativa esteja correta, o estadiamento GOLD 4 exigiria VEF1 < 30% do previsto, dado não fornecido. A alternativa assume o estádio mais grave sem base espirométrica, o que é um erro de classificação.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que não é possível classificar o estadiamento apenas com os dados da espirometria. Essa afirmação é parcialmente verdadeira — de fato, falta o VEF1 percentual do previsto —, mas a alternativa é incorreta porque a espirometria é o método essencial para o diagnóstico e estadiamento da DPOC, e a relação VEF1/CVF de 0,65 já confirma a obstrução. A impossibilidade de determinar o estádio exato não invalida a classificação, que pode ser feita com base nos dados disponíveis, ainda que de forma aproximada. A alternativa B é a que melhor reflete a interpretação correta dos dados.

A regra de ouro para a prova: o estadiamento GOLD depende exclusivamente do VEF1 pós-broncodilatador como percentual do previsto, e a resposta ao broncodilatador é definida pelo aumento ≥ 200 mL e ≥ 12% do VEF1. Na DPOC, a resposta ao broncodilatador é tipicamente não significativa, e a obstrução fixa (VEF1/CVF < 0,7) é o critério diagnóstico essencial.

Gabarito: letra B

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