Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — Avança SP 2025
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
qg413520
Banca
Avança SP
Órgão
Fundação de Saúde de Rio Claro - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Plantonista Pediatra
Qual é uma característica clínica distintiva da comunicação interventricular (CIV) em crianças e como essa condição se manifesta?
ACianose central, que indica um shunt da direita para a esquerda e presença de oxigenação inadequada.
BSopros cardíacos sistólicos, frequentemente descritos como "galope", que são indicativos de sobrecarga de volume nos ventrículos.
CHipertensão arterial, que é comum em crianças saudáveis e não está relacionada a anomalias cardíacas.
DDiminuição da frequência respiratória, que sugere congestão pulmonar leve.
ECrescimento acelerado, que é típico em crianças com insuficiência cardíaca.
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GabaritoB — Sopros cardíacos sistólicos, frequentemente descritos como "galope", que são indicativos de sobrecarga de volume nos ventrículos.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Comunicação interventricular (CIV) em crianças: características clínicas
Gabarito: letra B. A CIV é a cardiopatia congênita mais frequente e sua característica clínica distintiva é o sopro sistólico (holossistólico, rude, na borda esternal esquerda baixa), que reflete o shunt esquerda→direita e a sobrecarga de volume ventricular. As demais alternativas descrevem achados de outras condições ou invertem a fisiologia.
A comunicação interventricular (CIV) é um defeito do septo que separa os ventrículos, permitindo a passagem de sangue do ventrículo esquerdo (maior pressão) para o direito durante a sístole. Esse shunt esquerda→direita gera hiperfluxo pulmonar e sobrecarga de volume nas câmaras esquerdas. A apresentação clínica depende do tamanho do defeito e da resistência vascular pulmonar: CIVs pequenas são frequentemente assintomáticas, com sopro como único achado; CIVs grandes podem levar a insuficiência cardíaca congestiva na infância, com taquipneia, taquicardia, dificuldade alimentar e baixo ganho de peso. A cianose não é característica da CIV isolada — ela aparece apenas quando há hipertensão pulmonar grave com reversão do shunt (síndrome de Eisenmenger), situação tardia. O sopro da CIV é descrito como holossistólico, rude, de intensidade variável, localizado no 4º-5º espaço intercostal esquerdo junto ao esterno, frequentemente acompanhado de frêmito. A alternativa B menciona "galope", que é um ritmo de três tempos (B3) associado à sobrecarga de volume — e
A CIV é o defeito cardíaco congênito mais comum, representando cerca de 20-30% de todas as cardiopatias congênitas. O defeito pode ocorrer em diferentes porções do septo interventricular, sendo a região membranosa a mais frequente. A fisiopatologia central é o shunt esquerda→direita: durante a sístole, o sangue do ventrículo esquerdo (que tem pressão mais alta) passa para o ventrículo direito, aumentando o fluxo sanguíneo pulmonar. Esse hiperfluxo pulmonar é responsável pela maioria das manifestações clínicas. Em defeitos pequenos (restritivos), o shunt é limitado e a pressão pulmonar permanece normal — o paciente costuma ser assintomático, com sopro como único achado. Em defeitos moderados, há aumento do retorno venoso ao átrio esquerdo, elevando sua pressão e causando hipertensão venocapilar pulmonar. Em defeitos grandes (não restritivos), as pressões sistólicas do ventrículo esquerdo são transmitidas à circulação pulmonar, podendo causar doença vascular pulmonar obstrutiva irreversível precocemente. Se a resistência vascular pulmonar exceder a sistêmica, o shunt reverte para direita→esquerda, caracterizando a síndrome de Eisenmenger, com cianose central e eritrocitose secundária.
O exame físico é a chave do diagnóstico clínico. Na palpação, encontra-se impulsão ventricular direita e esquerda simultânea, hipercinética, com frêmito sistólico mais intenso na região mesocardíaca. Na ausculta, o achado clássico é o sopro holossistólico (proto/meso/tele), rude e granuloso, de intensidade ++ a ++++, localizado no 4º-5º espaço intercostal esquerdo junto ao esterno, com irradiação para o hemitórax direito. Pode haver hiperfonese da segunda bulha no foco pulmonar, indicando hipertensão arterial pulmonar. Em CIVs grandes, pode-se auscultar um sopro mesodiastólico no foco mitral, devido ao hiperfluxo pela valva mitral, precedendo uma terceira bulha (B3) — este é o "galope" que a alternativa B menciona, mas que não é a característica distintiva da CIV, e sim um achado de sobrecarga de volume importante.
A alternativa B está correta porque descreve o sopro sistólico como característica clínica distintiva da CIV, ainda que mencione "galope" de forma imprecisa. O sopro sistólico é o achado mais consistente e precoce da CIV, presente mesmo em defeitos pequenos. O "galope" (ritmo de três tempos com B3) é um achado associado à sobrecarga de volume ventricular, mas não é específico da CIV — pode ocorrer em outras condições com hiperfluxo pulmonar, como CIA e PCA. A banca provavelmente incluiu "galope" para testar se o candidato sabe que o sopro é o achado principal, e que o galope é um achado secundário.
A alternativa A está incorreta porque a cianose central não é característica da CIV isolada. A cianose central indica shunt direita→esquerda, que ocorre apenas na síndrome de Eisenmenger, uma complicação tardia de CIVs grandes não corrigidas. Na CIV não complicada, o shunt é esquerda→direita, e a oxigenação está preservada. A cianose central é típica de cardiopatias cianóticas como tetralogia de Fallot, atresia tricúspide e transposição das grandes artérias.
A alternativa C está incorreta porque hipertensão arterial não é comum em crianças saudáveis e não é uma característica da CIV. A hipertensão arterial em crianças tem prevalência de 0,8 a 9%, e não está relacionada a anomalias cardíacas como a CIV. Na CIV, o que pode ocorrer é hipertensão arterial pulmonar, não hipertensão sistêmica.
A alternativa D está incorreta porque a CIV causa aumento da frequência respiratória (taquipneia), não diminuição. A taquipneia é uma manifestação de congestão pulmonar, que ocorre em CIVs moderadas a grandes devido ao hiperfluxo pulmonar. A diminuição da frequência respiratória não é um achado de congestão pulmonar leve.
A alternativa E está incorreta porque crianças com CIV e insuficiência cardíaca congestiva apresentam baixo ganho de peso, não crescimento acelerado. A insuficiência cardíaca em crianças causa dificuldade alimentar, sudorese excessiva durante as mamadas e baixo ganho de peso, devido ao aumento do trabalho respiratório e ao hipermetabolismo.
CIV (comunicação interventricular)
1Fisiopatologia
Shunt esquerda → direita
Hiperfluxo pulmonar
Sobrecarga de volume
2Achado clínico principal
Sopro holossistólico rude
Borda esternal esquerda baixa
3Achados secundários
Taquipneia
Dificuldade alimentar
Baixo ganho de peso
4Complicação tardia
Síndrome de Eisenmenger
Cianose central
Reversão do shunt
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NÃO CAIA NESSA!
A banca troca o achado principal (sopro sistólico) por achados secundários ou de outras condições. O candidato que confunde CIV com cardiopatia cianótica marca a alternativa A (cianose), mas a CIV isolada é acianótica. A cianose só aparece na síndrome de Eisenmenger, que é uma complicação tardia. Fique atento: sopro sistólico + shunt esquerda→direita = CIV.
PEGA ESSA DICA!
Para diferenciar as cardiopatias congênitas, foque no tipo de shunt e no achado auscultatório principal. CIV: sopro holossistólico rude na borda esternal esquerda baixa. CIA: desdobramento fixo da segunda bulha. PCA: sopro contínuo em maquinaria. Tetralogia de Fallot: cianose + sopro sistólico. Memorize essas associações e resolva questões de ausculta com segurança.