Questão de Medicina — Alergia e Imunologia — Avança SP 2025
- Código
- qg414843
- Banca
- Avança SP
- Órgão
- Prefeitura de Caconde - SP
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Biomédico
- ANeutrófilos
- BEosinófilos
- CLinfócitos T CD4+
- DLinfócitos T CD8+
- ELinfócitos B
GabaritoC — Linfócitos T CD4+
Gabarito: letra C. O HIV destrói progressivamente os linfócitos T CD4+, células centrais da imunidade adaptativa, cuja depleção é a marca registrada da AIDS. Essa é a base fisiopatológica da doença: a queda da contagem de linfócitos T CD4+ leva à imunodeficiência e às infecções oportunistas.
O HIV é um retrovírus que infecta preferencialmente células que expressam o receptor CD4 na superfície, sendo os linfócitos T CD4+ (também chamados de linfócitos T auxiliares ou helper) o principal alvo. A destruição dessas células é o evento central da patogênese da AIDS. A infecção aguda causa destruição maciça de linfócitos T no tecido linfoide, e, após uma resposta imune inicial que recupera parcialmente a contagem, inicia-se uma destruição lenta e contínua da população de linfócitos T CD4+, com perda final da reatividade antigênica. Essa depleção progressiva é o que define a progressão da doença: quando a contagem cai abaixo de 200 células/mm³, o paciente entra no estágio de AIDS, com alto risco de infecções oportunistas e neoplasias.
A razão pela qual o HIV escolhe o linfócito T CD4+ é a afinidade da glicoproteína viral gp120 pelo receptor CD4 e pelos co-receptores (CCR5 e CXCR4). Ao se ligar, o vírus funde seu envelope com a membrana celular e injeta seu material genético, sequestrando a maquinaria da célula para se replicar. A célula infectada acaba morrendo, seja por efeito citopático direto do vírus, seja pela ação do sistema imunológico (linfócitos T CD8+ citotóxicos) que elimina as células infectadas. Além disso, a ativação imune crônica e a destruição da arquitetura do tecido linfático contribuem para a exaustão e morte dos linfócitos T CD4+.
Na prática, o monitoramento da doença é feito justamente pela contagem de linfócitos T CD4+ no sangue periférico. Valores abaixo de 200 células/mm³ definem o diagnóstico de AIDS e indicam a necessidade de profilaxia para infecções oportunistas. A terapia antirretroviral (TARV) atua interrompendo a replicação viral, o que permite a recuperação parcial da contagem de linfócitos T CD4+ e a reconstituição imune.
A distinção crucial é entre os tipos de linfócitos: os linfócitos T CD4+ (auxiliares) são o alvo do HIV; os linfócitos T CD8+ (citotóxicos) são as células que combatem o vírus, mas que também acabam disfuncionais pela falta de ajuda dos CD4+; e os linfócitos B são responsáveis pela produção de anticorpos, mas sua função também é comprometida indiretamente pela depleção dos CD4+. Neutrófilos e eosinófilos são células da imunidade inata e não são o alvo primário do HIV.
A pegadinha desta questão é justamente a confusão entre os tipos de linfócitos: o candidato pode lembrar que o HIV afeta a imunidade celular e marcar linfócitos T CD8+, que são as células que tentam combater o vírus, mas não são as destruídas. O critério decisivo é lembrar que o HIV usa o receptor CD4 para entrar na célula, e por isso destrói exatamente as células que expressam esse receptor: os linfócitos T CD4+.
Os neutrófilos são células da imunidade inata, responsáveis pela fagocitose de bactérias e fungos. Eles não expressam o receptor CD4 e não são o alvo do HIV. A depleção de neutrófilos (neutropenia) pode ocorrer como efeito colateral de medicamentos ou em outras condições, mas não é a consequência principal da infecção pelo HIV.
Os eosinófilos são granulócitos envolvidos na defesa contra parasitas e nas reações alérgicas. Não expressam CD4 e não são destruídos pelo HIV. A eosinofilia pode até ocorrer em algumas infecções oportunistas, mas não é o leucócito progressivamente destruído pelo vírus.
Os linfócitos T CD4+ são as células que expressam o receptor CD4, utilizado pelo HIV para entrar na célula. A destruição progressiva dessas células é a marca registrada da infecção pelo HIV e a causa da imunodeficiência. A contagem de linfócitos T CD4+ é o principal marcador laboratorial para acompanhar a progressão da doença e a resposta ao tratamento.
Os linfócitos T CD8+ (citotóxicos) são as células que combatem o HIV, reconhecendo e destruindo as células infectadas. Embora sua função seja comprometida na AIDS (devido à falta de ajuda dos CD4+), eles não são o alvo primário do vírus. Na verdade, na infecção pelo HIV, ocorre um aumento relativo dos linfócitos T CD8+, com inversão da razão CD4:CD8.
Os linfócitos B são responsáveis pela produção de anticorpos (imunidade humoral). Embora sua função seja indiretamente comprometida na AIDS (a falha dos linfócitos T CD4+ prejudica a ativação dos linfócitos B), eles não são destruídos diretamente pelo HIV. A hipergamaglobulinemia (aumento de anticorpos) é comum na infecção pelo HIV, refletindo a ativação policlonal dos linfócitos B.
A regra de ouro para esta questão: o HIV destrói as células que expressam o receptor CD4, ou seja, os linfócitos T CD4+. Essa é a base da imunodeficiência na AIDS e o motivo pelo qual a contagem de CD4+ é o marcador central da doença.
Gabarito: letra C
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