Questão de Medicina — Neurologia — Avança SP 2025
- Código
- qg414848
- Banca
- Avança SP
- Órgão
- Prefeitura de Caconde - SP
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Biomédico
- ASangue Total
- BUrina
- CSoro
- DFezes
- ELíquor
GabaritoE — Líquor
Gabarito: letra E (Líquor). O diagnóstico de meningite é confirmado pela análise do líquido cefalorraquidiano (LCR), obtido por punção lombar — é nele que se observam as alterações características (pleocitose, hipoglicorraquia, hiperproteinorraquia) e se pesquisa o agente etiológico. As demais opções (sangue, urina, soro, fezes) não são o espécime de escolha para a confirmação diagnóstica dessa doença.
A meningite é a inflamação das leptomeninges que recobrem o cérebro e a medula espinal. O diagnóstico definitivo depende da análise do LCR, que banha essas estruturas e reflete diretamente o processo inflamatório em curso. A punção lombar é o procedimento que coleta esse material, e é considerada essencial para confirmar o diagnóstico, conforme destacado no material de apoio: "A análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) por meio da punção lombar é essencial para confirmar o diagnóstico de meningite."
O LCR normal é límpido e incolor ("água de rocha"). Na meningite, suas características se alteram conforme o agente etiológico:
Característica | Bacteriana | Tuberculosa | Viral | Valor de referência |
|---|---|---|---|---|
Aspecto | Turvo | Límpido/opalescente | Límpido | Límpido |
Cor | Branco-leitosa | Incolor/xantocrômica | Incolor | Incolor |
Glicose | Diminuída | Diminuída | Normal | 45–100 mg/dL |
Proteínas totais | Aumentadas | Aumentadas | Discretamente aumentadas | 15–50 mg/dL |
Leucócitos | 200 a milhares/mm³ (neutrófilos) | 25–500/mm³ (linfócitos) | 5–500/mm³ (linfócitos) | 0–5/mm³ |
Além da análise química e citológica, o LCR permite a pesquisa direta do agente por bacterioscopia (coloração de Gram), cultura, testes de antígenos e biologia molecular (PCR). Por exemplo, na meningite criptocócica, recomenda-se a pesquisa do antígeno criptocócico no líquor por ensaio de fluxo lateral ou aglutinação com látex, e a tinta da China também confirma a doença em amostra de LCR.
A banca explora aqui um conhecimento básico de semiologia e propedêutica: o espécime que "fala" sobre o sistema nervoso central é o líquor. Sangue, soro e urina podem auxiliar em exames complementares ou na identificação de agentes em outras situações, mas não são o padrão para confirmar meningite. As fezes não têm qualquer relação com o diagnóstico dessa condição.
A banca pode tentar confundir o candidato com a alternativa "Sangue Total" ou "Soro", já que hemoculturas podem ser úteis em alguns casos de meningite bacteriana. No entanto, a confirmação diagnóstica exige a análise do LCR — a hemocultura é um exame auxiliar, não o espécime de escolha para confirmar a doença.
O sangue total pode ser utilizado para hemocultura, que auxilia na identificação do agente etiológico em alguns casos de meningite bacteriana, mas não é o espécime de escolha para a confirmação diagnóstica. O padrão-ouro é a análise do LCR.
A urina não tem relação com o diagnóstico de meningite. É utilizada para investigação de infecções do trato urinário, função renal, entre outros, mas não para confirmar inflamação meníngea.
O soro pode ser usado para testes sorológicos (detecção de anticorpos ou antígenos) em algumas infecções, mas não é o espécime definitivo para meningite. A confirmação exige a análise do LCR.
As fezes são utilizadas para diagnóstico de parasitoses intestinais, infecções gastrointestinais e pesquisa de sangue oculto, não tendo qualquer aplicação no diagnóstico de meningite.
O líquor (líquido cefalorraquidiano), obtido por punção lombar, é o espécime clínico utilizado para avaliação e confirmação diagnóstica de meningite. A análise do LCR revela as alterações características (pleocitose, hipoglicorraquia, hiperproteinorraquia) e permite a pesquisa do agente etiológico, sendo essencial para o diagnóstico.
Gabarito: letra E
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