Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — Avança SP 2025
Medicina›Doenças Infecto-Parasitárias
Código
qg415232
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Caconde - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Clínico Geral
Considerando as manifestações clínicas e a fisiopatologia da hanseníase, identifique a característica imunopatológica que define a reação hansênica tipo 2 (Eritema Nodosum Leprosum) em pacientes multibacilares:
APredomínio de granulomas tuberculoides com formação de células epitelioides e gigantes.
BDeposição de imunocomplexos e infiltrado neutrofílico nos tecidos afetados.
CPredominância de resposta mediada por células T com secreção elevada de interferongama.
DInfiltrado linfocitário denso associado à formação de necrose caseosa.
EAtivação macrofágica intensa com desenvolvimento de nódulos linfáticos reativos.
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GabaritoB — Deposição de imunocomplexos e infiltrado neutrofílico nos tecidos afetados.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Reação hansênica tipo 2 (Eritema Nodoso Leproso): imunopatologia
Gabarito: letra B. A reação hansênica tipo 2, também chamada de Eritema Nodoso Leproso (ENL), é uma reação de hipersensibilidade do tipo III (mediada por imunocomplexos), caracterizada pela deposição de imunocomplexos nos tecidos e infiltrado neutrofílico — exatamente o que descreve a alternativa B. Essa reação ocorre em pacientes multibacilares (forma virchowiana), que apresentam alta carga bacilar e resposta imune predominantemente humoral (Th2), com produção de anticorpos que formam imunocomplexos circulantes.
A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, um bacilo álcool-ácido-resistente, de multiplicação lenta e não cultivável in vitro. A doença apresenta um espectro clínico-imunológico que vai do polo tuberculoide (paucibacilar) ao polo virchowiano (multibacilar), dependendo da resposta imune do hospedeiro. No polo tuberculoide, predomina a resposta imune celular (Th1), com produção de IFN-γ, ativação de macrófagos M1 e formação de granulomas com células epitelioides — o que confere boa resistência ao bacilo e poucas lesões. No polo virchowiano, predomina a resposta humoral (Th2), com produção de anticorpos que não são eficazes contra o bacilo intracelular, permitindo a proliferação bacteriana e a formação de lesões difusas com macrófagos vacuolados (células de Virchow).
As reações hansênicas são episódios inflamatórios agudos que ocorrem durante a evolução da doença, podendo surgir antes, durante ou após o tratamento. Existem dois tipos principais: a reação tipo 1 (reação reversa), que é uma hipersensibilidade do tipo IV (celular), mediada por linfócitos T, e a reação tipo 2 (ENL), que é uma hipersensibilidade do tipo III (humoral), mediada por imunocomplexos. A reação tipo 2 ocorre quase exclusivamente em pacientes multibacilares, especialmente na forma virchowiana, e se manifesta com nódulos eritematosos dolorosos, febre, artralgia, neurite e, em casos graves, pode acometer outros órgãos.
A fisiopatologia da reação tipo 2 envolve a formação de imunocomplexos circulantes (antígenos do M. leprae + anticorpos IgG), que se depositam nos tecidos, especialmente na pele, e ativam o sistema complemento, recrutando neutrófilos para o local. Esse processo leva à inflamação aguda, com infiltrado neutrofílico, vasculite e necrose tecidual. Por isso, a característica imunopatológica que define a reação tipo 2 é a deposição de imunocomplexos e o infiltrado neutrofílico, como descrito na alternativa B.
A alternativa A descreve o granuloma tuberculoide, típico do polo tuberculoide (paucibacilar), não da reação tipo 2. A alternativa C descreve a resposta Th1, característica da reação tipo 1 (reação reversa), não da tipo 2. A alternativa D descreve infiltrado linfocitário denso com necrose caseosa, que é mais característico da tuberculose, não da hanseníase. A alternativa E descreve ativação macrofágica intensa com nódulos linfáticos reativos, que não é a marca da reação tipo 2.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca as características das reações hansênicas: a reação tipo 1 (reação reversa) é mediada por células T (Th1) com IFN-γ, enquanto a tipo 2 (ENL) é mediada por imunocomplexos com neutrófilos. O candidato que confunde os dois tipos erra a questão. Lembre-se: tipo 1 = celular (Th1), tipo 2 = humoral (imunocomplexos).
Reação hansênica tipo 2 (ENL): Hipersensibilidade tipo III (Deposição de imunocomplexos, Infiltrado neutrofílico); Pacientes multibacilares (Forma virchowiana, Resposta Th2 (humoral)); Manifestações (Nódulos eritematosos dolorosos, Febre, artralgia, neurite)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Descreve o granuloma tuberculoide com células epitelioides e gigantes, que é a característica do polo tuberculoide (paucibacilar) da hanseníase, não da reação tipo 2. Na reação tipo 2, o infiltrado é predominantemente neutrofílico, não granulomatoso com células epitelioides.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A reação tipo 2 (ENL) é uma hipersensibilidade do tipo III, mediada por imunocomplexos. A deposição de imunocomplexos nos tecidos ativa o complemento e recruta neutrófilos, resultando em infiltrado neutrofílico e inflamação aguda. Essa é a característica imunopatológica que define a reação tipo 2 em pacientes multibacilares.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Descreve a resposta imune celular (Th1) com secreção elevada de IFN-γ, que é característica da reação tipo 1 (reação reversa), não da tipo 2. A reação tipo 2 é mediada por imunocomplexos (humoral), não por células T.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Infiltrado linfocitário denso com necrose caseosa é mais típico da tuberculose, não da hanseníase. Na hanseníase, a necrose caseosa não é uma característica comum, e a reação tipo 2 apresenta infiltrado neutrofílico, não linfocitário denso.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Ativação macrofágica intensa com nódulos linfáticos reativos não é a característica definidora da reação tipo 2. Embora haja ativação macrofágica na hanseníase, a reação tipo 2 é marcada pela deposição de imunocomplexos e infiltrado neutrofílico, não por nódulos linfáticos reativos.