Questão de Medicina — Alergia e Imunologia — Avança SP 2025
Medicina›Alergia e Imunologia
Código
qg415240
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Caconde - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Coordenador Clínico
O edema angioneurótico (EAN) é uma condição caracterizada por episódios recorrentes de edema subcutâneo ou submucoso, que podem afetar diversas partes do corpo, incluindo vias aéreas superiores. No diagnóstico diferencial entre EAN hereditário (EAH) e adquirido, é correto afirmar que:
ANíveis normais de C4 durante uma crise de EAN excluem o diagnóstico de EAH, apontando para uma causa adquirida, como reação alérgica mediada por IgE.
BA dosagem da atividade do C1-inibidor (C1- INH) é o teste inicial mais importante; níveis baixos confirmam EAH tipo I, enquanto níveis normais indicam EAH tipo II.
CA presença de anticorpos anti-C1-INH é característica do EAH tipo III, uma forma rara da doença que afeta principalmente mulheres e está associada a níveis normais de C1q.
DNo EAH tipo I, a dosagem quantitativa de C1-INH está baixa, enquanto no EAH tipo II, a dosagem funcional de C1-INH é que se encontra reduzida, apesar de níveis quantitativos normais ou elevados.
ENíveis baixos de C1q são encontrados em todas as formas de EAH, sendo um marcador sensível, mas pouco específico para a diferenciação entre os tipos hereditários e adquiridos.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoD — No EAH tipo I, a dosagem quantitativa de C1-INH está baixa, enquanto no EAH tipo II, a dosagem funcional de C1-INH é que se encontra reduzida, apesar de níveis quantitativos normais ou elevados.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Angioedema hereditário: tipos e diagnóstico laboratorial
Gabarito: letra D. No EAH tipo I há deficiência quantitativa do C1-INH (níveis baixos), enquanto no tipo II o defeito é funcional — a proteína está presente em quantidade normal ou elevada, mas com atividade reduzida. Essa distinção entre dosagem quantitativa e funcional é o eixo da questão e está corretamente descrita na alternativa D.
O angioedema hereditário (EAH) é uma imunodeficiência primária do sistema complemento, de herança autossômica dominante, causada por mutações no gene SERPING1, que codifica o inibidor da C1-esterase (C1-INH). O C1-INH é uma proteína que inibe a calicreína, a bradicinina e outras serases plasmáticas; quando deficiente, há aumento de bradicinina, um peptídeo vasoativo que aumenta a permeabilidade vascular e gera edema submucoso/subcutâneo, sem urticária. Clinicamente, manifesta-se por episódios recorrentes de edema não pruriginoso, não doloroso e não eritematoso, podendo acometer vias aéreas superiores (risco de asfixia) e trato gastrointestinal (cólicas que simulam abdome agudo).
O diagnóstico laboratorial baseia-se na dosagem de C4, do C1-INH quantitativo e do C1-INH funcional. O C4 costuma estar baixo durante as crises (e frequentemente também entre elas), pois é consumido na ativação da via clássica do complemento. A dosagem do C1-INH funcional é o teste mais sensível e específico, sendo essencial para diferenciar os tipos I e II. No tipo I (80–85% dos casos), há redução quantitativa do C1-INH (níveis < 40% do normal). No tipo II (15–20%), o C1-INH está quantitativamente normal ou elevado, mas funcionalmente deficiente (atividade < 50%). Existe ainda o EAH tipo III, sem deficiência de C1-INH, associado a mutações no fator XII (gene F12) ou idiopático, que afeta principalmente mulheres e cursa com níveis normais de C1-INH e C1q.
O angioedema adquirido (AEA) diferencia-se do hereditário por não ter causa genética: ocorre por consumo de C1-INH (associado a doenças linfoproliferativas ou autoimunes) ou por anticorpos anti-C1-INH. No AEA, os níveis de C1q estão tipicamente baixos, enquanto no EAH o C1q é normal — esse é um marcador importante para a distinção. A alternativa C erra ao atribuir anticorpos anti-C1-INH ao EAH tipo III; esses anticorpos são característicos do AEA, não do EAH.
A pegadinha central da questão é a inversão entre os tipos I e II: muitos candidatos confundem qual dosagem está alterada em cada tipo. A regra de ouro é: tipo I = defeito quantitativo (C1-INH baixo); tipo II = defeito funcional (C1-INH normal/elevado, mas atividade baixa). Guarde essa distinção — é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Tipo de EAH
Dosagem quantitativa de C1-INH
Dosagem funcional de C1-INH
C1q
Tipo I
Baixa
Reduzida (por deficiência quantitativa)
Normal
Tipo II
Normal ou elevada
Reduzida (defeito funcional)
Normal
Tipo III
Normal
Normal
Normal
Adquirido (AEA)
Baixa (consumo) ou normal
Reduzida
Baixo (marcador diferencial)
Angioedema hereditário (EAH): Tipo I (80-85%) (C1-INH quantitativo baixo, C1q normal); Tipo II (15-20%) (C1-INH quantitativo normal/elevado, C1-INH funcional reduzido, C1q normal); Tipo III (sem deficiência) (C1-INH normal, Mutação fator XII, Predomínio em mulheres); Angioedema adquirido (AEA) (Anticorpos anti-C1-INH, C1q baixo, Doença linfoproliferativa/autoimune)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que níveis normais de C4 durante uma crise excluem EAH. Isso é falso: o C4 pode estar normal em até 50% dos pacientes com EAH entre as crises, e mesmo durante crises pode haver variação. O C4 baixo é um bom teste de triagem, mas C4 normal não exclui o diagnóstico. Além disso, a alternativa sugere que C4 normal aponta para causa alérgica mediada por IgE — o que é uma simplificação incorreta, pois o EAH não é mediado por IgE e o C4 não é o marcador para diferenciar alergia.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Diz que a dosagem da atividade do C1-INH é o teste inicial mais importante e que níveis baixos confirmam EAH tipo I, enquanto níveis normais indicam tipo II. O erro está na segunda parte: no tipo II, a atividade do C1-INH está reduzida (não normal), apesar de a quantidade estar normal ou elevada. A dosagem funcional é, de fato, o teste mais importante, mas níveis baixos de atividade podem ocorrer tanto no tipo I (por deficiência quantitativa) quanto no tipo II (por disfunção). A confirmação do tipo exige correlacionar com a dosagem quantitativa.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que anticorpos anti-C1-INH são característicos do EAH tipo III. Isso está errado: anticorpos anti-C1-INH são encontrados no angioedema adquirido (AEA), não no hereditário. O EAH tipo III é definido por níveis normais de C1-INH (quantitativo e funcional) e C1q normal, frequentemente associado a mutações no fator XII, predominando em mulheres. A alternativa mistura conceitos do AEA com o EAH tipo III.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Descreve corretamente a diferença entre os tipos I e II: no tipo I, a dosagem quantitativa de C1-INH está baixa; no tipo II, a dosagem funcional está reduzida, com níveis quantitativos normais ou elevados. Isso está em conformidade com a fisiopatologia: o tipo I é um defeito de produção (quantitativo), enquanto o tipo II é um defeito de função (a proteína é produzida, mas não funciona adequadamente).
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que níveis baixos de C1q são encontrados em todas as formas de EAH. Isso é falso: no EAH, o C1q é normal. O C1q baixo é característico do angioedema adquirido (AEA), especialmente quando associado a doenças linfoproliferativas ou autoimunes. Portanto, C1q baixo é um marcador que ajuda a diferenciar AEA de EAH, mas não é encontrado no EAH.
Gabarito: letra D — a única alternativa que descreve corretamente a distinção entre EAH tipo I (deficiência quantitativa) e tipo II (deficiência funcional).