Questão de Medicina — Ortopedia e Traumatologia — Avança SP 2025
Medicina›Ortopedia e Traumatologia
Código
qg415244
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Caconde - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Ortopedista
O transporte ósseo segmentar, utilizando a técnica de Ilizarov com fixador externo circular, é uma opção para o tratamento de grandes defeitos ósseos. Sobre os princípios, indicações e complicações desta técnica, é correto afirmar que:
AO princípio fundamental do transporte ósseo é a osteogênese por distração, que consiste na formação de novo tecido ósseo a partir de um calo ósseo pré-existente, submetido a forças de compressão controlada.
BO transporte ósseo é indicado apenas para defeitos ósseos causados por trauma, sendo contraindicado em casos de ressecção tumoral ou osteomielite crônica.
CA corticotomia, realizada no segmento ósseo a ser transportado, deve ser de alta energia, com ampla lesão periosteal, para estimular a formação de um calo ósseo exuberante.
DO período de latência, após a corticotomia e antes do início da distração, é geralmente de 5 a 7 dias, permitindo a organização inicial do hematoma e a formação do tecido de granulação.
EA consolidação prematura do fragmento transportado com o fragmento alvo é uma complicação desejável, pois acelera o processo de reconstrução óssea e reduz o tempo de uso do fixador externo.
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GabaritoD — O período de latência, após a corticotomia e antes do início da distração, é geralmente de 5 a 7 dias, permitindo a organização inicial do hematoma e a formação do tecido de granulação.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Transporte ósseo segmentar pela técnica de Ilizarov
Gabarito: letra D. O período de latência — intervalo entre a corticotomia e o início da distração — é geralmente de 5 a 7 dias, tempo necessário para a organização inicial do hematoma e a formação do tecido de granulação, que darão origem ao calo ósseo. As demais alternativas distorcem princípios fundamentais da técnica: a osteogênese por distração depende de forças de tração (não compressão), as indicações incluem ressecção tumoral e osteomielite, a corticotomia deve ser de baixa energia com preservação periosteal, e a consolidação prematura é uma complicação a ser evitada.
O transporte ósseo segmentar é uma técnica de reconstrução óssea baseada no princípio da osteogênese por distração, descrita por Gavriil Ilizarov. O conceito central é que o osso, quando submetido a uma distração gradual e controlada, é capaz de formar novo tecido ósseo de qualidade — um fenômeno conhecido como distraction osteogenesis. O procedimento consiste em realizar uma corticotomia (osteotomia parcial que preserva o periósteo e a medular) em um segmento ósseo saudável, aguardar um período de latência para que se forme um calo inicial e, então, distrair esse segmento progressivamente (tipicamente 0,75 a 1 mm por dia, em 3 a 4 passos), preenchendo o defeito ósseo com osso neoformado.
A técnica é indicada para grandes defeitos ósseos de diversas etiologias: trauma (perdas ósseas segmentares), ressecção tumoral, osteomielite crônica (após erradicação da infecção), pseudartrose infectada e revisão de falhas de artroplastia. Não se restringe ao trauma, como afirma a alternativa B. O fixador externo circular de Ilizarov permite correção simultânea de deformidades angulares, rotacionais e de encurtamento, além de permitir o transporte ósseo em múltiplos vetores.
O sucesso da técnica depende de uma sequência cronológica rigorosa: corticotomia → período de latência → distração → consolidação. A corticotomia deve ser de baixa energia, com preservação do periósteo e da medular, para não comprometer a vascularização do segmento a ser transportado — o oposto do que afirma a alternativa C. O período de latência (5 a 7 dias) permite a organização do hematoma e a formação do tecido de granulação, que servirá de matriz para a ossificação. Durante a distração, o calo é submetido a forças de tração (não compressão), o que estimula a neoformação óssea. Ao final, o fragmento transportado encontra o fragmento alvo (o "dock site"), e a consolidação dessa junção é um dos momentos críticos do tratamento.
As complicações mais comuns incluem: consolidação prematura (que impede a progressão da distração), consolidação retardada ou não união no sítio de encontro, infecção de pino, deformidade axial, contratura articular, lesão neurovascular e recidiva do defeito. A consolidação prematura é uma complicação que exige intervenção (frequentemente uma nova corticotomia) — jamais é desejável, pois interrompe o transporte antes de preencher o defeito. A alternativa E inverte completamente esse conceito.
A pegadinha central desta questão é a inversão de conceitos: a banca troca tração por compressão (A), restringe as indicações (B), inverte a energia da corticotomia (C) e transforma uma complicação em benefício (E). A alternativa D é a única que descreve corretamente um dos passos da técnica. Guarde a sequência cronológica e as características de cada fase — é exatamente nelas que as alternativas se dividem.
1Corticotomia (baixa energia, preserva periósteo)
2Latência (5-7 dias)
3Distração (tração, 0,75-1 mm/dia)
4Consolidação
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O erro está na palavra "compressão". A osteogênese por distração ocorre quando o calo ósseo é submetido a forças de tração (distração) gradual e controlada, não compressão. A compressão é utilizada em outras técnicas (como a compressão para consolidação de fraturas), mas não é o princípio do transporte ósseo. A descrição correta seria: formação de novo tecido ósseo a partir de um calo submetido a forças de tração controlada.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A afirmação restringe indevidamente as indicações do transporte ósseo ao trauma. A técnica é indicada para grandes defeitos ósseos de qualquer etiologia, incluindo ressecção tumoral (após margens livres) e osteomielite crônica (após controle da infecção). A banca explora a ideia de que o trauma seria a única indicação, o que é falso — a técnica é uma ferramenta versátil na reconstrução óssea.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A corticotomia deve ser de baixa energia, com preservação do periósteo e da medular, para manter a vascularização do segmento transportado. Uma corticotomia de alta energia com ampla lesão periosteal comprometeria a formação do calo ósseo e a viabilidade do fragmento. A alternativa inverte o princípio: quanto menos dano ao periósteo, melhor a osteogênese.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O período de latência é o intervalo entre a corticotomia e o início da distração, geralmente de 5 a 7 dias. Esse tempo permite a organização inicial do hematoma e a formação do tecido de granulação, que servirá de matriz para a ossificação. É um passo essencial: iniciar a distração antes desse período pode resultar em falha na formação do calo; aguardar demais pode levar à consolidação prematura.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A consolidação prematura do fragmento transportado com o fragmento alvo é uma complicação, não um evento desejável. Ela interrompe o transporte antes de preencher o defeito, exigindo nova corticotomia e prolongando o tratamento. A alternativa inverte o conceito: a consolidação prematura atrasa a reconstrução e aumenta o tempo de uso do fixador externo.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora inverter os conceitos-chave da técnica de Ilizarov. Nesta questão, ela trocou tração por compressão (A), restringiu as indicações (B), inverteu a energia da corticotomia (C) e transformou uma complicação em benefício (E). O candidato que decora os princípios sem entender a lógica da osteogênese por distração cai facilmente. Com treino, você enxerga essas inversões de longe 💪
PEGA ESSA DICA!
Para questões sobre transporte ósseo, memorize a sequência cronológica e as características de cada fase: corticotomia (baixa energia, preserva periósteo) → latência (5-7 dias) → distração (tração, 0,75-1 mm/dia) → consolidação. E lembre: complicações como consolidação prematura e infecção de pino são sempre indesejáveis — se a alternativa as descreve como benéficas, está errada.