Questão de Medicina — Ortopedia e Traumatologia — Avança SP 2025
Medicina›Ortopedia e Traumatologia
Código
qg415250
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Caconde - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Ortopedista
O alongamento ósseo com fixadores externos circulares, como o de Ilizarov, é uma técnica eficaz para correção de discrepâncias de membros e deformidades, mas está associado a complicações. Em relação aos desvios axiais, consolidação precoce e infecção dos pinos durante o alongamento ósseo com Ilizarov, é incorreto afirmar que:
ADesvios axiais (varo, valgo, recurvato) podem ocorrer durante o alongamento, sendo mais comuns em alongamentos femorais, e exigem correção com ajustes no fixador ou cunhas de correção.
BA consolidação precoce, ou seja, a formação de calo ósseo antes do término do alongamento, é mais frequente em pacientes jovens e pode ser prevenida com um ritmo de distração mais lento.
CA infecção superficial dos pinos é uma complicação comum, geralmente tratada com cuidados locais e antibióticos orais, enquanto a infecção profunda pode exigir remoção do pino e, em casos graves, do fixador.
DA monitorização radiográfica regular é essencial durante o alongamento ósseo para detectar precocemente desvios axiais, consolidação precoce e sinais de afrouxamento dos pinos.
EA consolidação precoce é sempre indesejável e seu tratamento envolve, invariavelmente, a refratura cirúrgica do calo ósseo para reiniciar o alongamento.
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GabaritoE — A consolidação precoce é sempre indesejável e seu tratamento envolve, invariavelmente, a refratura cirúrgica do calo ósseo para reiniciar o alongamento.
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Alongamento ósseo com fixador de Ilizarov: complicações e manejo
Gabarito: letra E. A alternativa E é a incorreta porque afirma que a consolidação precoce é "sempre indesejável" e que seu tratamento envolve "invariavelmente" a refratura cirúrgica — ambas generalizações absolutas que não correspondem à prática ortopédica. A consolidação precoce pode, em alguns casos, ser aceita ou manejada de forma conservadora, e a refratura cirúrgica não é o único nem o primeiro recurso terapêutico. As demais alternativas (A, B, C e D) descrevem corretamente aspectos do alongamento ósseo com fixadores circulares.
O alongamento ósseo pelo método de Ilizarov baseia-se no princípio da distração osteogênica: após uma osteotomia (corte cirúrgico do osso), o fixador externo circular promove uma separação gradual e controlada dos fragmentos, estimulando a formação de novo osso no espaço criado. Esse processo é conhecido como osteogênese por distração e depende de um delicado equilíbrio entre a velocidade de distração, a vascularização local e a resposta biológica do paciente.
O ritmo clássico de distração é de aproximadamente 1 mm por dia, geralmente dividido em 4 etapas de 0,25 mm. Esse ritmo é crucial: se for rápido demais, pode ocorrer falha na formação óssea (não-consolidação ou formação de tecido fibroso); se for lento demais, pode ocorrer consolidação precoce, ou seja, o osso se forma e se solidifica antes que o alongamento desejado seja alcançado. A consolidação precoce é mais comum em pacientes jovens, que têm maior potencial osteogênico, e pode ser prevenida ou tratada com ajustes no ritmo de distração.
As complicações do alongamento ósseo são variadas e incluem:
Desvios axiais: deformidades em varo, valgo ou recurvato que podem surgir durante o alongamento, especialmente em segmentos ósseos longos como o fêmur. O tratamento envolve ajustes no fixador ou uso de cunhas de correção.
Consolidação precoce: formação de calo ósseo antes do término do alongamento. O manejo pode incluir desde a aceleração do ritmo de distração até procedimentos cirúrgicos, dependendo da fase em que ocorre.
Infecção dos pinos: complicação comum, classificada em superficial (tratada com cuidados locais e antibióticos orais) e profunda (pode exigir remoção do pino e, em casos graves, do fixador).
Afrouxamento dos pinos: perda de estabilidade do fixador, que pode comprometer o alinhamento e a consolidação.
A monitorização radiográfica regular é essencial durante todo o processo de alongamento. Radiografias seriadas permitem avaliar a qualidade do calo ósseo, detectar precocemente desvios axiais, sinais de consolidação precoce e afrouxamento dos pinos, permitindo intervenções oportunas.
A alternativa E erra ao usar os termos "sempre" e "invariavelmente". Na medicina, poucas condutas são absolutas, e o manejo da consolidação precoce é individualizado. Em alguns casos, se o alongamento já atingiu o comprimento desejado ou se o desvio é mínimo, a consolidação pode ser aceita. Em outros, pode-se tentar acelerar o ritmo de distração ou realizar manipulação suave. A refratura cirúrgica é uma opção, mas não é a única nem é sempre necessária.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a generalização indevida. As palavras "sempre" e "invariavelmente" são os gatilhos: na prática médica, quase nenhuma conduta é absoluta. O candidato que conhece o manejo da consolidação precoce percebe que a refratura cirúrgica é apenas uma das opções, não a regra universal.
Complicações do alongamento (Ilizarov)
1Desvios axiais
Varo, valgo, recurvato
Mais comuns no fêmur
Correção: ajustes no fixador ou cunhas
2Consolidação precoce
Mais comum em jovens
Prevenção: ritmo de distração mais lento
Manejo individualizado
Pode ser aceita (alongamento concluído)
Acelerar ritmo de distração
Refratura cirúrgica (nem sempre necessária)
3Infecção dos pinos
Superficial: cuidados locais + antibiótico oral
Profunda: remoção do pino/fixador
4Afrouxamento dos pinos
Perda de estabilidade
Monitorização radiográfica regular
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Alternativa A — ✅ Correta
A alternativa descreve corretamente os desvios axiais (varo, valgo, recurvato) como complicações possíveis durante o alongamento, mais comuns em alongamentos femorais, e menciona os ajustes no fixador ou cunhas de correção como formas de tratamento. Isso está alinhado com a prática ortopédica: o fêmur, por ser um osso longo e sujeito a forças musculares significativas, é mais propenso a desenvolver desvios durante a distração.
Alternativa B — ✅ Correta
A alternativa afirma que a consolidação precoce é mais frequente em pacientes jovens e pode ser prevenida com ritmo de distração mais lento. Isso é correto: pacientes jovens têm maior potencial osteogênico, o que aumenta o risco de consolidação precoce. Um ritmo de distração mais lento (por exemplo, 0,5 mm/dia em vez de 1 mm/dia) pode prevenir essa complicação, dando mais tempo para o osso se formar adequadamente.
Alternativa C — ✅ Correta
A alternativa descreve corretamente a infecção dos pinos: a superficial é comum, tratada com cuidados locais e antibióticos orais, enquanto a profunda pode exigir remoção do pino e, em casos graves, do fixador. Essa é a conduta padrão no manejo de infecções relacionadas a fixadores externos.
Alternativa D — ✅ Correta
A alternativa destaca a importância da monitorização radiográfica regular durante o alongamento ósseo, para detectar precocemente desvios axiais, consolidação precoce e afrouxamento dos pinos. Isso é fundamental na prática clínica, pois permite intervenções precoces e evita complicações maiores.
Alternativa E — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO
A alternativa E é a incorreta. Ela afirma que a consolidação precoce é "sempre indesejável" e que seu tratamento envolve "invariavelmente" a refratura cirúrgica. Isso é uma generalização indevida. Na prática, a consolidação precoce pode ser aceita em alguns casos (se o alongamento já atingiu o objetivo), pode ser manejada com aceleração do ritmo de distração, ou pode exigir intervenção cirúrgica — mas não é "sempre" indesejável nem o tratamento é "invariavelmente" cirúrgico. A palavra "invariavelmente" é o erro-chave: a refratura é uma opção, não uma regra absoluta.
Gabarito: letra E — a única alternativa incorreta, pois generaliza indevidamente o manejo da consolidação precoce.