Questão de Medicina — Ortopedia e Traumatologia — Avança SP 2025
Medicina›Ortopedia e Traumatologia
Código
qg415256
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Caconde - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Ortopedista
Na fixação interna de fraturas, a escolha entre placas e parafusos e a técnica de aplicação influenciam diretamente o tipo de consolidação óssea. Em relação aos princípios biomecânicos da estabilidade absoluta e relativa na fixação com placas e parafusos, é correto afirmar que:
AA estabilidade absoluta, obtida com a técnica de compressão interfragmentar com parafusos de tração e placa de neutralização, promove a consolidação óssea secundária (com formação de calo ósseo).
BA estabilidade relativa, conseguida com placas em ponte ou parafusos bloqueados, permite micromovimentos controlados no foco de fratura, estimulando a consolidação óssea primária (direta, sem calo).
CA técnica de "parafuso de tração" (lag screw) promove estabilidade relativa, pois permite o deslizamento do fragmento ósseo sobre o parafuso, gerando compressão dinâmica.
DA estabilidade absoluta visa a anular completamente os movimentos no foco de fratura, promovendo a consolidação óssea primária, por remodelação haversiana direta, sem formação de calo ósseo visível.
EPlacas bloqueadas, por sua rigidez intrínseca, sempre proporcionam estabilidade absoluta, independentemente do padrão de fratura e da técnica de aplicação.
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GabaritoD — A estabilidade absoluta visa a anular completamente os movimentos no foco de fratura, promovendo a consolidação óssea primária, por remodelação haversiana direta, sem formação de calo ósseo visível.
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Estabilidade absoluta e relativa na osteossíntese
Gabarito: letra D. A estabilidade absoluta anula os micromovimentos no foco de fratura e promove consolidação óssea primária (direta), por remodelação haversiana, sem formação de calo visível — exatamente o que a alternativa D afirma. As demais invertem os conceitos: estabilidade absoluta não gera consolidação secundária (A), estabilidade relativa não gera consolidação primária (B), parafuso de tração não é estabilidade relativa (C) e placas bloqueadas não garantem sempre estabilidade absoluta (E).
A consolidação óssea pode ocorrer por dois mecanismos distintos, diretamente relacionados ao grau de estabilidade da fixação. A estabilidade absoluta é obtida quando há compressão interfragmentar e redução anatômica, anulando qualquer movimento no foco de fratura. Nessa condição, o osso consolida por consolidação primária (direta): os osteoclastos formam túneis de corte que atravessam o traço, e os osteoblastos depositam osso novo, em um processo chamado remodelação haversiana — sem formação de calo ósseo visível. É a situação ideal para fraturas articulares, em que a anatomia precisa ser restaurada com precisão.
A estabilidade relativa, por sua vez, permite micromovimentos controlados no foco de fratura, estimulando a formação de calo ósseo — a chamada consolidação secundária (indireta). Esse é o mecanismo desejado em fraturas diafisárias multifragmentadas, em que se prioriza a preservação do suprimento sanguíneo em vez da redução anatômica. Os métodos que promovem estabilidade relativa atuam como "tutores": hastes intramedulares, placas em ponte e fixadores externos.
A tabela abaixo resume os dois princípios:
Critério
Estabilidade absoluta
Estabilidade relativa
Objetivo
Anular movimentos
Permitir micromovimentos
Consolidação
Primária (direta)
Secundária (indireta)
Calo ósseo
Ausente
Presente
Métodos
Parafuso de tração, placa de compressão, banda de tensão
Haste intramedular, placa em ponte, fixador externo
Indicação típica
Fraturas articulares
Fraturas diafisárias multifragmentadas
Um erro comum é associar o implante diretamente ao método. Por exemplo, uma placa DCP pode ser usada como placa de compressão (estabilidade absoluta) ou como placa em ponte (estabilidade relativa), dependendo da técnica. Da mesma forma, placas bloqueadas (LCP) podem proporcionar estabilidade absoluta ou relativa conforme o padrão de fratura e a técnica de aplicação — não há rigidez intrínseca que garanta estabilidade absoluta em todos os casos.
NÃO CAIA NESSA!
A banca inverte os conceitos de estabilidade absoluta e relativa, e também associa erroneamente o tipo de consolidação. O candidato que confunde "absoluta" com "calo ósseo" ou "relativa" com "consolidação primária" cai nas alternativas A e B. Lembre-se: absoluta = sem calo (primária), relativa = com calo (secundária). Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A estabilidade absoluta, obtida com compressão interfragmentar (parafuso de tração + placa de neutralização), promove consolidação primária (direta), sem calo ósseo — não secundária. A consolidação secundária é característica da estabilidade relativa. A alternativa inverte o tipo de consolidação associado à estabilidade absoluta.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A estabilidade relativa (placas em ponte, parafusos bloqueados) permite micromovimentos controlados, mas estimula a consolidação secundária (indireta, com calo) — não primária. A consolidação primária é exclusiva da estabilidade absoluta. A alternativa troca o tipo de consolidação.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O parafuso de tração (lag screw) promove estabilidade absoluta, não relativa. Ele comprime os fragmentos entre si, anulando movimentos no foco de fratura. A descrição de "deslizamento do fragmento sobre o parafuso" é incorreta: o parafuso de tração tem um canal de deslizamento na cortical proximal, mas isso serve para permitir a compressão, não para gerar estabilidade relativa.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A estabilidade absoluta visa anular completamente os movimentos no foco de fratura, promovendo consolidação óssea primária, por remodelação haversiana direta, sem formação de calo ósseo visível. É exatamente o conceito correto, conforme descrito na literatura de osteossíntese.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Placas bloqueadas (LCP) não sempre proporcionam estabilidade absoluta. Elas podem ser usadas como placa em ponte (estabilidade relativa) em fraturas multifragmentadas, ou como placa de compressão (estabilidade absoluta) em fraturas simples. A rigidez intrínseca não determina o tipo de estabilidade; isso depende do padrão de fratura e da técnica de aplicação.