Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Médico da Família — Avança SP 2025

MedicinaMédico da Família
Código
qg416426
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Caieiras - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - ESF
Em relação à aplicação do Modelo de Promoção da Saúde de Nola Pender na abordagem de um grupo de adultos jovens com sobrepeso em uma unidade de Estratégia Saúde da Família, que demonstra baixa adesão às orientações nutricionais e práticas de atividade física, analise a correlação entre os componentes do modelo e a intervenção proposta:
  1. AA identificação das barreiras percebidas para ação deve se limitar aos aspectos individuais de motivação, desconsiderando influências situacionais para otimizar a mudança comportamental.
  2. BO estabelecimento de metas deve ser definido exclusivamente pela equipe de saúde, garantindo maior rigor técnico e melhor resultado nas mudanças de comportamento propostas.
  3. CO compromisso com o plano de ação independe do suporte social e familiar, sendo determinado pela força de vontade individual do usuário.
  4. DA avaliação das experiências anteriores com dietas e exercícios físicos, associada ao reconhecimento dos benefícios percebidos e autoeficácia, fundamenta o planejamento de intervenções personalizadas.
  5. EA abordagem deve priorizar a transmissão de informações técnicas sobre riscos à saúde, minimizando a influência de aspectos emocionais e culturais.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — A avaliação das experiências anteriores com dietas e exercícios físicos, associada ao reconhecimento dos benefícios percebidos e autoeficácia, fundamenta o planejamento de intervenções personalizadas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Modelo de Promoção da Saúde de Nola Pender

Gabarito: letra D. A alternativa correta sintetiza o núcleo do Modelo de Promoção da Saúde (MPS) de Nola Pender: a avaliação das experiências anteriores, dos benefícios percebidos e da autoeficácia são determinantes para o planejamento de intervenções personalizadas. As demais alternativas distorcem o modelo ao propor abordagens unilaterais, impositivas ou reducionistas, que contrariam a lógica participativa e multidimensional da promoção da saúde.

O Modelo de Promoção da Saúde de Nola Pender é um dos referenciais teóricos mais utilizados na enfermagem e na atenção primária para compreender e fomentar comportamentos saudáveis. Ele parte da premissa de que a adoção de hábitos saudáveis não depende apenas de informação ou força de vontade, mas de um conjunto de fatores que interagem entre si: características e experiências individuais, cognições e afetos específicos do comportamento, e influências interpessoais e situacionais. O modelo é estruturado em três grandes blocos: (1) características e experiências individuais (como experiências anteriores, fatores biológicos e pessoais); (2) cognições e afetos específicos do comportamento (como benefícios percebidos, barreiras percebidas, autoeficácia, afeto relacionado à atividade e influências interpessoais e situacionais); e (3) resultado comportamental (o compromisso com o plano de ação e o comportamento de promoção da saúde em si).

A lógica do modelo é que esses fatores não atuam isoladamente. Por exemplo, um adulto jovem com sobrepeso que já tentou dietas e falhou (experiência anterior) pode ter baixa autoeficácia — ou seja, pouca confiança na própria capacidade de manter uma rotina de exercícios. Se a equipe de saúde ignora essa história e apenas transmite informações técnicas sobre riscos, a intervenção tende a falhar. Por outro lado, se o profissional reconhece os benefícios percebidos pelo paciente (o que ele acha que ganhará ao emagrecer), identifica as barreiras reais (falta de tempo, ambiente familiar que não apoia, questões culturais) e trabalha a autoeficácia (estabelecendo metas pequenas e alcançáveis), o compromisso com o plano de ação se fortalece. O suporte social e familiar também é um componente central: o modelo reconhece que as influências interpessoais (família, amigos, equipe de saúde) e situacionais (acesso a espaços de lazer, condições de trabalho) modulam diretamente a motivação e a adesão.

A banca explora aqui um erro clássico: reduzir a promoção da saúde a um ato individual de vontade ou a uma prescrição técnica verticalizada. O MPS de Pender é explicitamente um modelo interacionista e participativo — o paciente é copartícipe do planejamento, e não mero receptor de orientações. A alternativa D é a única que captura essa complexidade ao mencionar três pilares do modelo: experiências anteriores, benefícios percebidos e autoeficácia, todos fundamentais para personalizar a intervenção. As demais alternativas apresentam visões unilaterais (A), impositivas (B), individualistas (C) ou tecnicistas (E), todas contrárias à teoria.

Guarde o critério decisivo: no MPS de Pender, a mudança de comportamento é um processo multifatorial que integra história de vida, percepções, emoções, contexto social e ambiental. Qualquer alternativa que isole um único fator ou que coloque a equipe como detentora exclusiva da decisão está errada. É exatamente essa fronteira que separa a alternativa D das demais.

Componente do MPS de Pender

Papel no planejamento da intervenção

Exemplo no caso (adultos jovens com sobrepeso)

Experiências anteriores

Fundamentam a personalização da abordagem

Histórico de tentativas prévias de dieta e exercício

Benefícios percebidos

Orientam a motivação para a mudança

O que o usuário valoriza como ganho ao emagrecer

Autoeficácia

Determina a confiança na capacidade de agir

Estabelecimento de metas pequenas e alcançáveis

Barreiras percebidas

Identificam obstáculos reais (individuais e situacionais)

Falta de tempo, ambiente familiar sem apoio

Influências interpessoais e situacionais

Modulam o compromisso com o plano de ação

Suporte familiar, acesso a espaços de lazer

Modelo de Promoção da Saúde (Pender)
  • 1Características e experiências individuais
    • Experiências anteriores
    • Fatores biológicos e pessoais
  • 2Cognições e afetos específicos
    • Benefícios percebidos
    • Barreiras percebidas
    • Autoeficácia
    • Afeto relacionado à atividade
    • Influências interpessoais e situacionais
  • 3Resultado comportamental
    • Compromisso com o plano de ação
    • Comportamento de promoção da saúde
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a identificação das barreiras percebidas deve se limitar aos aspectos individuais de motivação, desconsiderando influências situacionais. Isso contraria o modelo, que inclui explicitamente as influências situacionais (acesso a equipamentos, ambiente de trabalho, condições socioeconômicas) como determinantes do comportamento. A barreira percebida não é apenas interna; ela é moldada pelo contexto. A alternativa erra ao reduzir o escopo da avaliação.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Propõe que o estabelecimento de metas seja definido exclusivamente pela equipe de saúde. O MPS de Pender é um modelo participativo: o compromisso com o plano de ação é construído com o usuário, respeitando sua autonomia e suas percepções. Metas impostas verticalmente tendem a reduzir a adesão, pois ignoram a autoeficácia e as barreiras percebidas pelo próprio paciente. A alternativa contraria o princípio da corresponsabilização no cuidado.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Sustenta que o compromisso com o plano de ação independe do suporte social e familiar, sendo determinado pela força de vontade individual. O modelo de Pender, ao contrário, destaca as influências interpessoais (família, amigos, equipe) como fatores que modulam diretamente o compromisso e a manutenção do comportamento. A força de vontade é apenas um dos elementos; sem suporte social, a adesão tende a ser frágil. A alternativa ignora a dimensão relacional do cuidado.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa sintetiza corretamente o núcleo do modelo: a avaliação das experiências anteriores (história de tentativas de dieta e exercício), o reconhecimento dos benefícios percebidos (o que o usuário valoriza como ganho) e a autoeficácia (confiança na própria capacidade de agir) são os pilares que fundamentam o planejamento de intervenções personalizadas. Esses três componentes pertencem aos dois primeiros blocos do MPS de Pender e são exatamente os que permitem à equipe adaptar a abordagem às necessidades e potencialidades de cada usuário, aumentando a chance de adesão.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Defende que a abordagem deve priorizar a transmissão de informações técnicas sobre riscos, minimizando aspectos emocionais e culturais. O MPS de Pender reconhece o afeto relacionado à atividade (emoções positivas ou negativas) e as influências culturais como determinantes do comportamento. Reduzir a intervenção a informação técnica ignora a dimensão emocional e cultural, que muitas vezes é o principal obstáculo à mudança. A alternativa contraria a visão integral do modelo.

Gabarito: letra D — a única que integra os componentes centrais do Modelo de Promoção da Saúde de Nola Pender (experiências anteriores, benefícios percebidos e autoeficácia) ao planejamento personalizado de intervenções.

Link permanente: /questoes/qg416426