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Questão de Medicina — Endocrinologia — Avança SP 2025

MedicinaEndocrinologia
Código
qg416493
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Caieiras - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Ginecologista
Em relação à avaliação endocrinológica de paciente de 24 anos com amenorreia secundária há 8 meses, histórico de ciclos irregulares desde a menarca, IMC 19kg/m², sem galactorreia, com dosagens hormonais evidenciando FSH 0.8 mUI/mL, LH 1.2 mUI/mL, estradiol 15pg/mL, prolactina 12ng/mL e ressonância magnética de sela túrcica normal, analise a correlação entre achados laboratoriais e fisiopatologia:
  1. AO padrão de gonadotrofinas sugere falência ovariana prematura em fase inicial, exigindo investigação de causas autoimunes independentemente da idade da paciente.
  2. BA relação LH/FSH aumentada associada a estradiol baixo indica necessariamente síndrome dos ovários policísticos, dispensando avaliação hipotalâmica.
  3. COs níveis de prolactina dentro da normalidade excluem completamente patologias hipotalâmicas como causa da disfunção do eixo gonadal.
  4. DO IMC no limite inferior associado aos níveis hormonais apresentados sugere necessariamente anorexia nervosa como etiologia primária.
  5. EO padrão laboratorial sugere hipogonadismo hipogonadotrófico, sendo necessária investigação de fatores funcionais e orgânicos que afetem a função hipotalâmica-hipofisária.
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GabaritoE — O padrão laboratorial sugere hipogonadismo hipogonadotrófico, sendo necessária investigação de fatores funcionais e orgânicos que afetem a função hipotalâmica-hipofisária.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hipogonadismo hipogonadotrófico: interpretação do eixo H-H-O

Gabarito: letra E. O padrão laboratorial de FSH e LH baixos com estradiol baixo caracteriza hipogonadismo hipogonadotrófico, indicando disfunção em nível hipotalâmico-hipofisário, e não falência ovariana — que cursaria com gonadotrofinas elevadas. A investigação deve buscar causas funcionais (estresse, exercício, baixo peso, transtornos alimentares) e orgânicas (lesões hipofisárias, tumores, doenças infiltrativas), conforme a fisiopatologia do eixo hipotálamo-hipófise-ovário.

O eixo reprodutivo feminino funciona em cascata: o hipotálamo secreta GnRH, que estimula a hipófise a liberar FSH e LH, que por sua vez estimulam o ovário a produzir estradiol e progesterona. Quando há falência ovariana primária, o ovário não responde às gonadotrofinas, e os níveis de FSH e LH sobem por falta de feedback negativo (hipogonadismo hipergonadotrófico). Já quando o problema está no hipotálamo ou na hipófise, a produção de gonadotrofinas cai, e o estradiol fica baixo por falta de estímulo — é o hipogonadismo hipogonadotrófico, exatamente o padrão da paciente (FSH 0,8 e LH 1,2 mUI/mL, ambos suprimidos).

A amenorreia secundária é definida como ausência de menstruação por 3 meses em ciclos regulares ou 6 meses em ciclos irregulares. As causas mais comuns, excluída a gestação, são: síndrome dos ovários policísticos (SOP), amenorreia hipotalâmica funcional, hiperprolactinemia e insuficiência ovariana primária. A classificação da OMS organiza as anovulações em: tipo 1 (hipogonadotrófica, com LH e FSH baixos), tipo 2 (normogonadotrófica, com FSH e LH normais) e tipo 3 (hipergonadotrófica, com LH e FSH elevados), além da hiperprolactinemia. A paciente se enquadra no tipo 1.

A amenorreia hipotalâmica funcional é uma das principais causas de hipogonadismo hipogonadotrófico em mulheres jovens, frequentemente associada a estresse, perda de peso, exercício físico intenso ou transtornos alimentares. O IMC de 19 kg/m² está no limite inferior da normalidade e pode sugerir restrição energética, mas não é diagnóstico de anorexia nervosa — que exige critérios psiquiátricos específicos. A prolactina normal (12 ng/mL) afasta hiperprolactinemia, mas não exclui outras causas hipotalâmicas, como tumores, doenças infiltrativas ou disfunção funcional. A RM de sela túrcica normal é um dado importante, pois afasta lesões estruturais hipofisárias, mas não exclui causas funcionais hipotalâmicas.

A distinção central que a questão explora é entre hipogonadismo hipogonadotrófico (FSH/LH baixos) e hipergonadotrófico (FSH/LH elevados). A falência ovariana prematura cursa com FSH e LH elevados, tipicamente FSH > 25-40 mUI/mL, e não com valores suprimidos. A SOP, por sua vez, cursa com gonadotrofinas normais ou relação LH/FSH aumentada, mas com estradiol geralmente normal ou elevado, e não baixo. A banca tenta confundir o candidato ao sugerir que FSH baixo indica falência ovariana ou que LH/FSH aumentado indica SOP — ambos os raciocínios são fisiologicamente incorretos para o quadro apresentado.

Guarde o critério decisivo: gonadotrofinas baixas + estradiol baixo = problema no comando central (hipotálamo/hipófise); gonadotrofinas altas + estradiol baixo = problema no ovário. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A falência ovariana prematura cursa com hipogonadismo hipergonadotrófico, ou seja, FSH e LH elevados, e não suprimidos como no caso (FSH 0,8 e LH 1,2 mUI/mL). O padrão apresentado é de gonadotrofinas baixas, o que aponta para disfunção central, não ovariana. A investigação de causas autoimunes seria pertinente se houvesse elevação de FSH, o que não ocorre.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A relação LH/FSH aumentada é um achado possível na SOP, mas não é diagnóstica isoladamente, e o quadro apresentado tem FSH e LH ambos baixos, não relação aumentada. Além disso, o estradiol baixo (15 pg/mL) não é compatível com SOP, que geralmente cursa com estrogênios normais ou elevados. A avaliação hipotalâmica não pode ser dispensada, pois o padrão é claramente hipogonadotrófico.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A prolactina normal afasta hiperprolactinemia, mas não exclui patologias hipotalâmicas. A amenorreia hipotalâmica funcional, tumores hipotalâmicos, doenças infiltrativas e outras disfunções do SNC podem cursar com prolactina normal. A RM de sela túrcica normal também não exclui causas funcionais hipotalâmicas, que são as mais comuns nessa faixa etária.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O IMC de 19 kg/m² está no limite inferior da normalidade, mas não é diagnóstico de anorexia nervosa. A anorexia é um transtorno psiquiátrico com critérios específicos (restrição alimentar, medo intenso de ganhar peso, distorção da imagem corporal), e o baixo peso é apenas um dos fatores. A amenorreia hipotalâmica funcional pode ocorrer por estresse, exercício excessivo ou restrição calórica sem critérios para anorexia. A etiologia deve ser investigada de forma ampla, não assumida.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O padrão de FSH e LH baixos com estradiol baixo caracteriza hipogonadismo hipogonadotrófico, indicando disfunção no nível hipotalâmico-hipofisário. A investigação deve incluir causas funcionais (estresse, exercício, baixo peso, transtornos alimentares) e orgânicas (tumores, doenças infiltrativas, lesões hipofisárias), mesmo com RM normal, pois as causas funcionais são as mais prevalentes em mulheres jovens. A prolactina normal e a RM normal ajudam a afastar hiperprolactinemia e lesões estruturais, mas não encerram a investigação.

Gabarito: letra E

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