Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — Avança SP 2025
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
qg416497
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Caieiras - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Ginecologista
Em relação aos efeitos teratogênicos de medicamentos antiepiléticos durante a gestação, assinale a alternativa que corretamente descreve o mecanismo molecular pelo qual o ácido valproico aumenta o risco de defeitos do tubo neural no concepto:
AInibição da síntese de ácido fólico pela microbiota intestinal materna.
BAntagonismo direto dos receptores de ácido fólico nas células embrionárias.
CHipermetilação do DNA em genes críticos para o desenvolvimento neural.
DInibição da histona deacetila-se, alterando a expressão gênica embrionária.
EDepleção de zinco fetal, essencial para o fechamento do tubo neural.
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GabaritoD — Inibição da histona deacetila-se, alterando a expressão gênica embrionária.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Teratogenicidade do ácido valproico: mecanismo molecular
Gabarito: letra D. O ácido valproico aumenta o risco de defeitos do tubo neural no concepto por inibição da histona deacetilase (HDAC), o que altera a expressão gênica embrionária — mecanismo epigenético que interfere no fechamento do tubo neural. As demais alternativas descrevem mecanismos incorretos ou não comprovados para esse fármaco.
O ácido valproico é um dos fármacos antiepiléticos (FAEs) com maior potencial teratogênico, associado a uma incidência de cerca de 9% de malformações congênitas significativas, sendo os defeitos do tubo neural (DTNs) um dos principais riscos. O fechamento do tubo neural ocorre até o 28º dia de desenvolvimento fetal, frequentemente antes de a mulher saber que está grávida — por isso a importância do planejamento gestacional e da suplementação de ácido fólico.
O mecanismo molecular central da teratogenicidade do valproato é a inibição da histona deacetilase (HDAC). As histonas são proteínas que organizam o DNA em cromatina; a acetilação das histonas relaxa a cromatina e permite a transcrição gênica, enquanto a deacetilação a compacta e silencia genes. Ao inibir a HDAC, o valproato mantém as histonas hiperacetiladas, alterando o padrão de expressão gênica durante o desenvolvimento embrionário — incluindo genes críticos para o fechamento do tubo neural. Esse efeito epigenético é distinto de uma simples deficiência de ácido fólico, embora a suplementação de folato seja recomendada como medida profilática.
Na prática clínica, o valproato deve ser evitado em mulheres em idade fértil sempre que possível, especialmente no primeiro trimestre. Quando o uso é necessário, recomenda-se a menor dose efetiva, preferencialmente em monoterapia, e suplementação de ácido fólico (1 mg/dia antes da concepção, aumentando para 4 mg/dia após o reconhecimento da gravidez). A decisão de trocar ou manter o FAE deve equilibrar o risco teratogênico com o risco de crises não controladas, que também é prejudicial ao feto.
A distinção crucial nesta questão é entre o mecanismo molecular direto do valproato (inibição da HDAC) e os fatores de risco associados aos DTNs (deficiência de ácido fólico). A banca explora exatamente essa confusão: o candidato que sabe que o ácido fólico previne DTNs pode ser tentado a escolher uma alternativa que relacione o valproato à depleção de folato, mas o mecanismo comprovado é a alteração epigenética via HDAC.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca o mecanismo molecular comprovado do valproato (inibição da HDAC) por mecanismos relacionados ao ácido fólico (alternativas A e B) ou a outros nutrientes (alternativa E). O valproato não antagoniza diretamente os receptores de folato nem inibe sua síntese pela microbiota — ele age na expressão gênica via epigenética. A suplementação de ácido fólico é uma medida profilática, não o alvo molecular do fármaco.
Ácido valproico (teratogênico)
1Mecanismo molecular (gabarito)
Inibição da histona deacetilase (HDAC)
Hiperacetilação das histonas
Alteração da expressão gênica embrionária
2Mecanismos incorretos (pegadinha)
Inibição da síntese de folato pela microbiota
Antagonismo de receptores de folato
Hipermetilação do DNA
Depleção de zinco fetal
3Medida profilática (não é o alvo)
Suplementação de ácido fólico
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A inibição da síntese de ácido fólico pela microbiota intestinal materna não é o mecanismo pelo qual o valproato aumenta o risco de DTNs. Embora a deficiência de ácido fólico seja um fator de risco estabelecido para DTNs na população geral, o valproato não age primariamente dessa forma. O mecanismo comprovado é a inibição da HDAC, que altera a expressão gênica embrionária.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O antagonismo direto dos receptores de ácido fólico nas células embrionárias não é descrito como mecanismo do valproato. O fármaco não bloqueia receptores de folato; seu efeito teratogênico está ligado à inibição da histona deacetilase e consequente alteração epigenética da expressão gênica.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A hipermetilação do DNA em genes críticos para o desenvolvimento neural não é o mecanismo do valproato. Na verdade, o valproato inibe a HDAC, o que leva à hiperacetilação das histonas (não hipermetilação do DNA), relaxando a cromatina e alterando a transcrição gênica. A hipermetilação do DNA é um mecanismo epigenético distinto, associado ao silenciamento gênico, e não ao efeito do valproato.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A inibição da histona deacetilase (HDAC) é o mecanismo molecular pelo qual o ácido valproico aumenta o risco de defeitos do tubo neural. Ao inibir a HDAC, o valproato mantém as histonas hiperacetiladas, alterando a expressão gênica embrionária — incluindo genes essenciais para o fechamento do tubo neural. Esse é o mecanismo comprovado e amplamente descrito na literatura.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A depleção de zinco fetal não é o mecanismo pelo qual o valproato causa DTNs. Embora o zinco seja essencial para diversos processos de desenvolvimento, não há evidência de que a depleção de zinco seja o mecanismo teratogênico do valproato. O mecanismo central é a inibição da HDAC e a consequente alteração epigenética.
Gabarito: letra D — o ácido valproico aumenta o risco de defeitos do tubo neural por inibição da histona deacetilase, alterando a expressão gênica embrionária.