Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) na Adolescência
Gabarito: letra A. O quadro clínico — hirsutismo, irregularidade menstrual e IMC de 27 kg/m² (sobrepeso) em adolescente com menarca aos 12 anos — é altamente sugestivo de Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), e o exame complementar mais indicado para confirmação é a ultrassonografia pélvica, que avalia a morfologia ovariana (volume e número de folículos). O diagnóstico de SOP, segundo o consenso de Rotterdam, exige pelo menos 2 de 3 critérios: hiperandrogenismo clínico ou bioquímico, ciclos irregulares (anovulação) e ovários policísticos à ultrassonografia.
A SOP é a principal causa de hiperandrogenismo e a causa mais comum de anovulação crônica na adolescência. A fisiopatologia envolve um ciclo vicioso: o excesso de andrógenos ovarianos leva à conversão periférica em estrona, que retroalimenta o LH hipofisário, perpetuando a anovulação. A resistência insulínica, frequentemente associada ao sobrepeso, agrava o quadro ao suprimir a SHBG (globulina ligadora de hormônios sexuais), aumentando a testosterona livre. O diagnóstico é clínico-laboratorial, e a ultrassonografia pélvica é o exame de imagem que documenta a morfologia policística — volume ovariano > 10 cm³ e/ou 12 ou mais folículos por ovário — sendo o exame complementar mais acessível e indicado na prática para confirmar a suspeita clínica.
O diagnóstico diferencial do hirsutismo com irregularidade menstrual inclui hiperplasia adrenal congênita (HAC), tumores androgênicos e hiperandrogenismo idiopático. A HAC não clássica ocorre em 1,5 a 2,5% das mulheres com hiperandrogenismo, e o diagnóstico é feito pela dosagem de 17-hidroxiprogesterona, especialmente após estímulo com ACTH. Tumores secretores de andrógenos são raros (0,2%) e cursam com virilização rápida e níveis muito elevados de testosterona, sendo investigados por imagem (TC/RM de abdome). O hiperandrogenismo idiopático é um diagnóstico de exclusão, com testosterona normal e ausência de outras causas.
Na adolescência, a avaliação laboratorial inicial em casos de hiperandrogenismo inclui testosterona total, androstenediona, 17-alfa-hidroxiprogesterona, DHEA-S e US pélvica. A ultrassonografia é o exame de imagem de primeira linha, pois é acessível, não invasiva e permite avaliar volume ovariano e número de folículos. A presença isolada de microcistos ovarianos não é suficiente para o diagnóstico de SOP — é necessário o contexto clínico e laboratorial compatível, pois um terço das mulheres adultas pode ter o achado isolado de ovário policístico na US sem apresentar anovulação ou hiperandrogenismo.
A pegadinha desta questão está em reconhecer que o quadro clínico apresentado — hirsutismo + irregularidade menstrual + sobrepeso em adolescente — é o padrão clássico de SOP, e que a ultrassonografia pélvica é o exame complementar mais indicado para confirmar a suspeita, documentando a morfologia policística. As demais alternativas apresentam diagnósticos diferenciais que, embora possam cursar com hiperandrogenismo, não são os mais prováveis diante do quadro clínico descrito.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A SOP é a principal causa de hiperandrogenismo e a causa mais comum de anovulação crônica na adolescência. O quadro clínico — hirsutismo, irregularidade menstrual e sobrepeso (IMC 27 kg/m²) — preenche os critérios diagnósticos de Rotterdam (hiperandrogenismo clínico + ciclos irregulares). A ultrassonografia pélvica é o exame complementar mais indicado para confirmar a suspeita, documentando a morfologia policística (volume ovariano > 10 cm³ e/ou 12 ou mais folículos por ovário). É o exame de imagem de primeira linha por ser acessível, não invasivo e amplamente disponível.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O hiperandrogenismo idiopático é um diagnóstico de exclusão, caracterizado por hirsutismo com níveis normais de andrógenos e ciclos regulares. Na paciente descrita, há irregularidade menstrual, o que afasta esse diagnóstico. A dosagem sérica de testosterona é útil na investigação, mas não é o exame complementar mais indicado para confirmação — a ultrassonografia pélvica é o exame que documenta a morfologia ovariana e confirma a SOP.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Puberdade precoce é definida pelo desenvolvimento de caracteres sexuais secundários antes dos 8 anos em meninas. A paciente tem 14 anos e menarca aos 12 anos, o que está dentro do padrão normal. A ressonância magnética de crânio é indicada na suspeita de causas centrais de puberdade precoce, o que não se aplica ao caso.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A hiperplasia adrenal congênita (HAC) não clássica é uma causa menos comum de hiperandrogenismo (1,5 a 2,5% dos casos). O diagnóstico é feito pela dosagem de 17-hidroxiprogesterona, especialmente após estímulo com ACTH. No entanto, o quadro clínico apresentado — hirsutismo, irregularidade menstrual e sobrepeso — é mais sugestivo de SOP, que é a causa mais prevalente. A dosagem de 17-hidroxiprogesterona é um exame complementar útil no diagnóstico diferencial, mas não é o exame mais indicado para confirmação do caso.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Tumores androgênicos são raros (0,2% dos casos de hiperandrogenismo) e cursam com virilização rápida e níveis muito elevados de testosterona. A tomografia computadorizada de abdome é indicada na suspeita de tumor suprarrenal, quando há virilização e altos níveis de androgênio sem causa ovariana aparente. No caso descrito, o quadro clínico é de instalação insidiosa (6 meses), sem sinais de virilização, o que torna a SOP o diagnóstico mais provável.
Gabarito: letra A