Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — Avança SP 2025
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
qg416506
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Caieiras - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Ginecologista
Considerando paciente feminina, 32 anos, nuligesta, com galactorreia bilateral espontânea, ciclos menstruais irregulares e prolactina de 85ng/mL, ressonância magnética de sela túrcica evidenciando microadenoma de 4mm, analise a correlação entre manifestações clínicas e abordagem terapêutica:
AO nível de prolactina apresentado determina necessariamente tratamento cirúrgico do microadenoma, independentemente da resposta ao tratamento medicamentoso.
BA presença de galactorreia espontânea contraindica o uso de agonistas dopaminérgicos, exigindo supressão farmacológica da lactação previamente ao tratamento.
CA investigação deve correlacionar níveis de prolactina, tamanho do tumor e função gonadal para estabelecimento da estratégia terapêutica individualizada.
DO tamanho do adenoma inferior a 5mm indica conduta expectante com monitoramento semestral, sendo dispensável terapia medicamentosa inicial.
EA nuliparidade exige necessariamente preservação da fertilidade através de criopreservação oocitária antes do início do tratamento com agonistas dopaminérgicos.
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GabaritoC — A investigação deve correlacionar níveis de prolactina, tamanho do tumor e função gonadal para estabelecimento da estratégia terapêutica individualizada.
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Hiperprolactinemia e prolactinoma: correlação clínico-terapêutica
Gabarito: letra C. A conduta no prolactinoma é individualizada e depende da correlação entre o nível de prolactina, o tamanho do tumor e a função gonadal — exatamente o que a alternativa C afirma. O tratamento de primeira linha é clínico, com agonistas dopaminérgicos (cabergolina ou bromocriptina), e a cirurgia fica reservada para casos específicos, como intolerância ou resistência ao tratamento medicamentoso, ou tumores com sintomas compressivos. A conduta expectante isolada, sem terapia medicamentosa, não é a regra para microprolactinomas sintomáticos, e a preservação da fertilidade não exige obrigatoriamente criopreservação oocitária prévia.
A hiperprolactinemia é definida pela elevação persistente dos níveis séricos de prolactina, sendo as principais causas os prolactinomas (adenomas hipofisários secretores de prolactina), o uso de medicamentos (como antipsicóticos e metoclopramida), o hipotireoidismo primário e a insuficiência renal. No caso apresentado, a paciente tem galactorreia bilateral espontânea, ciclos irregulares e prolactina de 85 ng/mL, com microadenoma de 4 mm na ressonância magnética — um quadro clássico de microprolactinoma sintomático.
O diagnóstico diferencial é essencial antes de qualquer conduta. Deve-se afastar causas fisiológicas (gestação, amamentação, estresse), medicamentosas e outras endocrinopatias, como o hipotireoidismo primário, que também cursa com hiperprolactinemia. A dosagem de TSH e a função renal e hepática fazem parte da investigação inicial. A macroprolactinemia (forma de alto peso molecular, com baixa atividade biológica) deve ser considerada em pacientes assintomáticos com prolactina elevada — não é o caso da paciente, que tem sintomas típicos.
O tratamento de primeira linha do prolactinoma é farmacológico, com agonistas dopaminérgicos. A cabergolina é o fármaco de escolha por sua maior eficácia e melhor tolerabilidade em relação à bromocriptina. Esses medicamentos reduzem a secreção de prolactina e promovem redução do volume tumoral na maioria dos casos, inclusive em microadenomas. A cirurgia transesfenoidal é indicada principalmente para macroadenomas com sintomas compressivos, intolerância ou resistência aos agonistas dopaminérgicos, ou em casos de apoplexia hipofisária. No microadenoma de 4 mm, a resposta ao tratamento clínico costuma ser excelente, e a cirurgia não é a primeira opção.
A conduta expectante com monitoramento semestral, sem terapia medicamentosa, pode ser considerada em casos de microprolactinomas assintomáticos, sem galactorreia, sem distúrbios menstruais e sem desejo de engravidar. No entanto, a paciente do enunciado é sintomática (galactorreia espontânea e ciclos irregulares), o que justifica o tratamento medicamentoso. A preservação da fertilidade é uma preocupação legítima, mas o tratamento com agonistas dopaminérgicos, ao normalizar a prolactina e restaurar a ovulação, geralmente restaura a fertilidade naturalmente — não havendo indicação rotineira de criopreservação oocitária antes do início do tratamento.
A alternativa C sintetiza corretamente o princípio da individualização terapêutica: a estratégia depende da correlação entre o nível de prolactina (que orienta a suspeita de prolactinoma e o acompanhamento), o tamanho do tumor (que define risco de compressão e necessidade de cirurgia) e a função gonadal (que reflete o impacto clínico e o desejo reprodutivo). É essa tríade que guia a decisão entre tratamento medicamentoso, cirurgia ou conduta expectante.
Prolactinoma: conduta individualizada
1Fatores que guiam a decisão
Nível de prolactina
Tamanho do tumor
Função gonadal
2Tratamento de 1ª linha
Agonistas dopaminérgicos
Cabergolina
Bromocriptina
3Cirurgia (exceção)
Intolerância/resistência
Sintomas compressivos
4Conduta expectante
Só se assintomático
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o nível de prolactina de 85 ng/mL determina necessariamente tratamento cirúrgico do microadenoma, independentemente da resposta ao tratamento medicamentoso. Isso contraria a conduta padrão: o tratamento de primeira linha do prolactinoma é clínico, com agonistas dopaminérgicos, e a cirurgia é reservada para casos de intolerância, resistência ao tratamento ou sintomas compressivos. O nível de prolactina isolado não indica cirurgia — pelo contrário, níveis moderadamente elevados com microadenoma têm excelente resposta ao tratamento clínico.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que a galactorreia espontânea contraindica o uso de agonistas dopaminérgicos, exigindo supressão farmacológica da lactação antes do tratamento. É exatamente o oposto: a galactorreia é uma manifestação da hiperprolactinemia, e os agonistas dopaminérgicos são o tratamento de escolha, pois reduzem a prolactina e, consequentemente, a galactorreia. Não há contraindicação ao uso desses fármacos na presença de galactorreia — eles são a terapia causal. A supressão farmacológica da lactação (com cabergolina ou bromocriptina) é justamente o mecanismo de ação dos agonistas dopaminérgicos, não uma etapa prévia separada.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa está correta ao afirmar que a investigação deve correlacionar níveis de prolactina, tamanho do tumor e função gonadal para estabelecer a estratégia terapêutica individualizada. Essa é a abordagem recomendada: a decisão entre tratamento medicamentoso, cirurgia ou conduta expectante depende da análise conjunta desses três fatores. No caso, a paciente tem prolactina de 85 ng/mL, microadenoma de 4 mm e ciclos irregulares (função gonadal comprometida) — o que indica tratamento com agonistas dopaminérgicos, com excelente prognóstico.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que adenoma inferior a 5 mm indica conduta expectante com monitoramento semestral, sendo dispensável terapia medicamentosa inicial. A conduta expectante pode ser considerada em microprolactinomas assintomáticos, mas a paciente é sintomática (galactorreia espontânea e ciclos irregulares), o que justifica o tratamento medicamentoso. O tamanho do tumor isoladamente não define a conduta — a presença de sintomas e o desejo reprodutivo são determinantes. Além disso, o monitoramento semestral não é a regra para todos os casos; a frequência do acompanhamento é individualizada.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que a nuliparidade exige necessariamente preservação da fertilidade por criopreservação oocitária antes do início do tratamento com agonistas dopaminérgicos. Não há essa exigência: o tratamento com agonistas dopaminérgicos, ao normalizar a prolactina, geralmente restaura a ovulação e a fertilidade naturalmente. A criopreservação oocitária é indicada em situações específicas, como antes de tratamentos gonadotóxicos (quimioterapia, radioterapia) ou cirurgias que possam comprometer a função ovariana — não é uma etapa obrigatória antes do tratamento clínico do prolactinoma.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre o tratamento do prolactinoma e o de outros tumores hipofisários. No prolactinoma, o tratamento de primeira linha é clínico (agonistas dopaminérgicos), e a cirurgia é exceção — diferente de outros adenomas hipofisários, como o acromegálico, em que a cirurgia transesfenoidal é o tratamento principal. A alternativa A inverte essa lógica, e a B inventa uma contraindicação que não existe. Fique atento: galactorreia + prolactina elevada + microadenoma = tratamento clínico, não cirúrgico.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de hiperprolactinemia, monte o raciocínio em três passos: (1) confirmar o diagnóstico e afastar causas secundárias (medicamentos, hipotireoidismo, gestação); (2) avaliar o tamanho do tumor na ressonância (micro < 10 mm, macro ≥ 10 mm); (3) decidir a conduta pela presença de sintomas e desejo reprodutivo. Se a paciente é sintomática, o tratamento é com agonistas dopaminérgicos — a cirurgia fica para casos de resistência, intolerância ou sintomas compressivos. Essa sequência resolve a maioria das questões do tema.