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Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — Avança SP 2025

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
qg416507
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Caieiras - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Ginecologista
Em relação à investigação de paciente feminina, 28 anos, com irregularidade menstrual, acne moderada em face e tronco, índice de Ferriman- Gallwey de 12 pontos e ultrassonografia evidenciando ovários com volume aumentado e múltiplos folículos periféricos, apresentando testosterona total de 98ng/dL e DHEA-S de 380μg/dL, analise a correlação entre achados laboratoriais e conduta:
  1. AA elevação isolada da testosterona total determina necessariamente investigação de tumor ovariano através de ressonância magnética, independentemente do quadro clínico.
  2. BOs níveis de DHEA-S dentro da faixa de referência excluem origem adrenal do hiperandrogenismo, dispensando investigação complementar desta glândula.
  3. CA avaliação do hiperandrogenismo deve incluir análise da biodisponibilidade androgênica através da globulina ligadora de hormônios sexuais e testosterona livre calculada.
  4. DO padrão ultrassonográfico ovariano confirma isoladamente a síndrome dos ovários policísticos, sendo dispensável a investigação de outras causas de hiperandrogenismo.
  5. EA presença de manifestações cutâneas evidentes dispensa a quantificação hormonal para confirmação diagnóstica de estados hiperandrogênicos.
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GabaritoC — A avaliação do hiperandrogenismo deve incluir análise da biodisponibilidade androgênica através da globulina ligadora de hormônios sexuais e testosterona livre calculada.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hiperandrogenismo e Síndrome dos Ovários Policísticos: avaliação diagnóstica

Gabarito: letra C. A avaliação do hiperandrogenismo não se limita à dosagem da testosterona total: é essencial analisar a biodisponibilidade androgênica, o que envolve a dosagem da globulina ligadora de hormônios sexuais (SHBG) e o cálculo da testosterona livre ou do índice de androgênios livres. As demais alternativas apresentam erros conceituais graves, como a exclusão de causas adrenais com base em um único valor de DHEA-S ou a confirmação diagnóstica de SOP apenas pelo ultrassom.

O hiperandrogenismo é uma condição caracterizada pelo excesso de ação androgênica, que pode se manifestar clinicamente por acne, hirsutismo (avaliado pelo índice de Ferriman-Gallwey), alopecia e irregularidade menstrual. A investigação laboratorial é fundamental para identificar a origem do excesso androgênico — ovariana, adrenal ou mista — e para afastar causas mais graves, como tumores secretores de andrógenos. A testosterona total, embora seja o andrógeno mais comumente dosado, não reflete a fração biologicamente ativa, pois grande parte circula ligada à SHBG e à albumina. Apenas a testosterona livre (ou o índice de androgênios livres, calculado pela razão testosterona total/SHBG) representa a fração que exerce efeito nos tecidos-alvo. Por isso, a avaliação completa do hiperandrogenismo inclui a dosagem de SHBG e o cálculo da testosterona livre, como corretamente afirma a alternativa C.

A síndrome dos ovários policísticos (SOP) é o diagnóstico mais comum de hiperandrogenismo na mulher em idade reprodutiva. Seu diagnóstico, segundo os critérios de Rotterdam, exige a presença de pelo menos dois dos três critérios: (1) oligo/anovulação, (2) hiperandrogenismo clínico e/ou bioquímico, e (3) ovários policísticos à ultrassonografia. É fundamental que o diagnóstico seja feito após a exclusão de outras causas de hiperandrogenismo, como hiperplasia adrenal congênita não clássica, síndrome de Cushing, tumores secretores de andrógenos e uso de medicamentos. O padrão ultrassonográfico de ovários policísticos, isoladamente, não confirma o diagnóstico, pois pode estar presente em mulheres sem SOP e em adolescentes normais. Da mesma forma, a presença de manifestações cutâneas (acne, hirsutismo) não dispensa a quantificação hormonal, pois a gravidade clínica não se correlaciona diretamente com os níveis séricos de andrógenos.

A investigação de tumores secretores de andrógenos é indicada em situações específicas, como início abrupto e rápida progressão dos sintomas, virilização, testosterona total muito elevada (geralmente acima de 200 ng/dL) ou DHEA-S muito elevado. A elevação isolada da testosterona total, sem outros sinais de alarme, não determina necessariamente a investigação com ressonância magnética. O DHEA-S é um marcador de origem adrenal, mas níveis dentro da faixa de referência não excluem completamente a origem adrenal do hiperandrogenismo, pois outras causas adrenais (como a hiperplasia adrenal congênita não clássica) podem apresentar DHEA-S normal, sendo necessária a dosagem de 17-hidroxiprogesterona para investigação.

A banca explora a confusão entre os conceitos de testosterona total e testosterona livre, e entre a necessidade de investigação complementar versus a confirmação diagnóstica isolada por um único exame. O candidato que memoriza apenas que "testosterona alta = tumor" ou que "DHEA-S normal = adrenal normal" cai nas alternativas A e B. A alternativa C é a única que reflete a prática clínica baseada em evidências, que valoriza a avaliação da biodisponibilidade androgênica.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A elevação isolada da testosterona total não determina necessariamente a investigação de tumor ovariano com ressonância magnética. A investigação de tumores secretores de andrógenos é guiada por critérios clínicos e laboratoriais, como início abrupto dos sintomas, virilização, testosterona total acima de 200 ng/dL ou DHEA-S acima de 700 μg/dL. No caso apresentado, a testosterona total de 98 ng/dL é apenas discretamente elevada e o quadro clínico é compatível com SOP, não justificando a realização de ressonância magnética de forma obrigatória. A alternativa erra ao tornar a investigação de tumor uma consequência automática da elevação isolada da testosterona, ignorando o contexto clínico.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Os níveis de DHEA-S dentro da faixa de referência não excluem a origem adrenal do hiperandrogenismo. O DHEA-S é um marcador de produção adrenal, mas a hiperplasia adrenal congênita não clássica, por exemplo, pode apresentar DHEA-S normal, sendo diagnosticada pela dosagem da 17-hidroxiprogesterona. A alternativa erra ao afirmar que um único valor normal de DHEA-S dispensa a investigação complementar da glândula adrenal, o que contraria a conduta clínica adequada.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A avaliação do hiperandrogenismo deve incluir a análise da biodisponibilidade androgênica, o que envolve a dosagem da SHBG e o cálculo da testosterona livre ou do índice de androgênios livres. A testosterona total não reflete a fração biologicamente ativa, pois grande parte circula ligada à SHBG. A testosterona livre é a fração que exerce efeito nos tecidos-alvo, sendo essencial para a avaliação do hiperandrogenismo. A alternativa está correta ao destacar a importância da SHBG e da testosterona livre calculada na investigação.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O padrão ultrassonográfico de ovários policísticos não confirma isoladamente a síndrome dos ovários policísticos. O diagnóstico de SOP, segundo os critérios de Rotterdam, exige a presença de pelo menos dois dos três critérios (oligo/anovulação, hiperandrogenismo clínico e/ou bioquímico, e ovários policísticos à ultrassonografia), além da exclusão de outras causas de hiperandrogenismo. A alternativa erra ao afirmar que o ultrassom é suficiente para o diagnóstico, dispensando a investigação de outras causas.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A presença de manifestações cutâneas evidentes (acne, hirsutismo) não dispensa a quantificação hormonal para confirmação diagnóstica de estados hiperandrogênicos. A avaliação clínica é importante, mas a confirmação diagnóstica requer a dosagem de andrógenos séricos, como testosterona total, testosterona livre, SHBG, DHEA-S e, em alguns casos, 17-hidroxiprogesterona. A alternativa erra ao afirmar que a clínica é suficiente, ignorando a necessidade de investigação laboratorial.

Gabarito: letra C

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