Em relação à análise pericial de uma cena de morte violenta em ambiente fechado, apresentando vítima em posição de decúbito ventral, com livores fixados em face anterior do tórax e abdome, rigidez cadavérica generalizada e temperatura retal 6°C abaixo da temperatura ambiente (22°C), múltiplas equimoses e escoriações em diferentes estágios de evolução, analise a correlação entre achados tanatológicos e interpretação técnica:
AA distribuição dos livores cadavéricos indica necessariamente que o corpo não foi movimentado após a morte, independentemente do intervalo post mortem estimado.
BA temperatura corporal apresentada estabelece intervalo post mortem de 12 horas, considerando exclusivamente o nomograma de Henssge, sem necessidade de fatores de correção.
CAs lesões em diferentes estágios evolutivos sugerem cronologia única de trauma, sendo dispensável documentação fotográfica sequencial durante o exame perinecroscópico.
DO estabelecimento da cronotanatognose deve integrar fenômenos cadavéricos abióticos e transformativos, considerando fatores ambientais e circunstanciais específicos.
EA rigidez cadavérica generalizada determina tempo de morte entre 8-12 horas, independentemente das condições ambientais e características individuais da vítima.
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GabaritoD — O estabelecimento da cronotanatognose deve integrar fenômenos cadavéricos abióticos e transformativos, considerando fatores ambientais e circunstanciais específicos.
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Tanatologia Forense: Cronotanatognose
Gabarito: letra D. O estabelecimento da hora da morte (cronotanatognose) deve integrar fenômenos abióticos (livor, rigor, algor) e transformativos (putrefação), considerando fatores ambientais e individuais – exatamente o que a alternativa D afirma.
Análise das alternativas
Alternativa A — ❌ Incorreta
A distribuição dos livores cadavéricos não indica necessariamente que o corpo não foi movimentado após a morte: se os livores estão fixados (após cerca de 12 h), a movimentação posterior não os desloca, mas antes da fixação eles podem mudar com a posição. A afirmativa ignora essa janela temporal.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A temperatura retal de 6 °C abaixo da ambiente (22 °C → 16 °C) não permite fixar o intervalo post mortem em exatas 12 horas. O nomograma de Henssge exige correções (peso, vestuário, ventilação) e fornece um intervalo probabilístico, não um valor pontual.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Lesões em diferentes estágios evolutivos (equimoses de cores distintas, escoriações com crostas em fases variadas) sugerem traumas em momentos distintos, e não cronologia única. Além disso, a documentação fotográfica sequencial é indispensável para registro pericial.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A cronotanatognose é determinada pela avaliação integrada de fenômenos abióticos (algor, livor, rigor) e transformativos (putrefação, etc.), sempre ponderando as circunstâncias ambientais (temperatura, umidade, ventilação) e características do corpo (biótipo, causa da morte). A alternativa reflete esse princípio.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A rigidez cadavérica generalizada é influenciada por temperatura ambiente, atividade muscular pré-morte, doenças, etc. Não se fixa em um intervalo de 8–12 h independente de condições – em ambientes frios pode instalar-se mais tarde e durar mais, em quentes pode acelerar-se.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de tanatologia, desconfie de alternativas que usam palavras como "necessariamente", "independentemente" ou que atribuem tempos fixos a fenômenos variáveis. A cronologia da morte é sempre uma estimativa multifatorial.