Questão de Medicina — Oftalmologia — Avança SP 2025
Medicina›Oftalmologia
Código
qg416525
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Caieiras - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Oftalmologista
As forias são desvios oculares que se tornam evidentes sob condições específicas. Qual das seguintes afirmações sobre as forias está correta?
AForias podem ser detectadas apenas durante a avaliação da visão binocular e não são visíveis em exames rotineiros.
BForias são desvios oculares constantes que sempre requerem tratamento cirúrgico.
CA foria convergente ocorre quando os olhos tendem a se desviar para fora em condições de relaxamento.
DForias são frequentemente associadas a anormalidades na musculatura extrínseca ocular
EA presença de foria não afeta a percepção visual do paciente em condições normais.
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GabaritoA — Forias podem ser detectadas apenas durante a avaliação da visão binocular e não são visíveis em exames rotineiros.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Forias e heteroforias: desvios oculares latentes
Gabarito: letra A. A foria (ou heteroforia) é um desvio ocular latente, compensado pela fusão binocular na maior parte do tempo — por isso só se torna evidente quando a visão binocular é interrompida, como no teste de cobertura (cover test) ou na oclusão de um olho. As demais alternativas invertem conceitos: foria não é desvio constante, não exige tratamento cirúrgico, a foria convergente (esoforia) desvia para dentro, e a foria pode sim estar associada a anormalidades da musculatura extrínseca.
A foria é um dos dois grandes grupos de desvios oculares, e a fronteira entre eles é exatamente o que esta questão testa. Quando há desvio dos eixos visuais para um mesmo ponto de fixação, mas com compensação dada pelos mecanismos de fusão binocular na maior parte do tempo, utiliza-se o nome de heteroforia (foria). No caso de o desvio dos eixos visuais não estar compensado, o desvio é chamado heterotropia ou estrabismo. Em outras palavras: a foria é um desvio latente — o olho tende a desviar, mas a fusão binocular corrige essa tendência na maioria das situações; a tropia é um desvio manifesto, presente o tempo todo.
Essa distinção tem consequências clínicas diretas. Como a foria é compensada pela fusão, o paciente geralmente não percebe o desvio e não apresenta diplopia (visão dupla) em condições normais — a fusão binocular mantém os eixos alinhados. O desvio só se manifesta quando a fusão é interrompida, por exemplo, ao ocluir um olho durante o exame. É por isso que a detecção da foria depende de testes específicos, como o teste de cobertura alternada, e não da simples observação do paciente.
A nomenclatura das forias segue a direção do desvio: esoforia é a tendência do olho a desviar para dentro (nasal), exoforia é a tendência a desviar para fora (temporal), e há ainda hiperforia (para cima) e hipoforia (para baixo). A foria convergente, portanto, é a esoforia — o desvio para dentro, não para fora como afirma a alternativa C. Essa inversão de direção é uma pegadinha clássica.
Quanto ao tratamento, a foria em geral não requer cirurgia. A maioria das forias é assintomática e não precisa de tratamento algum. Quando sintomáticas (causando astenopia, cefaleia ou visão borrada), o tratamento inicial é conservador: correção de erros refrativos, exercícios ortópticos (treinamento de fusão e vergência) e, em alguns casos, prismas. A cirurgia é reservada para casos raros e específicos, geralmente quando há tropia associada ou forias de grande magnitude que não respondem ao tratamento clínico. A alternativa B, que afirma que forias "sempre requerem tratamento cirúrgico", é duplamente errada: nem sempre requerem tratamento, e quando requerem, raramente é cirúrgico.
A alternativa D afirma que forias são "frequentemente associadas a anormalidades na musculatura extrínseca ocular". Essa afirmação é verdadeira em essência — as forias decorrem de desequilíbrios na ação dos músculos extraoculares — mas a banca a considerou incorreta no contexto da questão. A razão é que a alternativa A é a mais precisa e completa: ela descreve corretamente a característica definidora da foria (desvio latente, detectável apenas na avaliação da visão binocular). A alternativa D, embora não seja falsa, é menos específica e poderia ser interpretada como sugerindo que a foria é uma doença muscular, quando na verdade é uma condição funcional compensada pela fusão. A banca optou pela alternativa que melhor define o conceito.
A alternativa E afirma que "a presença de foria não afeta a percepção visual do paciente em condições normais". Isso é verdadeiro na maioria dos casos — a fusão binocular compensa o desvio e o paciente não percebe alteração. No entanto, a banca considerou essa alternativa incorreta. A justificativa é que a foria pode sim afetar a percepção visual em condições de fadiga, estresse ou quando a fusão é sobrecarregada, causando sintomas como astenopia, visão borrada ou até diplopia transitória. Além disso, a alternativa A é mais diretamente relacionada à definição de foria, enquanto a E faz uma afirmação mais ampla e menos precisa.
A pegadinha central desta questão é a inversão de conceitos entre foria e tropia, e entre esoforia e exoforia. O candidato que confunde foria com estrabismo (tropia) tende a marcar a alternativa B (desvio constante) ou a alternativa E (não afeta a percepção). O candidato que confunde a direção do desvio tende a marcar a alternativa C. A alternativa A é a única que descreve corretamente a característica essencial da foria: ser um desvio latente, detectável apenas quando a visão binocular é interrompida.
NÃO CAIA NESSA!
A banca inverte os conceitos de foria e tropia, e de esoforia e exoforia. A foria é um desvio latente (compensado pela fusão), não um desvio constante; a esoforia desvia para dentro, não para fora. O candidato que confunde esses pares cai nas alternativas B, C e E. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪
Característica
Foria (Heteroforia)
Tropia (Estrabismo)
Desvio
Latente (compensado pela fusão binocular)
Manifesto (presente o tempo todo)
Detecção
Apenas com interrupção da fusão (ex.: cover test)
Visível em exame rotineiro
Diplopia
Geralmente ausente (fusão compensa)
Frequentemente presente
Tratamento
Conservador (óculos, ortóptica, prismas); cirurgia é exceção
Pode exigir cirurgia, dependendo da causa
Desvios oculares: Heteroforia (foria) (Desvio latente, Compensado pela fusão binocular, Detectado no cover test); Heterotropia (tropia) (Desvio manifesto, Presente o tempo todo, Estrabismo); Direção do desvio (Esoforia (para dentro), Exoforia (para fora), Hiperforia (para cima), Hipoforia (para baixo))
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa A afirma que "forias podem ser detectadas apenas durante a avaliação da visão binocular e não são visíveis em exames rotineiros". Isso está correto. A foria é um desvio latente, compensado pela fusão binocular na maior parte do tempo. Para detectá-la, é necessário interromper a fusão — por exemplo, com o teste de cobertura (cover test) ou oclusão de um olho — e observar se o olho desviado se move para fixar o objeto. Em exames rotineiros, sem essa manobra específica, o desvio não se manifesta. A alternativa espelha exatamente a definição de heteroforia: desvio ocular latente, compensado pela fusão.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que "forias são desvios oculares constantes que sempre requerem tratamento cirúrgico". Dois erros: (1) foria não é desvio constante — é latente, compensado pela fusão; desvio constante é a tropia (estrabismo); (2) foria não "sempre" requer tratamento cirúrgico — a maioria é assintomática e não requer tratamento; quando sintomática, o tratamento é conservador (óculos, exercícios ortópticos, prismas), e a cirurgia é exceção. A alternativa confunde foria com tropia e exagera na indicação cirúrgica.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que "a foria convergente ocorre quando os olhos tendem a se desviar para fora em condições de relaxamento". Inversão de direção: foria convergente é a esoforia, em que os olhos tendem a desviar para dentro (nasal). O desvio para fora (temporal) é a exoforia. A alternativa troca o sentido do desvio — pegadinha clássica de nomenclatura.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que "forias são frequentemente associadas a anormalidades na musculatura extrínseca ocular". Embora as forias decorram de desequilíbrios na ação dos músculos extraoculares, a banca considerou esta alternativa incorreta no contexto da questão. A razão é que a alternativa A é a mais precisa e completa — descreve a característica definidora da foria (desvio latente, detectável apenas na avaliação da visão binocular). A alternativa D, embora não seja falsa, é menos específica e poderia sugerir que a foria é uma doença muscular, quando na verdade é uma condição funcional compensada pela fusão. A banca optou pela alternativa que melhor define o conceito.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que "a presença de foria não afeta a percepção visual do paciente em condições normais". Embora seja verdade que a maioria das forias é assintomática em condições normais, a banca considerou esta alternativa incorreta. A justificativa é que a foria pode sim afetar a percepção visual em condições de fadiga, estresse ou sobrecarga da fusão, causando astenopia, visão borrada ou diplopia transitória. Além disso, a alternativa A é mais diretamente relacionada à definição de foria, enquanto a E faz uma afirmação mais ampla e menos precisa.