Neurite óptica na esclerose múltipla: quadro clínico clássico
Gabarito: letra A. A neurite óptica associada à esclerose múltipla (EM) caracteriza-se por perda visual súbita e dolorosa, geralmente unilateral, com diminuição da acuidade visual e defeito pupilar aferente relativo (DPAR) — exatamente o que descreve a alternativa A. Esse quadro é o protótipo da neurite óptica desmielinizante, sendo a EM a causa mais comum de neurite óptica inflamatória em adultos jovens.
A neurite óptica é uma inflamação do nervo óptico, frequentemente de natureza desmielinizante. Na esclerose múltipla, a desmielinização atinge a bainha de mielina do nervo óptico, comprometendo a condução do impulso nervoso e levando aos sintomas clássicos. O quadro típico evolui ao longo de horas a dias, com dor retro-ocular que piora com a movimentação dos olhos, perda visual unilateral e alterações na visão de cores (dessaturação do vermelho). Ao exame, o defeito pupilar aferente relativo (DPAR) é um sinal objetivo e importante: quando a luz incide no olho afetado, a resposta pupilar é mais fraca do que quando incide no olho sadio, indicando lesão do nervo óptico.
A distinção entre neurite óptica e outras causas de perda visual é essencial. Enquanto a neurite óptica clássica é aguda, dolorosa e unilateral, outras condições apresentam características diferentes: a neuropatia óptica isquêmica anterior (NOIA) costuma ser indolor e ocorre em pacientes mais velhos; a neuropatia óptica compressiva é progressiva e indolor; a neurite óptica bilateral pode sugerir neuromielite óptica (doença de Devic). A tabela abaixo resume as principais diferenças:
Característica | Neurite óptica (EM) | NOIA | Compressão |
|---|
Início | Agudo (horas a dias) | Súbito | Gradual |
Dor | Sim (movimento ocular) | Geralmente não | Não |
Lateralidade | Unilateral (em geral) | Unilateral | Unilateral ou bilateral |
DPAR | Presente | Presente | Pode estar presente |
Idade típica | 20–40 anos | > 50 anos | Qualquer idade |
A banca explora a confusão entre neurite óptica e outras causas de perda visual, como glaucoma (visão em túnel, aumento da pressão intraocular), retinopatia hipertensiva (escotoma central associado a alterações retinianas) e hemorragia vítrea (perda súbita, mas sem inflamação do nervo óptico). A alternativa B, por exemplo, descreve perda visual gradual e indolor bilateral, que é mais compatível com neuropatia óptica compressiva ou tóxica, não com neurite óptica da EM.
O diagnóstico da neurite óptica é essencialmente clínico, mas a ressonância magnética (RM) de encéfalo e órbitas pode confirmar o envolvimento do nervo óptico (realce pelo contraste) e avaliar a presença de lesões desmielinizantes típicas de EM. O tratamento da crise aguda é feito com pulsoterapia com metilprednisolona intravenosa, que acelera a recuperação visual, embora não altere o resultado final. É importante lembrar que a prednisona oral isolada é contraindicada, pois aumenta o risco de recidivas.
Guarde o tripé clássico da neurite óptica desmielinizante: dor ao movimento ocular + perda visual unilateral + DPAR. É exatamente esse conjunto que a alternativa A descreve e que as demais alternativas distorcem.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa A descreve com precisão o quadro clássico da neurite óptica associada à esclerose múltipla: perda visual súbita e dolorosa, geralmente unilateral, com diminuição da acuidade visual e defeito pupilar aferente relativo. A dor retro-ocular exacerbada pelo movimento dos olhos é um sintoma característico, e o DPAR é um sinal objetivo de lesão do nervo óptico. A unilateralidade é a regra, embora casos bilaterais possam ocorrer, especialmente na neuromielite óptica.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa B descreve perda visual gradual e indolor, bilateral, com preservação da resposta pupilar à luz. Isso não corresponde à neurite óptica da EM, que é aguda, dolorosa e geralmente unilateral, com DPAR. A perda gradual e indolor bilateral é mais típica de neuropatia óptica compressiva (por exemplo, tumores do quiasma óptico) ou tóxica/nutricional. A preservação da resposta pupilar também contraria o esperado na neurite óptica, onde há defeito aferente.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa C descreve visão em túnel progressiva com aumento da pressão intraocular, que é o quadro clássico de glaucoma crônico, não de neurite óptica. O glaucoma é uma neuropatia óptica crônica associada à hipertensão ocular, com perda progressiva do campo visual periférico (visão em túnel) e escavação do disco óptico. Não há dor ocular ao movimento nem DPAR típico da neurite óptica inflamatória.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa D descreve hemorragia vítrea recorrente sem alterações inflamatórias no nervo óptico. A hemorragia vítrea é uma causa de perda visual súbita, mas está associada a condições como retinopatia diabética proliferativa, descolamento de retina ou trauma, não à neurite óptica. Na neurite óptica, o nervo óptico está inflamado, e a fundoscopia pode ser normal (neurite retrobulbar) ou mostrar edema de papila (papilite), mas não há hemorragia vítrea como característica.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa E descreve escotoma central associado a retinopatia hipertensiva. Embora o escotoma central possa ocorrer na neurite óptica, a associação com retinopatia hipertensiva é incorreta. A retinopatia hipertensiva é uma complicação da hipertensão arterial sistêmica, com alterações fundoscópicas como estreitamento arteriolar, hemorragias e exsudatos, e não é causa de neurite óptica. A neurite óptica da EM não está associada a retinopatia hipertensiva.
Gabarito: letra A