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Questão de Medicina — Oftalmologia — Avança SP 2025

MedicinaOftalmologia
Código
qg416529
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Caieiras - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Oftalmologista
Determine a característica clínica distintiva da neurite óptica associada à esclerose múltipla:
  1. APerda visual súbita e dolorosa, geralmente unilateral, com diminuição da acuidade visual e defeito pupilar aferente relativo.
  2. BPerda visual gradual e indolor, bilateral, com preservação da resposta pupilar à luz.
  3. CVisão em túnel progressiva com aumento da pressão intraocular.
  4. DHemorragia vítrea recorrente sem alterações inflamatórias no nervo óptico.
  5. EEscotoma central associado a retinopatia hipertensiva.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Perda visual súbita e dolorosa, geralmente unilateral, com diminuição da acuidade visual e defeito pupilar aferente relativo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Neurite óptica na esclerose múltipla: quadro clínico clássico

Gabarito: letra A. A neurite óptica associada à esclerose múltipla (EM) caracteriza-se por perda visual súbita e dolorosa, geralmente unilateral, com diminuição da acuidade visual e defeito pupilar aferente relativo (DPAR) — exatamente o que descreve a alternativa A. Esse quadro é o protótipo da neurite óptica desmielinizante, sendo a EM a causa mais comum de neurite óptica inflamatória em adultos jovens.

A neurite óptica é uma inflamação do nervo óptico, frequentemente de natureza desmielinizante. Na esclerose múltipla, a desmielinização atinge a bainha de mielina do nervo óptico, comprometendo a condução do impulso nervoso e levando aos sintomas clássicos. O quadro típico evolui ao longo de horas a dias, com dor retro-ocular que piora com a movimentação dos olhos, perda visual unilateral e alterações na visão de cores (dessaturação do vermelho). Ao exame, o defeito pupilar aferente relativo (DPAR) é um sinal objetivo e importante: quando a luz incide no olho afetado, a resposta pupilar é mais fraca do que quando incide no olho sadio, indicando lesão do nervo óptico.

A distinção entre neurite óptica e outras causas de perda visual é essencial. Enquanto a neurite óptica clássica é aguda, dolorosa e unilateral, outras condições apresentam características diferentes: a neuropatia óptica isquêmica anterior (NOIA) costuma ser indolor e ocorre em pacientes mais velhos; a neuropatia óptica compressiva é progressiva e indolor; a neurite óptica bilateral pode sugerir neuromielite óptica (doença de Devic). A tabela abaixo resume as principais diferenças:

Característica

Neurite óptica (EM)

NOIA

Compressão

Início

Agudo (horas a dias)

Súbito

Gradual

Dor

Sim (movimento ocular)

Geralmente não

Não

Lateralidade

Unilateral (em geral)

Unilateral

Unilateral ou bilateral

DPAR

Presente

Presente

Pode estar presente

Idade típica

20–40 anos

> 50 anos

Qualquer idade

A banca explora a confusão entre neurite óptica e outras causas de perda visual, como glaucoma (visão em túnel, aumento da pressão intraocular), retinopatia hipertensiva (escotoma central associado a alterações retinianas) e hemorragia vítrea (perda súbita, mas sem inflamação do nervo óptico). A alternativa B, por exemplo, descreve perda visual gradual e indolor bilateral, que é mais compatível com neuropatia óptica compressiva ou tóxica, não com neurite óptica da EM.

O diagnóstico da neurite óptica é essencialmente clínico, mas a ressonância magnética (RM) de encéfalo e órbitas pode confirmar o envolvimento do nervo óptico (realce pelo contraste) e avaliar a presença de lesões desmielinizantes típicas de EM. O tratamento da crise aguda é feito com pulsoterapia com metilprednisolona intravenosa, que acelera a recuperação visual, embora não altere o resultado final. É importante lembrar que a prednisona oral isolada é contraindicada, pois aumenta o risco de recidivas.

Guarde o tripé clássico da neurite óptica desmielinizante: dor ao movimento ocular + perda visual unilateral + DPAR. É exatamente esse conjunto que a alternativa A descreve e que as demais alternativas distorcem.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa A descreve com precisão o quadro clássico da neurite óptica associada à esclerose múltipla: perda visual súbita e dolorosa, geralmente unilateral, com diminuição da acuidade visual e defeito pupilar aferente relativo. A dor retro-ocular exacerbada pelo movimento dos olhos é um sintoma característico, e o DPAR é um sinal objetivo de lesão do nervo óptico. A unilateralidade é a regra, embora casos bilaterais possam ocorrer, especialmente na neuromielite óptica.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B descreve perda visual gradual e indolor, bilateral, com preservação da resposta pupilar à luz. Isso não corresponde à neurite óptica da EM, que é aguda, dolorosa e geralmente unilateral, com DPAR. A perda gradual e indolor bilateral é mais típica de neuropatia óptica compressiva (por exemplo, tumores do quiasma óptico) ou tóxica/nutricional. A preservação da resposta pupilar também contraria o esperado na neurite óptica, onde há defeito aferente.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C descreve visão em túnel progressiva com aumento da pressão intraocular, que é o quadro clássico de glaucoma crônico, não de neurite óptica. O glaucoma é uma neuropatia óptica crônica associada à hipertensão ocular, com perda progressiva do campo visual periférico (visão em túnel) e escavação do disco óptico. Não há dor ocular ao movimento nem DPAR típico da neurite óptica inflamatória.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D descreve hemorragia vítrea recorrente sem alterações inflamatórias no nervo óptico. A hemorragia vítrea é uma causa de perda visual súbita, mas está associada a condições como retinopatia diabética proliferativa, descolamento de retina ou trauma, não à neurite óptica. Na neurite óptica, o nervo óptico está inflamado, e a fundoscopia pode ser normal (neurite retrobulbar) ou mostrar edema de papila (papilite), mas não há hemorragia vítrea como característica.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E descreve escotoma central associado a retinopatia hipertensiva. Embora o escotoma central possa ocorrer na neurite óptica, a associação com retinopatia hipertensiva é incorreta. A retinopatia hipertensiva é uma complicação da hipertensão arterial sistêmica, com alterações fundoscópicas como estreitamento arteriolar, hemorragias e exsudatos, e não é causa de neurite óptica. A neurite óptica da EM não está associada a retinopatia hipertensiva.

Gabarito: letra A

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