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Questão de Medicina — Oftalmologia — Avança SP 2025

MedicinaOftalmologia
Código
qg416531
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Caieiras - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Oftalmologista
Um paciente de 45 anos, imunocompetente, comparece à consulta oftalmológica queixando- se de dor ocular, fotofobia e diminuição da acuidade visual no olho esquerdo. Ao exame, observa-se hiperemia conjuntival, midríase pupilar e turvação vítrea. Qual o diagnóstico mais provável e qual o principal método de investigação complementar indicado?
  1. AIrite; biomicroscopia com lâmpada de fenda.
  2. BCoroidite; angiografia fluoresceínica.
  3. CIridociclite; ultrassonografia ocular.
  4. DEsclerite; tomografia de coerência óptica.
  5. ENeurite óptica; ressonância magnética de órbita.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Iridociclite; ultrassonografia ocular.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Uveíte anterior: iridociclite e investigação complementar

Gabarito: letra C. O quadro descrito — dor ocular, fotofobia, baixa de acuidade visual, hiperemia conjuntival, midríase e turvação vítrea — é compatível com iridociclite, uma uveíte anterior que acomete íris e corpo ciliar; o principal método de investigação complementar é a ultrassonografia ocular, indicada para avaliar o segmento posterior quando há opacidade de meios (turvação vítrea) que impede a fundoscopia.

A iridociclite é a inflamação da íris e do corpo ciliar, estruturas da úvea anterior. É uma forma de uveíte anterior, condição geralmente associada a doenças infecciosas ou sistêmicas, como tuberculose, sífilis, herpes, toxoplasmose, sarcoidose, artrite reumatoide e espondiloartropatias soronegativas, especialmente a espondilite anquilosante. O quadro clínico típico inclui dor ocular, visão borrada, fotofobia e lacrimejamento. Ao exame, observa-se hiperemia pericorneana (perilimbar) de tom violáceo, e a pupila do olho afetado costuma estar pequena (miose), fixa e irregular — diferente do que o enunciado descreve, o que será analisado adiante.

O diagnóstico é essencialmente clínico, feito pela biomicroscopia com lâmpada de fenda, que revela células e flare na câmara anterior (tyndall). No entanto, quando há turvação de meios — como a turvação vítrea descrita — que impede a visualização do segmento posterior, a ultrassonografia ocular (USG modo B) torna-se o principal método complementar para avaliar o vítreo e a retina, afastando complicações como endoftalmite, descolamento de retina ou corpo estranho intraocular.

A distinção entre as uveítes é importante: a irite é a inflamação isolada da íris, enquanto a iridociclite envolve também o corpo ciliar. Na prática, o termo uveíte anterior engloba ambas, e a iridociclite é a forma mais comum. A coroidite, por sua vez, é uma uveíte posterior, que acomete a coroide e a retina, e sua investigação inicial é feita pela fundoscopia e, quando necessário, pela angiografia fluoresceínica. A esclerite é a inflamação da esclera, com dor intensa e hiperemia setorial, e a neurite óptica cursa com baixa visual aguda, dor à movimentação ocular e defeito pupilar aferente relativo, sem hiperemia conjuntival significativa.

A pegadinha desta questão está na descrição pupilar: o enunciado menciona midríase, mas o achado clássico da iridociclite é miose. A banca provavelmente inseriu esse dado para testar se o candidato conhece o quadro típico e não se deixa levar por um sinal isolado. O conjunto dos demais achados — dor, fotofobia, baixa visual, hiperemia perilimbar e turvação vítrea — aponta fortemente para iridociclite, e a midríase pode ocorrer em casos de sinéquias posteriores ou uso prévio de midriáticos, mas não é o padrão. O que decide a questão é o reconhecimento do quadro de uveíte anterior com opacidade de meios, que exige ultrassonografia para avaliação do segmento posterior.

Guarde a fronteira entre as uveítes e os métodos de imagem: uveíte anterior (irite/iridociclite) → biomicroscopia + USG se turvação; uveíte posterior (coroidite) → fundoscopia + angiografia; esclerite → exame clínico + OCT; neurite óptica → RNM de órbita. É exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.

Critério

Iridociclite (gabarito)

Irite

Coroidite

Esclerite

Neurite óptica

Estrutura acometida

Íris e corpo ciliar (úvea anterior)

Íris (úvea anterior)

Coroide e retina (úvea posterior)

Esclera

Nervo óptico

Sintomas típicos

Dor, fotofobia, baixa visual, lacrimejamento

Dor, fotofobia, visão borrada

Baixa visual, escotomas, sem dor intensa

Dor ocular intensa, hiperemia setorial

Baixa visual aguda, dor à movimentação ocular

Achados ao exame

Hiperemia perilimbar, miose (típica), turvação vítrea

Células e flare na câmara anterior (tyndall)

Alterações retinianas/coroideas à fundoscopia

Hiperemia escleral setorial ou difusa

Defeito pupilar aferente relativo

Método complementar principal

Ultrassonografia ocular (se turvação de meios)

Biomicroscopia com lâmpada de fenda

Fundoscopia + angiografia fluoresceínica

Exame clínico + OCT

Ressonância magnética de órbita

Uveítes
  • 1Anterior
    • Irite (íris)
    • Iridociclite (íris + corpo ciliar)
      • Biomicroscopia
      • Turvação vítrea → USG ocular
  • 2Posterior
    • Coroidite (coroide/retina)
      • Fundoscopia
      • Angiografia fluoresceínica
  • 3Esclerite (esclera)
    • OCT
  • 4Neurite óptica (nervo óptico)
    • RNM de órbita
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A irite é a inflamação isolada da íris, uma forma de uveíte anterior, e a biomicroscopia com lâmpada de fenda é o exame padrão para seu diagnóstico. Porém, o enunciado descreve turvação vítrea, que não é característica da irite isolada e sim de um processo mais extenso, como a iridociclite com envolvimento do vítreo. Além disso, a alternativa não menciona o método complementar adequado para avaliar o segmento posterior quando há opacidade de meios, que é a ultrassonografia. A irite não costuma cursar com turvação vítrea, e a biomicroscopia isolada não é suficiente para investigar o vítreo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A coroidite é uma uveíte posterior, que acomete a coroide e a retina, e a angiografia fluoresceínica é um método útil para avaliar a retina e a coroide. Porém, o quadro descrito — dor ocular, fotofobia, hiperemia conjuntival e midríase — é mais compatível com uveíte anterior, não com coroidite. A coroidite costuma cursar com baixa visual e escotomas, sem hiperemia conjuntival significativa nem dor ocular intensa. A turvação vítrea pode ocorrer, mas o conjunto dos achados aponta para iridociclite, não para coroidite.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A iridociclite é a inflamação da íris e do corpo ciliar, uma uveíte anterior. O quadro clínico — dor ocular, fotofobia, baixa de acuidade visual, hiperemia perilimbar e turvação vítrea — é compatível. A ultrassonografia ocular é o principal método complementar quando há opacidade de meios (turvação vítrea) que impede a fundoscopia, permitindo avaliar o vítreo, a retina e afastar complicações como endoftalmite ou descolamento de retina. A midríase descrita é um dado atípico, mas não exclui o diagnóstico diante do conjunto dos achados.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A esclerite é a inflamação da esclera, que cursa com dor ocular intensa, hiperemia setorial (ou difusa) e, em casos graves, baixa visual. Porém, não é característica a turvação vítrea, e a tomografia de coerência óptica (OCT) é um exame para avaliar a retina e o nervo óptico, não sendo o método de escolha para investigar esclerite ou uveíte com turvação vítrea. O quadro descrito é de uveíte anterior, não de esclerite.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A neurite óptica cursa com baixa visual aguda, dor à movimentação ocular e defeito pupilar aferente relativo, sem hiperemia conjuntival significativa nem turvação vítrea. A ressonância magnética de órbita é indicada para avaliar o nervo óptico, mas não é o método para investigar uveíte anterior. O quadro descrito — hiperemia, midríase e turvação vítrea — não é compatível com neurite óptica.

Gabarito: letra C

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