Questão de Medicina — Oftalmologia — Avança SP 2025
Medicina›Oftalmologia
Código
qg416534
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Caieiras - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Oftalmologista
Uma criança de 8 anos é levada à consulta oftalmológica por apresentar dificuldade de aprendizado e queixas de cefaleia frequente ao final do dia. Ao exame, apresenta acuidade visual de 20/40 em olho direito e 20/30 em olho esquerdo, esotropia intermitente e hipermetropia de +4,00 DE em ambos os olhos. Qual a principal consequência da hipermetropia não corrigida nesta criança e qual a conduta mais adequada?
AGlaucoma; encaminhar para tratamento com colírios hipotensores oculares.
BCatarata; encaminhar para avaliação e tratamento cirúrgico.
CDegeneração macular relacionada à idade (DMRI); orientar sobre hábitos de vida saudáveis e uso de suplementos vitamínicos.
DAmbliopia; prescrever óculos com correção total da hipermetropia.
ERetinopatia diabética; solicitar exames para investigar diabetes mellitus.
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GabaritoD — Ambliopia; prescrever óculos com correção total da hipermetropia.
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Hipermetropia na infância: ambliopia e correção óptica
Gabarito: letra D. A principal consequência da hipermetropia não corrigida nesta criança é a ambliopia, e a conduta mais adequada é a prescrição de óculos com correção total da hipermetropia. A criança apresenta esotropia intermitente, hipermetropia de +4,00 DE e acuidade visual reduzida, quadro clássico de risco ambliogênico, cujo tratamento de primeira linha é a correção óptica completa.
A hipermetropia é uma ametropia em que o olho é mais curto que o normal, fazendo com que a imagem de objetos próximos se forme atrás da retina. Para compensar, a criança utiliza a acomodação (esforço do músculo ciliar), o que pode causar cefaleia e, em casos de hipermetropia alta, levar à esotropia acomodativa. Quando essa condição não é corrigida na infância, o cérebro passa a suprimir a imagem do olho mais desfocado, resultando em ambliopia — a chamada "visão preguiçosa".
A ambliopia é a redução da acuidade visual sem causa orgânica aparente, que ocorre durante o período de desenvolvimento visual (até aproximadamente 8-10 anos). O tratamento precoce é essencial, pois após esse período a plasticidade cerebral diminui e a recuperação torna-se mais difícil. A conduta inicial é a correção óptica total com óculos, que elimina o estímulo para a acomodação e o desfoque retiniano, permitindo que a imagem nítida chegue à retina e o cérebro volte a utilizá-la.
É importante destacar que a ambliopia pode ser detectada pela diferença de acuidade visual entre os olhos (neste caso, 20/40 no olho direito e 20/30 no esquerdo) e pela melhora com optótipos isolados, como mencionado no contexto. O tratamento da ambliopia envolve a correção óptica, seguida, se necessário, de oclusão (tampão) ou penalização farmacológica do olho bom, mas a base é sempre a correção do erro refrativo.
A banca explora aqui a associação entre hipermetropia alta não corrigida e o desenvolvimento de ambliopia, além de testar o conhecimento sobre a conduta correta. As demais alternativas apresentam doenças oculares que não têm relação com a hipermetropia na infância, como glaucoma, catarata, DMRI e retinopatia diabética, que são condições de outras faixas etárias ou com outras etiologias.
Hipermetropia na infância
1Mecanismo
Olho mais curto → imagem atrás da retina
Compensação pela acomodação
Esforço ciliar → cefaleia
Alta hipermetropia → esotropia acomodativa
2Consequência da não correção
Ambliopia (visão preguiçosa)
Cérebro suprime imagem desfocada
Período crítico até 8-10 anos
3Tratamento
Correção óptica total (óculos)
Se necessário
oclusão (tampão) ou penalização farmacológica
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O glaucoma é uma neuropatia óptica progressiva, geralmente associada à elevação da pressão intraocular, e não é consequência da hipermetropia não corrigida. O tratamento com colírios hipotensores é indicado para o glaucoma, não para a hipermetropia. A criança não apresenta sinais de glaucoma, como olho vermelho, dor ou escavação do nervo óptico.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A catarata é a opacificação do cristalino, que causa diminuição da visão, mas não está relacionada à hipermetropia não corrigida. O tratamento cirúrgico é indicado para catarata, não para hipermetropia. A criança não apresenta opacificação do cristalino ao exame.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A degeneração macular relacionada à idade (DMRI) é uma doença degenerativa da mácula que ocorre em idosos, não em crianças. A conduta de orientar hábitos de vida saudáveis e suplementos vitamínicos é para DMRI, não para hipermetropia. A criança de 8 anos não tem DMRI.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A hipermetropia alta não corrigida na infância leva à ambliopia, pois o cérebro suprime a imagem desfocada de um dos olhos. A conduta mais adequada é a prescrição de óculos com correção total da hipermetropia, que proporciona imagem nítida na retina e permite o desenvolvimento visual normal. A criança apresenta esotropia intermitente, que é um sinal de esforço acomodativo, e acuidade visual reduzida, indicando risco ambliogênico.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A retinopatia diabética é uma complicação do diabetes mellitus, que causa danos aos vasos sanguíneos da retina. Não é consequência da hipermetropia não corrigida, e a criança não apresenta sinais de diabetes. A conduta de solicitar exames para investigar diabetes não se aplica a este caso.