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Questão de Medicina — Oftalmologia — Avança SP 2025

MedicinaOftalmologia
Código
qg416538
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Caieiras - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Oftalmologista
Em relação à avaliação de paciente com trauma ocular contuso apresentando hifema total, pressão intraocular de 45mmHg, acuidade visual de percepção luminosa, reflexo pupilar direto ausente e tomografia evidenciando descolamento de coroide em 360°, analise a correlação entre achados clínicos e conduta terapêutica:
  1. AA presença de hifema total exige lavagem imediata de câmara anterior, independentemente do tempo de evolução e níveis pressóricos.
  2. BO descolamento de coroide em 360° indica exclusivamente ruptura escleral posterior, dispensando avaliação ultrassonográfica complementar.
  3. CA pressão intraocular elevada contraindica o uso de agentes hipotensores que alterem o pH do humor aquoso, pelo risco de precipitação eritrocitária.
  4. DA ausência de reflexo pupilar direto determina necessariamente prognóstico desfavorável, independentemente da resposta ao tratamento inicial.
  5. EO exame de fundo de olho sob midríase deve ser realizado imediatamente, desconsiderando o risco de ressangramento.
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GabaritoC — A pressão intraocular elevada contraindica o uso de agentes hipotensores que alterem o pH do humor aquoso, pelo risco de precipitação eritrocitária.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Trauma ocular contuso: hifema, hipertensão ocular e conduta

Gabarito: letra C. Em trauma ocular contuso com hifema total, a pressão intraocular elevada (45 mmHg) contraindica o uso de agentes hipotensores que alterem o pH do humor aquoso, pois isso pode precipitar eritrócitos e agravar o quadro. A alternativa C está correta ao afirmar essa relação fisiopatológica, que é um dos pilares do manejo do hifema traumático.

O hifema é o acúmulo de sangue na câmara anterior do olho, geralmente decorrente de trauma contuso. A presença de hifema total, associada a pressão intraocular de 45 mmHg, configura uma emergência oftalmológica que exige conduta imediata e criteriosa. O manejo envolve controle pressórico, repouso, elevação da cabeceira e, em casos selecionados, intervenção cirúrgica. A decisão terapêutica, no entanto, não é automática: depende da evolução, dos níveis pressóricos e da presença de complicações como o descolamento de coroide.

A fisiopatologia do hifema traumático envolve a ruptura de vasos do corpo ciliar ou da íris, com sangramento para a câmara anterior. O sangue pode obstruir a malha trabecular, elevando a pressão intraocular. Em casos de hifema total, a visão fica comprometida, e a avaliação do segmento posterior é dificultada, exigindo exames complementares como a ultrassonografia. O descolamento de coroide, por sua vez, é uma complicação grave que pode estar associada a trauma contuso ou penetrante, e sua presença em 360° sugere acometimento extenso, mas não é exclusiva de ruptura escleral posterior.

A conduta no hifema traumático com hipertensão ocular inclui o uso de agentes hipotensores, como betabloqueadores tópicos, inibidores da anidrase carbônica e, em casos graves, agentes osmóticos. No entanto, a escolha do agente deve considerar o risco de precipitação eritrocitária, que ocorre quando o pH do humor aquoso é alterado, levando à formação de coágulos que podem obstruir ainda mais a drenagem. Por isso, a alternativa C está correta ao afirmar que a pressão intraocular elevada contraindica o uso de agentes hipotensores que alterem o pH do humor aquoso.

A avaliação do paciente com trauma ocular contuso deve ser sistemática, incluindo acuidade visual, reflexo pupilar, biomicroscopia, tonometria e exame de fundo de olho. A ausência de reflexo pupilar direto pode indicar lesão do nervo óptico ou neuropatia óptica traumática, mas não determina necessariamente prognóstico desfavorável, pois pode haver recuperação com o tratamento adequado. O exame de fundo de olho sob midríase deve ser realizado com cautela, considerando o risco de ressangramento, especialmente nas primeiras semanas após o trauma.

A alternativa C é a única que apresenta uma correlação fisiopatológica correta entre os achados clínicos e a conduta terapêutica. As demais alternativas contêm erros conceituais ou generalizações indevidas, como a indicação de lavagem imediata da câmara anterior, a exclusividade do descolamento de coroide como sinal de ruptura escleral, a determinação de prognóstico desfavorável pela ausência de reflexo pupilar e a realização imediata de fundo de olho sob midríase sem considerar o risco de ressangramento.

Hifema traumático
  • 1Fisiopatologia
    • Ruptura de vasos (corpo ciliar/íris)
    • Sangramento para câmara anterior
    • Obstrução da malha trabecular → ↑ PIO
  • 2Conduta
    • Controle pressórico
    • Repouso + elevação da cabeceira
    • Evitar agentes que alterem pH
      • precipitação eritrocitária
    • Cirurgia em casos selecionados
  • 3Complicações
    • Descolamento de coroide (360°)
    • Impregnação hemática da córnea
    • Ressangramento (risco com midríase)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A lavagem imediata da câmara anterior não é indicada em todos os casos de hifema total, independentemente do tempo de evolução e dos níveis pressóricos. A conduta cirúrgica é reservada para casos específicos, como hifema total com pressão intraocular incontrolável, hifema com duração prolongada ou presença de complicações como a impregnação hemática da córnea. A decisão deve ser individualizada, considerando a evolução clínica e a resposta ao tratamento clínico.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O descolamento de coroide em 360° não indica exclusivamente ruptura escleral posterior. Pode ocorrer em traumas contusos, cirurgias oculares ou doenças inflamatórias. A ultrassonografia é fundamental para avaliar a extensão do descolamento, a presença de hemorragia subcoroidal e a integridade do segmento posterior, especialmente quando a visualização direta é impossibilitada pelo hifema total.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A pressão intraocular elevada contraindica o uso de agentes hipotensores que alterem o pH do humor aquoso, pois isso pode precipitar eritrócitos e agravar a obstrução da malha trabecular. Agentes como a acetazolamida, que reduzem a produção de humor aquoso, podem alterar o pH e aumentar o risco de precipitação. Por isso, a escolha do agente hipotensor deve considerar esse risco, priorizando medicamentos que não alterem o pH, como betabloqueadores tópicos.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A ausência de reflexo pupilar direto não determina necessariamente prognóstico desfavorável, independentemente da resposta ao tratamento inicial. Pode indicar lesão do nervo óptico ou neuropatia óptica traumática, mas a recuperação é possível com o tratamento adequado, incluindo controle pressórico e, em casos selecionados, corticoterapia ou cirurgia descompressiva. O prognóstico deve ser avaliado individualmente, considerando a resposta ao tratamento.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O exame de fundo de olho sob midríase não deve ser realizado imediatamente, desconsiderando o risco de ressangramento. A midríase pode aumentar o risco de ressangramento, especialmente nas primeiras semanas após o trauma, e deve ser realizada com cautela, preferencialmente após controle da pressão intraocular e estabilização do quadro. Em casos de hifema total, a visualização do fundo de olho pode ser impossibilitada, exigindo exames complementares como a ultrassonografia.

Gabarito: letra C

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