Um paciente de 35 anos é encaminhado para realização de ultrassonografia escrotal devido à queixa de aumento de volume testicular esquerdo. Ao exame, observa-se uma imagem com conteúdo anecóico, delimitada por uma parede fina e ecogênica, localizada no interior do testículo esquerdo. Qual o diagnóstico mais provável e qual a conduta terapêutica recomendada?
ACisto de epidídimo; acompanhamento clínico e ultrassonográfico.
BVaricocele; realização de ultrassonografia Doppler.
CHidrocele; tratamento cirúrgico por excisão da túnica vaginal.
DHematocele; drenagem do conteúdo e acompanhamento clínico.
ETumor testicular; encaminhamento para orquiectomia.
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GabaritoA — Cisto de epidídimo; acompanhamento clínico e ultrassonográfico.
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Ultrassonografia escrotal: cisto de epidídimo e conduta
Gabarito: letra A. A imagem descrita — conteúdo anecóico, parede fina e ecogênica, localizada no interior do testículo — é o achado ultrassonográfico clássico de um cisto de epidídimo (ou cisto testicular/epididimário), uma lesão benigna e comum. A conduta recomendada é o acompanhamento clínico e ultrassonográfico, pois a maioria é assintomática e não requer intervenção. As demais alternativas descrevem outras patologias escrotais com achados e condutas distintos.
O cisto de epidídimo é uma lesão cística benigna que se origina no epidídimo, mas pode ser encontrada adjacente ou mesmo dentro do parênquima testicular. Na ultrassonografia, apresenta-se como uma imagem anecóica (sem ecos internos, ou seja, preenchida por líquido), com parede fina e ecogênica (refletindo o limite da lesão) e reforço acústico posterior (devido à transmissão facilitada do som pelo líquido). Essa combinação de características é praticamente patognomônica de uma lesão cística benigna, diferenciando-a de tumores sólidos, que são hipoecoicos ou heterogêneos, e de outras coleções líquidas.
A conduta para cistos de epidídimo assintomáticos e com características ultrassonográficas típicas é conservadora: acompanhamento clínico e ultrassonográfico periódico. A cirurgia (cistectomia ou excisão) é reservada para casos sintomáticos (dor, desconforto) ou quando há crescimento significativo. A preocupação principal é excluir malignidade, mas a imagem típica de cisto simples torna a vigilância segura.
É fundamental distinguir o cisto de epidídimo de outras massas escrotais, pois cada uma tem achados ultrassonográficos e condutas próprias:
Patologia
Achado ultrassonográfico
Conduta
Cisto de epidídimo
Anecóico, parede fina, reforço posterior
Acompanhamento clínico/US
Varicocele
Veias dilatadas (>2-3 mm) no plexo pampiniforme, com refluxo ao Doppler
Observação ou correção cirúrgica se sintomática/infertilidade
Hidrocele
Coleção anecóica ao redor do testículo, não intratesticular
Observação ou cirurgia (hidrocelectomia) se volumosa/sintomática
Hematocele
Coleção com ecos internos, septações, história de trauma
Drenagem ou cirurgia se organizada
Tumor testicular
Massa sólida, hipoecoica, heterogênea, com vascularização ao Doppler
Orquiectomia radical + estadiamento
A pegadinha desta questão está em associar a imagem anecóica intratesticular a um tumor ou a uma hidrocele. O candidato que não conhece a semiologia ultrassonográfica pode confundir a localização (intratesticular) com malignidade, mas a descrição de parede fina e conteúdo anecóico é de lesão cística benigna. A hidrocele, por sua vez, é uma coleção na túnica vaginal, ao redor do testículo, e não intratesticular.
Guarde a tríade ultrassonográfica do cisto simples — anecóico, parede fina, reforço posterior — e a localização: é ela que separa o cisto de epidídimo da hidrocele e do tumor. É exatamente esse critério que decide a questão.
Massas escrotais na US
1Intratesticular
Cístico (anecóico, parede fina)
Cisto de epidídimo → acompanhamento
Sólido (hipoecoico, vascularizado)
Tumor testicular → orquiectomia
2Extratesticular
Líquido ao redor do testículo
Hidrocele → observação/cirurgia
Veias dilatadas com refluxo
Varicocele → Doppler/observação
Coleção com ecos internos
Hematocele → drenagem
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A descrição ultrassonográfica é típica de cisto de epidídimo: imagem anecóica (líquida), com parede fina e ecogênica, localizada no testículo. A conduta para cistos assintomáticos e com características benignas é o acompanhamento clínico e ultrassonográfico, sem necessidade de intervenção imediata. A alternativa espelha corretamente o diagnóstico e a conduta.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A varicocele é a dilatação das veias do plexo pampiniforme, localizada no cordão espermático, acima do testículo, e não uma lesão cística intratesticular. Na ultrassonografia, aparece como estruturas tubulares anecóicas com fluxo ao Doppler, e não como uma imagem cística única com parede fina. A conduta não é apenas "realizar Doppler" — o Doppler é parte do exame, mas o diagnóstico e a conduta descritos não correspondem ao caso.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A hidrocele é uma coleção de líquido na túnica vaginal, ao redor do testículo, e não intratesticular. Na US, aparece como uma área anecóica circundando o testículo, sem parede própria. O tratamento cirúrgico (hidrocelectomia) é indicado apenas em casos volumosos ou sintomáticos, não como conduta inicial para todos os casos. A localização descrita no enunciado ("no interior do testículo") exclui a hidrocele.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A hematocele é uma coleção de sangue na túnica vaginal, geralmente pós-traumática. Na US, apresenta conteúdo com ecos internos, septações ou debris, e não um conteúdo anecóico homogêneo com parede fina. A conduta de drenagem pode ser necessária em casos agudos, mas não é a primeira opção e não corresponde ao quadro descrito, que é de lesão cística benigna.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O tumor testicular é a principal preocupação em massa testicular, mas sua aparência ultrassonográfica é de massa sólida, hipoecoica ou heterogênea, com vascularização ao Doppler — não uma imagem anecóica com parede fina. A conduta seria orquiectomia radical, mas apenas após confirmação diagnóstica (US + marcadores tumorais + eventual biópsia). A descrição do enunciado é de lesão cística benigna, não de tumor.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre lesão cística benigna e tumor testicular. O candidato que vê "massa intratesticular" já pensa em malignidade, mas a descrição de conteúdo anecóico com parede fina é o oposto do tumor sólido. A hidrocele também é um distrator clássico: ela é peritesticular, não intratesticular. Fique atento à localização e ao conteúdo da lesão — são os dois critérios que separam as patologias.
PEGA ESSA DICA!
Na ultrassonografia, memorize a tríade do cisto simples: anecóico + parede fina + reforço acústico posterior. Qualquer lesão com essas características é benigna, independentemente da localização. Para as massas escrotais, monte um quadro comparativo com a localização (intratesticular × extratesticular) e o conteúdo (cístico × sólido) — isso resolve a maioria das questões de imagem escrotal.