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Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — Avança SP 2025

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
qg416567
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Caieiras - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Ultrassonografista
Paciente de 32 anos, nuligesta, com queixa de dor pélvica crônica e dismenorreia. A ultrassonografia transvaginal evidenciou útero em anteversoflexão, com volume de 80 cm³, miométrio homogêneo e endométrio regular com espessura de 6 mm. No ovário esquerdo, identificou-se imagem cística unilocular de 2,5 cm de diâmetro, com paredes finas e conteúdo anecoico, sem septos ou vegetações. Considerando os achados ultrassonográficos, qual a principal hipótese diagnóstica para a imagem cística ovariana?
  1. ACisto folicular.
  2. BEndometrioma.
  3. CCisto dermoide.
  4. DCistadenoma seroso.
  5. ETeratoma.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Cisto folicular.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Cistos ovarianos: diagnóstico ultrassonográfico

Gabarito: letra A (cisto folicular). A imagem cística unilocular, de paredes finas, conteúdo anecoico, sem septos ou vegetações, em ovário de mulher em idade reprodutiva, é o padrão clássico de cisto folicular — um cisto funcional benigno que costuma regredir espontaneamente. As demais opções (endometrioma, cisto dermoide/teratoma e cistadenoma seroso) apresentam características ultrassonográficas distintas, como conteúdo heterogêneo, septações ou componentes sólidos.

Os cistos ovarianos são achados comuns na prática ginecológica e podem ser classificados em funcionais (folicular e de corpo lúteo) e não funcionais (endometrioma, cisto dermoide, cistadenomas, entre outros). Os cistos funcionais estão diretamente relacionados ao ciclo menstrual: o cisto folicular surge quando o folículo não se rompe para liberar o óvulo, acumulando líquido; o cisto de corpo lúteo forma-se após a ovulação, quando o corpo lúteo persiste e acumula conteúdo. Ambos são benignos e, na maioria dos casos, assintomáticos, sendo descobertos incidentalmente em exames de imagem. A ultrassonografia transvaginal é o exame de escolha para a avaliação inicial, permitindo caracterizar o tamanho, a parede, o conteúdo e a presença de septos ou vegetações — elementos essenciais para a suspeita diagnóstica.

A paciente do caso tem 32 anos, é nuligesta e apresenta dor pélvica crônica e dismenorreia. A ultrassonografia mostra útero em anteversoflexão, volume de 80 cm³ (dentro do esperado para uma nulípara, que costuma ter entre 50 e 90 cm³), miométrio homogêneo e endométrio regular com 6 mm (fase proliferativa ou secretora inicial). No ovário esquerdo, há uma imagem cística unilocular de 2,5 cm, com paredes finas e conteúdo anecoico, sem septos ou vegetações. Essas características são altamente sugestivas de cisto folicular, pois correspondem a um folículo em desenvolvimento que não ovulou. A ausência de septos, vegetações, conteúdo heterogêneo ou paredes espessas afasta, na prática, as demais hipóteses.

A distinção entre os tipos de cisto é fundamental para a conduta. O cisto folicular, por ser funcional, tende a regredir espontaneamente em um a dois ciclos menstruais, sendo o acompanhamento clínico e ultrassonográfico a conduta inicial na maioria dos casos. Já o endometrioma, também chamado de cisto de chocolate, é uma manifestação da endometriose e apresenta conteúdo espesso, homogêneo e de aspecto "vidro fosco" na ultrassonografia, além de estar frequentemente associado a dor pélvica crônica e dismenorreia — sintomas que a paciente apresenta, mas que não são suficientes para o diagnóstico, pois o padrão de imagem é decisivo. O cisto dermoide, ou teratoma cístico maduro, é um tumor de células germinativas que contém tecidos como pele, cabelo e gordura, aparecendo na ultrassonografia como lesão heterogênea, com componente sólido e áreas hiperecogênicas (gordura). O cistadenoma seroso é uma neoplasia epitelial benigna que pode ser unilocular, mas costuma ser maior (frequentemente > 5 cm) e pode apresentar septos finos, embora a ausência de septos não o exclua completamente; no entanto, a apresentação típica de cisto folicular em mulher jovem torna essa hipótese menos provável.

A banca explora a associação entre os sintomas (dor pélvica crônica e dismenorreia) e o diagnóstico de endometrioma, que é uma causa clássica desses sintomas. No entanto, o achado ultrassonográfico descrito — cisto unilocular, anecoico, de paredes finas — não é compatível com endometrioma, que apresenta conteúdo ecogênico homogêneo ("vidro fosco"). A questão exige que o candidato correlacione os achados de imagem com a hipótese diagnóstica mais provável, priorizando o padrão ultrassonográfico sobre a apresentação clínica. A presença de dor pélvica crônica e dismenorreia pode ser explicada por outras causas, como a própria dismenorreia primária ou endometriose peritoneal sem endometrioma, mas a imagem cística descrita é típica de cisto folicular.

Na prática clínica, a conduta diante de um cisto folicular em mulher em idade reprodutiva é conservadora: reavaliar com ultrassonografia após um ou dois ciclos menstruais, pois a maioria regride espontaneamente. A indicação cirúrgica é reservada para cistos que persistem, aumentam de tamanho ou apresentam características suspeitas (septos, vegetações, conteúdo heterogêneo, paredes espessas). No caso descrito, o cisto de 2,5 cm, com características benignas, não requer intervenção imediata, apenas seguimento.

Guarde a correlação entre o padrão ultrassonográfico e o tipo de cisto: é exatamente essa correspondência que separa as alternativas desta questão.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O cisto folicular é a hipótese mais provável. A ultrassonografia mostra imagem cística unilocular, de paredes finas, conteúdo anecoico, sem septos ou vegetações, em ovário de mulher em idade reprodutiva — características clássicas de cisto funcional. O tamanho de 2,5 cm é compatível, e a ausência de achados suspeitos (septos, vegetações, conteúdo heterogêneo) reforça o diagnóstico. Cistos foliculares são comuns, geralmente assintomáticos e tendem à regressão espontânea.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O endometrioma é um cisto de conteúdo espesso, homogêneo, com aspecto de "vidro fosco" na ultrassonografia, frequentemente associado a endometriose e dor pélvica. A imagem descrita — anecoica, de paredes finas, sem conteúdo heterogêneo — não é compatível. Embora a paciente tenha dor pélvica crônica e dismenorreia, sintomas típicos de endometriose, o padrão ultrassonográfico é decisivo e aponta para cisto folicular.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O cisto dermoide (teratoma cístico maduro) é um tumor de células germinativas que contém tecidos como pele, cabelo e gordura. Na ultrassonografia, apresenta-se como lesão heterogênea, com componente sólido e áreas hiperecogênicas (gordura), podendo ter calcificações. A imagem descrita — cística, anecoica, unilocular, sem componentes sólidos — não corresponde a essa entidade.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O cistadenoma seroso é uma neoplasia epitelial benigna do ovário. Embora possa ser unilocular e com conteúdo anecoico, costuma ser maior (frequentemente > 5 cm) e pode apresentar septos finos. Em uma mulher jovem, com cisto de 2,5 cm e características típicas de cisto funcional, a hipótese de cistadenoma seroso é menos provável, sendo o cisto folicular a principal suspeita.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O teratoma é sinônimo de cisto dermoide (teratoma cístico maduro) quando benigno. Como explicado na alternativa C, apresenta características ultrassonográficas distintas — conteúdo heterogêneo, componente sólido, áreas de gordura — que não estão presentes no caso descrito. Portanto, não é a hipótese mais provável.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta induzir o candidato a associar dor pélvica crônica e dismenorreia ao endometrioma, que é uma causa clássica desses sintomas. No entanto, o achado ultrassonográfico descrito — cisto unilocular, anecoico, de paredes finas — é incompatível com endometrioma, que apresenta conteúdo ecogênico homogêneo ("vidro fosco"). O padrão de imagem é o critério decisivo, não a clínica. Fique atento: a presença de sintomas sugestivos de endometriose não sobrepõe a evidência ultrassonográfica de cisto funcional.

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar os cistos ovarianos na ultrassonografia, observe o conteúdo e a parede: cisto folicular (anecoico, parede fina, unilocular), endometrioma (conteúdo homogêneo ecogênico, "vidro fosco"), cisto dermoide (heterogêneo, com gordura e calcificações), cistadenoma seroso (pode ser unilocular, mas geralmente maior, com septos finos). Memorize essas características e correlacione com a idade e o contexto clínico da paciente.

Gabarito: letra A.

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