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Questão de Medicina — Urologia — Avança SP 2025

MedicinaUrologia
Código
qg416584
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Caieiras - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Urologista
Em relação à avaliação urodinâmica de paciente masculino, 62 anos, com hiperatividade detrusora neurogênica pós-prostatectomia radical, apresentando contrações não inibidas de 40cmH₂O, complacência vesical de 12mL/cmH₂O, capacidade cistométrica máxima de 180mL, pressão de perda do detrusor de 35cmH₂O e EMG evidenciando dissinergia detrusor-esfincteriana, analise a correlação entre parâmetros urodinâmicos e risco de lesão do trato urinário superior:
  1. AA amplitude das contrações não inibidas determina isoladamente o risco de refluxo vesicoureteral, independentemente da complacência vesical.
  2. BO estudo miccional deve integrar pressão detrusora, complacência, padrão de contração e atividade esfincteriana para estratificação de risco e definição terapêutica.
  3. Ccapacidade cistométrica reduzida contraindica necessariamente o tratamento com antimuscarínicos, independentemente da função renal.
  4. DA pressão de perda do detrusor indica exclusivamente incompetência esfincteriana, sem correlação com disfunção vesical.
  5. EA presença de dissinergia determina necessariamente indicação de cistoplastia de aumento, independentemente da resposta ao tratamento conservador.
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GabaritoB — O estudo miccional deve integrar pressão detrusora, complacência, padrão de contração e atividade esfincteriana para estratificação de risco e definição terapêutica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Avaliação urodinâmica e risco de lesão do trato urinário superior

Gabarito: letra B. A estratificação de risco de lesão do trato urinário superior em paciente com hiperatividade detrusora neurogênica exige a análise integrada de múltiplos parâmetros urodinâmicos — pressão detrusora, complacência vesical, padrão de contração e atividade esfincteriana — e não de um único valor isolado. Essa é a abordagem consagrada na prática urológica e nas diretrizes de disfunção neurogênica do trato urinário inferior.

A avaliação urodinâmica (estudo urodinâmico — EUD) é o exame que avalia funcionalmente o trato urinário inferior, sendo essencial para definir a causa da disfunção, predizer a resposta ao tratamento e, sobretudo, identificar pacientes com risco de deterioração do trato urinário superior. No paciente neurogênico, o risco de lesão renal está diretamente relacionado à pressão de armazenamento elevada e sustentada, que compromete o fluxo sanguíneo renal e favorece o refluxo vesicoureteral e a hidronefrose.

Os parâmetros que definem esse risco são interdependentes. A complacência vesical (relação entre variação de volume e variação de pressão, em mL/cmH₂O) é um dos marcadores mais importantes: valores baixos, como os 12 mL/cmH₂O do caso, indicam bexiga pouco distensível, com pressões de enchimento elevadas mesmo em pequenos volumes. A pressão de perda do detrusor (pressão na qual ocorre perda urinária) reflete a pressão de armazenamento no momento do vazamento — quanto maior, maior o risco de transmissão dessa pressão ao rim. A capacidade cistométrica máxima reduzida (180 mL) e as contrações não inibidas de alta amplitude (40 cmH₂O) contribuem para o mesmo cenário de hipertensão vesical. A dissinergia detrusor-esfincteriana (contração simultânea do detrusor e do esfíncter) eleva ainda mais a pressão durante a micção, pois o esfíncter não relaxa, criando obstrução funcional.

Nenhum desses parâmetros, isoladamente, determina o risco. É a combinação deles — pressão de armazenamento elevada + complacência reduzida + dissinergia — que define o paciente de alto risco, que pode se beneficiar de intervenções mais agressivas (como cateterismo intermitente, antimuscarínicos, toxina botulínica ou, em casos refratários, cirurgia de aumento vesical). A decisão terapêutica, portanto, é sempre individualizada e baseada no conjunto de achados, não em um único valor.

A banca explora exatamente essa lógica: cada alternativa incorreta isola um parâmetro e o apresenta como determinante absoluto, quando a prática clínica exige visão integrada. Guarde o princípio: o risco de lesão do trato urinário superior é multifatorial e a avaliação urodinâmica deve ser interpretada como um todo — é esse critério que separa as alternativas.

1Parâmetros urodinâmicos
Pressão detrusora
Complacência vesical
Padrão de contração
Atividade esfincteriana
2Interpretação
Integrada (multifatorial)
Isolada (um único valor)
3Desfecho
Estratificação de risco
Definição terapêutica individualizada
Risco de lesão do trato urinário superior
LEVELsoulevel.com.br
Risco de lesão do trato urinário superior: Parâmetros urodinâmicos (Pressão detrusora, Complacência vesical, Padrão de contração, Atividade esfincteriana); Interpretação (Integrada (multifatorial), Isolada (um único valor)); Desfecho (Estratificação de risco, Definição terapêutica individualizada)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a amplitude das contrações não inibidas determina isoladamente o risco de refluxo vesicoureteral, independentemente da complacência. O erro está na palavra "isoladamente": o refluxo e a lesão renal dependem da pressão de armazenamento como um todo, que é influenciada pela complacência, pela capacidade e pela pressão de perda. Uma contração de 40 cmH₂O em uma bexiga complacente tem risco muito menor do que a mesma contração em uma bexiga de baixa complacência (como a do caso, 12 mL/cmH₂O). A amplitude é um fator, não o único.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa correta sintetiza a abordagem urodinâmica adequada: o estudo miccional deve integrar pressão detrusora, complacência, padrão de contração e atividade esfincteriana para estratificação de risco e definição terapêutica. É exatamente o que a prática clínica recomenda — a análise conjunta desses parâmetros permite identificar o paciente de alto risco (como o do caso, com complacência de 12 mL/cmH₂O, capacidade de 180 mL e dissinergia) e direcionar o tratamento de forma individualizada.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que a capacidade cistométrica reduzida contraindica necessariamente o tratamento com antimuscarínicos, independentemente da função renal. Não há essa contraindicação absoluta: a capacidade reduzida é uma indicação relativa, e os antimuscarínicos podem ser usados justamente para aumentar a capacidade funcional e reduzir a pressão de armazenamento. A função renal é um dos fatores a considerar, mas não torna o uso de antimuscarínicos proibido. A palavra "necessariamente" torna a afirmação incorreta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que a pressão de perda do detrusor indica exclusivamente incompetência esfincteriana, sem correlação com disfunção vesical. A pressão de perda do detrusor (VLPP — Valsalva Leak Point Pressure, ou DLPP — Detrusor Leak Point Pressure) reflete a pressão de armazenamento no momento da perda, que pode ocorrer por incompetência esfincteriana OU por hiperatividade detrusora. No caso, a perda ocorre por contração não inibida, não por incompetência esfincteriana. A palavra "exclusivamente" torna a afirmação incorreta.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que a presença de dissinergia determina necessariamente indicação de cistoplastia de aumento, independentemente da resposta ao tratamento conservador. A dissinergia é um fator de risco, mas o tratamento inicial é conservador: cateterismo intermitente limpo, antimuscarínicos, alfabloqueadores (para reduzir a resistência esfincteriana) e, em casos refratários, toxina botulínica. A cistoplastia de aumento é reservada para casos refratários ao tratamento clínico bem conduzido. A palavra "necessariamente" e a expressão "independentemente da resposta ao tratamento conservador" tornam a afirmação incorreta.

Gabarito: letra B — a avaliação urodinâmica deve ser interpretada de forma integrada, considerando todos os parâmetros para estratificar o risco de lesão do trato urinário superior e definir a terapêutica.

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