Questão de Medicina — Hematologia — Avança SP 2025
Medicina›Hematologia
Código
qg417761
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Cerquilho - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico da Estratégia da Saúde da Família
Qual é o principal achado fisiopatológico da beta-talassemia maior que leva à anemia grave em pacientes afetados?
AA produção excessiva de cadeias alfa leva à formação de hemoglobina fetal (HbF), que reduz a afinidade pelo oxigênio nos tecidos periféricos.
BA ausência de síntese das cadeias alfa resulta em eritropoiese ineficaz e destruição precoce dos eritrócitos na medula óssea.
CA redução ou ausência da síntese de cadeias beta de hemoglobina leva à formação de cadeias alfa em excesso, que se precipitam nos eritrócitos, causando sua destruição prematura.
DA produção aumentada de cadeias beta resulta em agregados que danificam a membrana dos eritrócitos, resultando em hemólise intravascular.
EA síntese aumentada de cadeias gama em substituição às cadeias beta resulta em eritropoiese acelerada, mas ineficaz, com maior destruição extravascular dos eritrócitos.
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GabaritoC — A redução ou ausência da síntese de cadeias beta de hemoglobina leva à formação de cadeias alfa em excesso, que se precipitam nos eritrócitos, causando sua destruição prematura.
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Fisiopatologia da beta-talassemia maior
Gabarito: letra C. Na beta-talassemia maior, a redução ou ausência da síntese de cadeias beta de hemoglobina leva ao acúmulo de cadeias alfa em excesso, que se precipitam nos eritrócitos e causam sua destruição prematura — tanto na medula óssea (eritropoiese ineficaz) quanto no sangue periférico (hemólise). Esse é o mecanismo central da anemia grave, conforme a fisiopatologia clássica das síndromes talassêmicas.
A hemoglobina normal do adulto (HbA) é um tetrâmero formado por duas cadeias alfa e duas cadeias beta. Na beta-talassemia, há um defeito genético que reduz ou elimina a produção das cadeias beta, enquanto as cadeias alfa continuam sendo sintetizadas normalmente. O resultado é um desequilíbrio: sobram cadeias alfa, que não encontram parceiras beta para formar a hemoglobina funcional. Essas cadeias alfa isoladas são instáveis e tendem a se agregar, formando precipitados que danificam a membrana dos eritrócitos e dos precursores eritroides.
Esse processo tem duas consequências principais. Primeiro, a eritropoiese ineficaz: muitos precursores eritroides morrem na medula óssea antes de se tornarem hemácias maduras, por causa da precipitação das cadeias alfa. Segundo, as hemácias que conseguem chegar ao sangue periférico têm vida curta, pois os precipitados tornam a membrana rígida e suscetível à destruição no baço (hemólise extravascular). A combinação desses dois mecanismos — eritropoiese ineficaz e hemólise periférica — é o que causa a anemia grave característica da beta-talassemia maior.
Para entender a diferença, vale comparar com a alfa-talassemia: nela, o defeito é na síntese das cadeias alfa, e o excesso de cadeias beta (ou gama, no feto) forma tetrâmeros como a hemoglobina H, que também são instáveis e causam hemólise, mas com quadro clínico geralmente mais leve. Na beta-talassemia, o excesso de cadeias alfa é particularmente tóxico, pois elas não formam tetrâmeros estáveis e precipitam com facilidade.
A banca explora exatamente essa inversão: trocar o tipo de cadeia deficiente (alfa por beta) ou o mecanismo (produção excessiva de beta em vez de alfa). A pegadinha está em reconhecer que, na beta-talassemia, o problema é a falta de cadeias beta e o acúmulo de cadeias alfa — e não o contrário.
Afirma que a produção excessiva de cadeias alfa leva à formação de hemoglobina fetal (HbF), que reduz a afinidade pelo oxigênio. Há dois erros: primeiro, na beta-talassemia não há produção excessiva de cadeias alfa — elas se acumulam por falta de cadeias beta, mas a síntese de alfa é normal. Segundo, a HbF não é formada a partir de cadeias alfa em excesso; ela é composta por duas cadeias alfa e duas cadeias gama, e sua produção é uma resposta compensatória, não causa da anemia. Além disso, a HbF tem maior afinidade pelo oxigênio, não menor.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Diz que a ausência de síntese das cadeias alfa resulta em eritropoiese ineficaz. Isso descreve a alfa-talassemia, não a beta-talassemia. Na beta-talassemia, a síntese de cadeias alfa está preservada; o defeito é na síntese das cadeias beta. A eritropoiese ineficaz ocorre, mas por acúmulo de cadeias alfa, não por ausência delas.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Descreve com precisão o mecanismo fisiopatológico: redução ou ausência da síntese de cadeias beta → acúmulo de cadeias alfa → precipitação nos eritrócitos → destruição prematura. Esse é o processo que leva à anemia grave, tanto por eritropoiese ineficaz quanto por hemólise periférica.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que a produção aumentada de cadeias beta resulta em agregados que danificam a membrana. Na beta-talassemia, a produção de cadeias beta está diminuída ou ausente, nunca aumentada. O excesso que se precipita é de cadeias alfa, não beta.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Diz que a síntese aumentada de cadeias gama em substituição às cadeias beta resulta em eritropoiese acelerada, mas ineficaz. Na beta-talassemia, há um aumento compensatório de HbF (que contém cadeias gama), mas isso não é a causa da anemia — é uma tentativa do organismo de compensar a falta de HbA. A eritropoiese é ineficaz, mas não por causa da síntese aumentada de gama; é pelo acúmulo de cadeias alfa.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora inverter os papéis das cadeias de globina. Na beta-talassemia, o defeito é na cadeia beta; o excesso que precipita é de cadeias alfa. Se a alternativa falar em "produção aumentada de beta" ou "ausência de alfa", está errada. Fique atento a essa troca clássica.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar: beta-talassemia = falta beta, sobra alfa. Na alfa-talassemia, o inverso: falta alfa, sobra beta (ou gama). Memorize essa relação e você resolve a maioria das questões sobre talassemias.
Gabarito: letra C — a única que descreve corretamente o mecanismo fisiopatológico da beta-talassemia maior.