Qual é um achado característico na avaliação do líquido cefalorraquidiano (LCR) de pacientes com toxoplasmose cerebral e qual é o método diagnóstico mais utilizado?
ALCR com pleocitose neutrofílica e glicose normal, sendo a tomografia computadorizada o método diagnóstico mais utilizado.
BLCR com elevada concentração de glicose e ausência de células inflamatórias, com a biópsia cerebral como método diagnóstico padrão-ouro.
CLCR com pleocitose linfocítica e aumento de proteínas, com a ressonância magnética como o método diagnóstico mais comum.
DLCR com predominância de eosinófilos e aumento de glicose, sendo a sorologia a principal ferramenta diagnóstica.
ELCR com hipoproteinemia e presença de bacilos álcool-ácido resistentes, sendo a cultura do LCR o método mais utilizado.
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GabaritoC — LCR com pleocitose linfocítica e aumento de proteínas, com a ressonância magnética como o método diagnóstico mais comum.
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Toxoplasmose cerebral: achados no LCR e método diagnóstico
Gabarito: letra C. Na toxoplasmose cerebral, o LCR tipicamente apresenta pleocitose linfocítica e aumento de proteínas, e o método diagnóstico mais utilizado é a ressonância magnética (RM), que é mais sensível que a tomografia computadorizada (TC) para identificar lesões pequenas ou em fossa posterior. A alternativa C espelha exatamente esses dois achados, enquanto as demais trocam os padrões liquóricos ou os métodos de imagem.
A toxoplasmose cerebral é a causa mais comum de lesões expansivas cerebrais em pessoas vivendo com HIV/AIDS (PVHA), ocorrendo principalmente pela reativação de cistos latentes do protozoário Toxoplasma gondii em pacientes com imunossupressão importante (LT-CD4+ abaixo de 200 células/mm³). O diagnóstico é geralmente presuntivo, baseado na tríade: síndrome clínica compatível, sorologia IgG positiva para T. gondii e imagem típica com realce anelar. O tratamento empírico é iniciado mesmo antes da confirmação laboratorial, dada a alta prevalência da infecção.
Quanto ao LCR, ele não é coletado de rotina nesses pacientes, mas quando coletado, pode apresentar alterações características. O liquor é normal em 20 a 30% dos casos; quando alterado, mostra proteinorraquia abaixo de 150 mg/dL e pleocitose linfocítica e monocítica, com menos de 200 células/mm³ e baixo percentual de neutrófilos. A glicose geralmente está normal ou discretamente reduzida. O PCR para T. gondii no LCR tem especificidade elevada (acima de 95%), mas sensibilidade moderada (50 a 90%), sendo que um resultado negativo não exclui o diagnóstico.
Em relação aos métodos de imagem, a TC de crânio com contraste é o exame inicial preferencial por sua maior disponibilidade, mostrando lesões hipodensas com realce anelar ou nodular e edema perilesional. No entanto, a RM é mais sensível para detectar lesões pequenas ou localizadas em fossa posterior, sendo reservada para casos em que a TC é normal ou inconclusiva. A biópsia cerebral é o padrão-ouro para diagnóstico definitivo, mas raramente é necessária, sendo indicada apenas quando não há resposta ao tratamento empírico após 10 a 14 dias ou quando há suspeita de diagnóstico alternativo.
A pegadinha desta questão está em associar corretamente o padrão liquórico (linfocítico, não neutrofílico) e o método de imagem mais sensível (RM, não TC). A banca explora a confusão entre o exame inicial preferencial (TC) e o mais sensível (RM), além de trocar o padrão de pleocitose típico de outras meningites.
Critério
Toxoplasmose Cerebral (Gabarito C)
Meningite Bacteriana (Distrator A)
Meningite Tuberculosa (Distrator E)
Pleocitose no LCR
Linfocítica e monocítica
Neutrofílica
Linfocítica (com predomínio inicial de neutrófilos)
Glicose no LCR
Normal ou discretamente reduzida
Reduzida
Reduzida
Proteínas no LCR
Aumentadas
Aumentadas
Aumentadas (com hipoglicorraquia)
Método diagnóstico mais utilizado
Ressonância magnética (mais sensível)
Tomografia computadorizada (exame inicial)
Cultura do LCR (padrão-ouro)
Achado específico
Lesões com realce anelar
—
BAAR no LCR
Toxoplasmose cerebral: LCR (Pleocitose linfocítica, Aumento de proteínas, Glicose normal ou ↓); Diagnóstico por imagem (TC: exame inicial, RM: mais sensível); Diagnóstico definitivo (Biópsia cerebral (padrão-ouro), PCR no LCR)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Erra ao afirmar pleocitose neutrofílica e glicose normal. Na toxoplasmose cerebral, a pleocitose é linfocítica e monocítica, não neutrofílica. Além disso, a TC é o exame inicial preferencial, mas a RM é mais sensível e o método mais utilizado para diagnóstico em casos duvidosos. A pleocitose neutrofílica é típica de meningites bacterianas, não de toxoplasmose.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erra ao afirmar elevada concentração de glicose e ausência de células inflamatórias no LCR. Na toxoplasmose cerebral, a glicose costuma estar normal ou discretamente reduzida, e pode haver pleocitose linfocítica. A biópsia cerebral é o padrão-ouro para diagnóstico definitivo, mas não é o método mais utilizado na prática, sendo reservada para casos selecionados.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Correta ao descrever o LCR com pleocitose linfocítica e aumento de proteínas, e a ressonância magnética como o método diagnóstico mais comum. A RM é mais sensível que a TC para identificar lesões pequenas ou em fossa posterior, sendo o exame de escolha quando há suspeita clínica com TC normal ou inconclusiva.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erra ao afirmar predominância de eosinófilos e aumento de glicose no LCR. Eosinofilia liquórica não é característica da toxoplasmose cerebral; pode ocorrer em outras condições, como neurocisticercose ou infecções fúngicas. A glicose não aumenta na toxoplasmose. A sorologia é útil, mas não é a principal ferramenta diagnóstica, sendo o diagnóstico baseado em imagem e resposta ao tratamento.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erra ao descrever hipoproteinemia e presença de bacilos álcool-ácido resistentes (BAAR) no LCR. Esses achados são típicos de meningite tuberculosa, não de toxoplasmose cerebral. A cultura do LCR é o método diagnóstico para tuberculose, não para toxoplasmose, cujo diagnóstico se baseia em imagem e PCR.