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Questão de Medicina — Envenenamentos e Acidentes — Avança SP 2025

MedicinaEnvenenamentos e Acidentes
Código
qg417777
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Cerquilho - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico da Estratégia da Saúde da Família
Miriam, uma jovem de 19 anos é atendida no pronto-socorro após colisão automobilística. Encontra-se consciente, agitada e com múltiplas escoriações, sem sinais de fraturas instáveis. Na avaliação inicial, apresenta saturação periférica de oxigênio (SatO₂) de 77%. Considerando os protocolos de manejo inicial em situações de trauma e hipoxemia, a conduta mais adequada é:
  1. AAdministrar oxigênio por máscara facial com reservatório (máscara não reinalante) a 15 L/min, visando rápida correção da hipoxemia.
  2. BUtilizar cânula nasal de baixo fluxo, pois valores dispensam fluxo elevado de oxigênio.
  3. CIniciar ventilação não invasiva (VNI) como primeira escolha, independentemente do nível de consciência.
  4. DProceder imediatamente à intubação, sem tentativa prévia de oxigenoterapia suplementar.
  5. EAguardar reavaliação clínica, já que os valores da saturação periférica de oxigênio estão normais, indicando ausência de urgência ventilatória.
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GabaritoA — Administrar oxigênio por máscara facial com reservatório (máscara não reinalante) a 15 L/min, visando rápida correção da hipoxemia.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Oxigenoterapia no trauma: manejo da hipoxemia grave

Gabarito: letra A. Em paciente vítima de trauma com SatO₂ de 77% (hipoxemia grave), a conduta imediata é administrar oxigênio em alto fluxo por máscara não reinalante a 15 L/min, conforme preconizado no suporte avançado de vida no trauma (ATLS). A alternativa A é a única que segue o protocolo de oxigenoterapia suplementar de emergência.

A hipoxemia é definida como a redução da pressão parcial de oxigênio no sangue arterial (PaO₂) abaixo de 60 mmHg, o que corresponde a uma saturação periférica de oxigênio (SatO₂) inferior a 90%. No paciente traumatizado, a hipoxemia pode ser causada por diversas condições, como pneumotórax, hemotórax, contusão pulmonar, obstrução de via aérea ou até mesmo hipoventilação por rebaixamento do nível de consciência. A SatO₂ de 77% indica hipoxemia grave, uma emergência que exige correção imediata para evitar danos aos órgãos vitais, especialmente ao cérebro e ao coração.

O protocolo do ATLS (Advanced Trauma Life Support) estabelece que, na avaliação inicial do trauma, deve-se administrar oxigênio suplementar a todos os pacientes, com fluxo de 10 a 15 L/min, preferencialmente por máscara não reinalante com reservatório. Essa máscara permite a entrega de concentrações de oxigênio de até 90-95%, sendo o dispositivo de escolha para hipoxemia grave em pacientes que mantêm ventilação espontânea e via aérea pérvia. A máscara não reinalante possui um reservatório que se enche de oxigênio a cada inspiração e válvulas unidirecionais que impedem a reinalação do ar exalado, maximizando a fração inspirada de oxigênio (FiO₂).

A escolha do dispositivo de oxigenoterapia depende da gravidade da hipoxemia e da condição clínica do paciente. A cânula nasal de baixo fluxo fornece FiO₂ variável de 24% a 44% com fluxos de 1 a 6 L/min, sendo inadequada para hipoxemia grave. A ventilação não invasiva (VNI) pode ser útil em alguns cenários, mas é contraindicada em pacientes com rebaixamento do nível de consciência, agitação ou instabilidade hemodinâmica, como é o caso de Miriam, que está agitada. A intubação orotraqueal é indicada quando há falência ventilatória, obstrução de via aérea, ou quando a oxigenoterapia suplementar não é suficiente para manter a oxigenação adequada, mas não deve ser a primeira conduta sem tentativa prévia de oxigenação.

A conduta correta, portanto, é iniciar oxigenoterapia de alto fluxo com máscara não reinalante a 15 L/min, monitorizando a resposta do paciente. Se a SatO₂ não melhorar ou se houver deterioração clínica, a intubação orotraqueal deve ser considerada. A alternativa A está correta porque descreve exatamente essa conduta, com o dispositivo e o fluxo adequados para a hipoxemia grave.

A pegadinha desta questão está em confundir a gravidade da hipoxemia com a necessidade de intubação imediata. A banca explora o erro de pular a etapa de oxigenoterapia suplementar e ir direto para a via aérea definitiva, ou de subestimar a hipoxemia com dispositivos de baixo fluxo. O candidato deve lembrar que, no trauma, a sequência é: avaliar via aérea, administrar oxigênio em alto fluxo, e só então considerar intubação se necessário.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa descreve corretamente a conduta inicial para hipoxemia grave no trauma: administrar oxigênio por máscara facial com reservatório (não reinalante) a 15 L/min. Esse dispositivo fornece alta concentração de oxigênio (até 90-95%) e é o padrão-ouro para correção rápida da hipoxemia em pacientes com ventilação espontânea e via aérea pérvia. O fluxo de 15 L/min é o recomendado para encher o reservatório e evitar a reinalação de CO₂. A conduta está alinhada com o ATLS, que preconiza oxigênio suplementar em alto fluxo para todos os pacientes traumatizados.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A cânula nasal de baixo fluxo fornece FiO₂ de apenas 24% a 44%, insuficiente para corrigir uma hipoxemia grave (SatO₂ 77%). O enunciado afirma que "valores dispensam fluxo elevado de oxigênio", o que é um erro conceitual: SatO₂ de 77% é uma emergência que exige o máximo de oxigenação possível. A cânula nasal é adequada para hipoxemia leve a moderada, não para hipoxemia grave no trauma.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A ventilação não invasiva (VNI) é contraindicada em pacientes com rebaixamento do nível de consciência, agitação psicomotora, instabilidade hemodinâmica ou trauma facial, pois há risco de aspiração e falha do dispositivo. Miriam está consciente, porém agitada, o que contraindica a VNI como primeira escolha. Além disso, a VNI não é o padrão inicial no trauma; a oxigenoterapia de alto fluxo é a primeira medida.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A intubação orotraqueal é um procedimento invasivo que deve ser reservado para casos de falência ventilatória, obstrução de via aérea, ou quando a oxigenoterapia suplementar não é suficiente. No caso de Miriam, que está consciente e sem sinais de obstrução, a conduta inicial deve ser tentar oxigenar com máscara não reinalante. Intubar imediatamente, sem tentativa prévia de oxigenação, é uma conduta agressiva e desnecessária, que expõe o paciente a riscos como aspiração, lesão de vias aéreas e complicações hemodinâmicas.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A SatO₂ de 77% está muito abaixo do normal (95-100%) e indica hipoxemia grave, uma urgência ventilatória que exige intervenção imediata. Aguardar reavaliação clínica sem nenhuma medida de oxigenação pode levar a danos cerebrais irreversíveis, parada cardiorrespiratória e óbito. A afirmação de que os valores estão normais é um erro grave, demonstrando desconhecimento dos parâmetros de normalidade da saturação de oxigênio.

Gabarito: letra A

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