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Questão de Português — Interpretação de Textos — Avança SP 2025

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
qg421981
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de São Miguel Arcanjo - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Vice-Diretor de Escola

Leia o texto a seguir para responder à questão.


A criação de super-humanos


Yuval Noah Harari está com 42 anos de idade e completou com muito brilho a sua trilogia autoral. Depois do “Sapiens: uma breve história da humanidade” e “Homo Deus: uma breve história do amanhã”, que já venderam mais de 12 milhões de exemplares em 45 países, o autor israelense prepara-se para lançar o seu terceiro título, “21 lições para o século 21”, em que focaliza o nacionalismo e as correntes religiosas associadas a ele.


Segundo Harari, que é professor da Universidade Hebraica de Jerusalém, as principais barreiras a uma transformação da natureza humana por meio de biotecnologia e da inteligência artificial deixaram de ser técnicas e passaram a ser políticas e éticas, portanto mais frágeis.


Tomando por base os avanços na medicina e na biologia desde 1918, ele raciocina que em 2118 a bioengenharia e as interfaces diretas cérebro-computador mudarão os seres humanos, como hoje fazemos com animais: “A tentação de criar super-humanos será irresistível.” E a religião poderá nos ajudar a lidar com muitos desafios do século 21. Com a certeza de que, sobre o clima, nenhuma nação é realmente independente.


Ao se debruçar sobre o presente, o autor focaliza temas de absoluta atualidade como tecnologia, política, religião, violência, educação, fake news, justiça, ficção científica, sem deixar de referir-se à autoajuda, humildade e meditação. Alguns temas são recorrentes: a tecnologia ameaça empregos e a própria identidade humana, pensando no horizonte dos próximos anos.


Harari, com o seu conhecimento de causa, cita o homem e sua incrível capacidade de criar ficções e acreditar nelas. Isso nos distingue de outros mamíferos. As fake news, de curta ou longa duração, podem ser exemplificadas no caso das religiões, o que nos obriga a procurar sempre fontes confiáveis de informação. Assim caminha a humanidade.


O autor tem a convicção de que sociedades seculares costumam se caracterizar pela tolerância, não exatamente por um apelo à compaixão. “Essa é a leitura que faço, como historiador, das tradições do humanismo e do secularismo, desde a Renascença até o Iluminismo e as democracias liberais das últimas décadas.” (...) 


NISKIER, Arnaldo. A criação de super-humanos. Disponível em .

Em relação ao texto “A criação de superhumanos”, é correto afirmar que ele é predominantemente:
  1. Adescritivo, com passagens transcritas de outras obras, apresentando detalhes sobre as características físicas e psicológicas do homem no futuro.
  2. Bnarrativo, com uma linguagem própria da ficção científica, cujos acontecimentos transcorrem num espaço imaginário e num tempo distante do atual.
  3. Cnarrativo, em que o autor conta passagens extraídas de outras obras correspondentes a histórias de ficção científica sobre a humanidade no futuro.
  4. Ddissertativo, em que o autor apresenta exclusivamente as suas próprias ideias sobre a história da humanidade, do passado ao futuro.
  5. Edissertativo, em que o autor apresenta ideias sobre a história da humanidade, do passado ao futuro, com base em opiniões de outro autor.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — dissertativo, em que o autor apresenta ideias sobre a história da humanidade, do passado ao futuro, com base em opiniões de outro autor.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Tipologia Textual: Dissertativo com Base em Opiniões de Outro Autor

Gabarito: letra E. O texto é predominantemente dissertativo, pois apresenta e desenvolve ideias sobre a história da humanidade, do passado ao futuro, e o faz com base nas opiniões de outro autor — no caso, o historiador Yuval Noah Harari. A passagem que ancora essa leitura está logo no início: o texto afirma que Harari "prepara-se para lançar o seu terceiro título" e, em seguida, todo o desenvolvimento expõe o que "Segundo Harari" e o que "ele raciocina", ou seja, o autor do texto (Arnaldo Niskier) disserta sobre as teses de Harari, e não sobre as suas próprias ideias.

"Segundo Harari, que é professor da Universidade Hebraica de Jerusalém, as principais barreiras a uma transformação da natureza humana por meio de biotecnologia e da inteligência artificial deixaram de ser técnicas e passaram a ser políticas e éticas, portanto mais frágeis."

O comando pede que se identifique a predominância tipológica do texto. Para isso, não basta olhar para a forma (se há verbos no pretérito ou adjetivos); é preciso observar a intenção comunicativa dominante. O texto não conta uma história com personagens e enredo (narrativo), não caracteriza estática e detalhadamente um objeto (descritivo) e não defende uma tese própria com argumentos para convencer o leitor (dissertativo-argumentativo). Ele expõe e explica o pensamento de um autor sobre um tema, o que caracteriza o dissertativo-expositivo, com a particularidade de a exposição se apoiar nas ideias de terceiro.

A técnica decisiva aqui é distinguir quem fala no texto. O autor do texto-base (Niskier) atua como um relator das ideias de Harari. As marcas dessa relação são os verbos e expressões que introduzem o discurso alheio: "Segundo Harari", "ele raciocina que", "O autor tem a convicção de que". A alternativa correta captura exatamente essa estrutura: o texto é dissertativo (expõe ideias) e o faz com base em opiniões de outro autor (Harari). As demais alternativas ou erram o tipo textual (narrativo/descritivo) ou erram a fonte das ideias ("exclusivamente as suas próprias ideias").

O gancho para resolver a questão é testar cada alternativa perguntando: o texto conta uma história? (não, ele expõe ideias) e de quem são as ideias expostas? (de Harari, não do autor do texto). A única alternativa que responde corretamente a ambas as perguntas é a letra E.

Critério

Texto (Alternativa E)

Alternativas Incorretas (A, B, C, D)

Tipo textual predominante

Dissertativo (expositivo)

A: Descritivo; B/C: Narrativo; D: Dissertativo (mas com erro na fonte)

Fonte das ideias

Opiniões de outro autor (Harari)

A: "passagens transcritas"; B/C: "histórias de ficção"; D: "exclusivamente as próprias ideias"

Marca textual decisiva

"Segundo Harari", "ele raciocina que"

Ausência de marcas de discurso alheio ou erro na atribuição

Relação com o texto-base

Paráfrase fiel da estrutura

Extrapolação, contradição ou restrição indevida

Alternativa A — ❌ Incorreta

O texto não é predominantemente descritivo. A descrição caracteriza pessoas, objetos ou ambientes de forma estática, com riqueza de adjetivos e verbos de estado. O texto-base, ao contrário, apresenta um raciocínio e projeções futuras sobre a humanidade, e não uma caracterização física ou psicológica do homem do futuro. A alternativa extrapola ao afirmar que há "detalhes sobre as características físicas e psicológicas do homem no futuro" — o texto menciona a "tentação de criar super-humanos", mas não descreve suas características. Além disso, o texto não é composto por "passagens transcritas de outras obras"; ele parafraseia e resume as ideias de Harari.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O texto não é narrativo. A narração exige uma sequência de acontecimentos com personagens, tempo e espaço, geralmente com verbos no pretérito. O texto-base não conta uma história; ele expõe e comenta as teses de um autor sobre o futuro. A alternativa tangencia o tema ao mencionar "ficção científica", que aparece no texto apenas como um dos temas abordados por Harari, mas isso não torna o texto uma narrativa de ficção científica. Não há "acontecimentos num espaço imaginário e num tempo distante" — há projeções e reflexões.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Assim como a B, esta alternativa erra o tipo textual. O texto não é narrativo e não "conta passagens extraídas de outras obras". O texto-base menciona os livros de Harari e resume suas ideias, mas não as apresenta como "histórias de ficção científica sobre a humanidade no futuro". A alternativa contradiz o texto ao transformar uma exposição de ideias em uma narração de histórias. A referência a "ficção científica" é apenas um dos temas listados, não a natureza do texto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Esta alternativa acerta o tipo textual (dissertativo), mas erra ao afirmar que o autor apresenta "exclusivamente as suas próprias ideias". O texto é construído, do início ao fim, com base nas opiniões de Yuval Noah Harari. O autor do texto (Niskier) atua como relator. A palavra "exclusivamente" é a armadilha: ela restringe indevidamente a fonte das ideias, ignorando as inúmeras marcas de discurso indireto, como "Segundo Harari" e "ele raciocina que". O texto não é um ensaio autoral; é uma exposição das ideias de outro.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a única alternativa inteiramente sustentada pelo texto. O texto é dissertativo porque expõe e desenvolve ideias sobre um tema (a história da humanidade, do passado ao futuro, com foco nas transformações tecnológicas). E o faz com base em opiniões de outro autor, pois todo o conteúdo é atribuído a Harari. As marcas textuais são claras:

"Segundo Harari... as principais barreiras... deixaram de ser técnicas e passaram a ser políticas e éticas" "Tomando por base os avanços na medicina e na biologia desde 1918, ele raciocina que em 2118 a bioengenharia... mudarão os seres humanos" "O autor tem a convicção de que sociedades seculares costumam se caracterizar pela tolerância"

Essas passagens provam que o autor do texto não apresenta ideias próprias, mas disserta sobre as ideias de Harari, do passado (1918, Renascença, Iluminismo) ao futuro (2118). A alternativa E é uma paráfrase fiel dessa estrutura.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar a tipologia, pergunte-se: "qual é a intenção do autor?" Contar uma história (narrativo), caracterizar algo (descritivo), convencer o leitor de uma tese própria (dissertativo-argumentativo) ou expor/explicar ideias (dissertativo-expositivo)? E, ao notar verbos como "segundo", "afirma", "raciocina", desconfie: as ideias podem não ser do autor do texto.

Gabarito: letra E — o texto é dissertativo e expõe as ideias de Yuval Noah Harari sobre a história da humanidade, do passado ao futuro.

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