Questão de Medicina — Alergia e Imunologia — Avança SP 2025
Medicina›Alergia e Imunologia
Código
qg422734
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Varginha - MG
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Alergologista Pediatra
Após confirmar um diagnóstico de alergia alimentar, o médico deve estabelecer as estratégias terapêuticas iniciais.Com base nessas informações, assinale a alternativa correta sobre as medidas recomendadas nesse primeiro momento:
AApenas introduzir gradualmente pequenas quantidades do alérgeno para induzir tolerância precoce.
BSuspender a ingestão de líquidos para evitar reações cruzadas com o alérgeno.
COferecer todas as condições para que o indivíduo se mantenha afastado do alérgeno e oferecer todas as condições para que o indivíduo se mantenha afastado do alérgeno.
DUtilizar apenas medicação sintomática, sem necessidade de mudanças alimentares.
EApenas substituir o alérgeno por suplementos artificiais sem considerar preferências e hábitos alimentares.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoC — Oferecer todas as condições para que o indivíduo se mantenha afastado do alérgeno e oferecer todas as condições para que o indivíduo se mantenha afastado do alérgeno.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Manejo inicial da alergia alimentar
Gabarito: letra C. Após confirmar o diagnóstico de alergia alimentar, a conduta inicial fundamental é a exclusão rigorosa do alérgeno da dieta, oferecendo ao paciente todas as condições para evitar a exposição — é o que a alternativa C afirma. Essa é a base do tratamento, conforme consenso em Alergia e Imunologia (diretrizes da EAACI/AAAAI e do Consenso Brasileiro). As demais alternativas trazem condutas incorretas ou incompletas.
A alergia alimentar é uma reação de hipersensibilidade mediada por mecanismos imunológicos (IgE, células T ou ambos) desencadeada por um alimento específico. O diagnóstico confirmado (por história clínica, testes cutâneos, IgE específica e/ou teste de provocação oral) impõe, como primeira medida terapêutica, a dieta de exclusão: retirar completamente o alérgeno e seus derivados da alimentação. Isso porque não existe, até o momento, tratamento farmacológico que "cure" a alergia; a prevenção da reação depende de evitar o contato com o agente causal.
A exclusão deve ser orientada de forma individualizada, considerando:
Identificação de todas as fontes do alérgeno (alimentos in natura, processados, aditivos, contaminação cruzada);
Leitura atenta de rótulos e orientação sobre termos que indicam a presença do alérgeno;
Plano de ação para reações acidentais (medicação de resgate, como anti-histamínicos e adrenalina auto-injetável em casos de risco de anafilaxia);
Acompanhamento nutricional para evitar deficiências e garantir crescimento/desenvolvimento adequados, especialmente em crianças.
A alternativa C, apesar da redação repetitiva, é a única que reflete essa conduta essencial: "oferecer todas as condições para que o indivíduo se mantenha afastado do alérgeno". As demais opções ou propõem estratégias perigosas (introduzir o alérgeno, suspender líquidos), ou são insuficientes (apenas sintomáticos, substituição sem considerar hábitos).
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre tratamento curativo (que não existe) e manejo sintomático. O candidato pode achar que "medicação sintomática" (alternativa D) é suficiente, mas o pilar do tratamento é a exclusão do alérgeno — a farmacoterapia apenas controla sintomas de reações acidentais, não substitui a dieta de exclusão.
Manejo inicial da alergia alimentar
1Pilar do tratamento
Exclusão rigorosa do alérgeno
Oferecer condições para evitar exposição
2Orientações individualizadas
Identificar fontes do alérgeno
Leitura de rótulos
Plano de ação para reações acidentais
Acompanhamento nutricional
3Condutas incorretas
Indução de tolerância oral (risco de anafilaxia)
Suspender líquidos (sem fundamento)
Apenas medicação sintomática (não previne)
Suplementos artificiais sem hábitos alimentares
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
Introduzir gradualmente pequenas quantidades do alérgeno para induzir tolerância é uma estratégia que não é recomendada como conduta inicial e pode ser extremamente perigosa, pois expõe o paciente ao risco de reações graves, incluindo anafilaxia. A indução de tolerância oral (ITO) é um procedimento realizado em ambiente hospitalar, com supervisão especializada, apenas em casos selecionados e após avaliação criteriosa — nunca como primeira medida em casa.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Suspender a ingestão de líquidos não tem qualquer fundamento científico e é uma conduta perigosa, pois pode levar à desidratação. Não há relação entre a ingestão de líquidos e reações cruzadas com o alérgeno. As reações cruzadas ocorrem entre proteínas de alimentos com estrutura semelhante (ex.: leite de vaca e leite de cabra), e a prevenção se faz pela exclusão desses alimentos, não pela restrição hídrica.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa C, apesar da repetição, expressa corretamente a conduta inicial: afastar o indivíduo do alérgeno, oferecendo todas as condições para isso. Isso inclui orientação dietética detalhada, suporte nutricional, plano de emergência e acompanhamento. É a medida terapêutica central no manejo da alergia alimentar.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Utilizar apenas medicação sintomática, sem mudanças alimentares, é insuficiente e inadequado. Os medicamentos (anti-histamínicos, corticosteroides, adrenalina) tratam os sintomas de uma reação, mas não previnem novas reações. A prevenção exige a exclusão do alérgeno da dieta. A farmacoterapia é coadjuvante, nunca substituta da dieta de exclusão.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Substituir o alérgeno por suplementos artificiais sem considerar preferências e hábitos alimentares é uma conduta inadequada e potencialmente prejudicial. A substituição deve ser feita com alimentos naturais que não contenham o alérgeno, respeitando a aceitação e a cultura alimentar do paciente, e com acompanhamento nutricional para garantir aporte adequado de nutrientes. Suplementos artificiais não são a primeira escolha e podem não suprir todas as necessidades.