Questão de Medicina — Alergia e Imunologia — Avança SP 2025
Medicina›Alergia e Imunologia
Código
qg422738
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Varginha - MG
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Alergologista Pediatra
As imunodeficiências primárias (IDP) constituem um conjunto crescente de doenças geneticamente determinadas. A presença de dois ou mais sinais de alerta deve motivar a investigação dessa condição.São considerados sinais de alerta para IDP:I – Duas ou mais pneumonias em um ano.II – Histórico familiar de imunodeficiência primária.III – Quatro ou mais novas otites em um ano.Com base nessas informações, assinale a alternativa correta:
AApenas o item II está correto.
BApenas o item II está correto.
CApenas os itens I e III estão corretos.
DApenas os itens II e III estão corretos.
ETodos os itens estão corretos.
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GabaritoE — Todos os itens estão corretos.
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Sinais de alerta para imunodeficiências primárias (IDP)
Gabarito: letra E. Todos os itens (I, II e III) são sinais de alerta reconhecidos para investigação de imunodeficiência primária: duas ou mais pneumonias em um ano, histórico familiar de IDP e quatro ou mais novas otites em um ano. Esses critérios integram os "10 sinais de alerta" da Fundação Jeffrey Modell, amplamente adotados em diretrizes de Alergia e Imunologia.
As imunodeficiências primárias (IDP) são um grupo heterogêneo de doenças geneticamente determinadas que comprometem o desenvolvimento ou a função do sistema imunológico, resultando em suscetibilidade aumentada a infecções recorrentes, graves ou por agentes oportunistas. O reconhecimento precoce é fundamental, pois permite instituir terapias como a reposição de imunoglobulina humana, reduzindo morbimortalidade. Para facilitar a suspeição clínica, foram estabelecidos critérios objetivos — os chamados "sinais de alerta" — que, quando presentes em número de dois ou mais, indicam a necessidade de investigação imunológica aprofundada.
A lista clássica, divulgada pela Fundação Jeffrey Modell e adotada por sociedades de imunologia, inclui: (1) duas ou mais pneumonias no último ano; (2) quatro ou mais novas otites no último ano; (3) sinusites de repetição (duas ou mais no ano) ou sinusite crônica; (4) uso de antibióticos por dois meses ou mais sem efeito; (5) necessidade de antibióticos intravenosos para resolver infecções; (6) infecções profundas (abscesso de órgão interno ou pele); (7) infecções fúngicas persistentes (candidíase oral ou cutânea após 1 ano de idade); (8) histórico familiar de IDP; (9) falha de crescimento ou perda de peso; (10) necessidade de internação para tratar infecções. A presença de dois ou mais desses sinais deve motivar a investigação.
A lógica por trás desses critérios é epidemiológica e clínica: infecções de repetição em sítios incomuns, por agentes incomuns ou com resposta inadequada ao tratamento sugerem defeito na imunidade humoral (linfócitos B, anticorpos), celular (linfócitos T), fagocitária ou no complemento. Por exemplo, pneumonias recorrentes podem indicar deficiência de anticorpos (como na imunodeficiência comum variável), enquanto otites de repetição são comuns em crianças, mas quando ultrapassam o esperado para a idade, levantam a suspeita. O histórico familiar é um forte preditor, pois muitas IDP têm herança mendeliana (autossômica recessiva, dominante ou ligada ao X).
A distinção importante é entre imunodeficiência primária (genética, presente desde o nascimento ou manifestando-se precocemente) e imunodeficiência secundária (adquirida, como na desnutrição, HIV, uso de imunossupressores). Os sinais de alerta são específicos para a suspeita de IDP, não se aplicando diretamente às formas secundárias. Além disso, é crucial diferenciar infecções de repetição "normais" na infância (crianças saudáveis podem ter 6-8 infecções respiratórias por ano) daquelas que indicam imunodeficiência — a gravidade, o agente etiológico e a resposta ao tratamento são os discriminadores.
A pegadinha que a banca explora aqui é a tentação de considerar apenas os itens mais "óbvios" (como o histórico familiar) e descartar os demais por parecerem "comuns" na prática pediátrica. No entanto, a lista oficial inclui exatamente esses critérios numéricos (duas pneumonias, quatro otites) como sinais de alerta. O candidato que não conhece a lista completa tende a marcar apenas o item II, caindo na alternativa A ou B (que são idênticas, um erro de elaboração da questão).
Guarde a lista completa dos 10 sinais de alerta — é exatamente ela que separa as alternativas: quem conhece todos os itens reconhece que I, II e III são todos verdadeiros.
Sinais de alerta para IDP (≥2 → investigar): Infecções de repetição (2+ pneumonias/ano, 4+ otites/ano, 2+ sinusites/ano); Gravidade (Antibiótico IV necessário, Internação para tratar infecção, Infecções profundas (abscesso)); Agentes incomuns (Fungos (candidíase após 1 ano)); Fatores de risco (Histórico familiar de IDP, Falha de crescimento/perda de peso)
Item I — ✅ Correto
Duas ou mais pneumonias em um ano é um dos sinais de alerta clássicos. Pneumonias recorrentes sugerem defeito na produção de anticorpos (imunidade humoral), pois a defesa contra bactérias encapsuladas (como pneumococo) depende de opsonização e fagocitose mediadas por anticorpos. Na prática, uma criança com duas pneumonias no ano deve ser avaliada quanto à possibilidade de IDP, especialmente se os agentes forem incomuns ou se houver má resposta ao tratamento.
Item II — ✅ Correto
Histórico familiar de imunodeficiência primária é um sinal de alerta fundamental. Muitas IDP têm herança genética bem definida (ex.: agamaglobulinemia ligada ao X, imunodeficiência comum variável com padrão autossômico). A presença de um parente de primeiro grau com IDP aumenta significativamente a probabilidade de a criança também ser afetada, justificando investigação precoce mesmo antes de manifestações clínicas.
Item III — ✅ Correto
Quatro ou mais novas otites em um ano é outro sinal de alerta reconhecido. Otites de repetição podem indicar deficiência de anticorpos, pois a mucosa do ouvido médio é um sítio comum de infecção por bactérias encapsuladas. Embora otites sejam frequentes em crianças, o número elevado (≥4/ano) ultrapassa o esperado e deve levantar a suspeita de IDP, especialmente se associado a outros sinais.
Conclusão: Corretos: I, II e III → portanto a alternativa é a letra E.
PEGA ESSA DICA!
Para memorizar os 10 sinais de alerta da Fundação Jeffrey Modell, agrupe-os por categoria: infecções de repetição (pneumonias, otites, sinusites), gravidade (antibióticos IV, internação, infecções profundas), agentes incomuns (fungos), e fatores de risco (histórico familiar, falha de crescimento). Na prova, desconfie de alternativas que excluem itens que parecem "comuns" — a lista é objetiva e numérica.