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Questão de Medicina — Angiologia — Avança SP 2025

MedicinaAngiologia
Código
qg422758
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Varginha - MG
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Angiologista
As úlceras de perna estão habitualmente associadas a doenças vasculares. Assinale a alternativa que indica corretamente a principal causa das úlceras crônicas de perna.
  1. AInsuficiência renal aguda
  2. BDoença venosa crônica
  3. CHipoglicemia recorrente
  4. DAsma
  5. EHipotireoidismo
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GabaritoB — Doença venosa crônica

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Úlceras de perna: etiologia e diagnóstico diferencial

Gabarito: letra B. A principal causa das úlceras crônicas de perna é a doença venosa crônica (insuficiência venosa crônica), responsável por cerca de 70-80% dos casos. As demais alternativas (insuficiência renal aguda, hipoglicemia recorrente, asma e hipotireoidismo) não são causas reconhecidas de úlceras crônicas de membros inferiores.

As úlceras de perna representam um problema de saúde pública significativo, com prevalência crescente com a idade e impacto importante na qualidade de vida. A compreensão da etiologia é fundamental para o diagnóstico correto e a instituição de terapia adequada. A doença venosa crônica (DVC) é a causa mais comum, seguida pela doença arterial obstrutiva periférica (DAOP) e pela neuropatia diabética. A DVC resulta de hipertensão venosa prolongada, geralmente por incompetência valvular ou obstrução venosa, levando a alterações tróficas na pele e, eventualmente, à ulceração.

O diagnóstico diferencial das úlceras de perna é amplo e inclui causas venosas, arteriais, neuropáticas, hipertensivas, hematológicas e infecciosas. A localização, a dor, a quantidade e as características das bordas e do fundo da úlcera são elementos-chave para a distinção. A úlcera venosa, por exemplo, é tipicamente perimaleolar medial, pouco dolorosa, rasa, com bordas irregulares e fundo com tecido de granulação, frequentemente associada a pigmentação (dermite ocre) e lipodermatoesclerose. Já a úlcera isquêmica é mais distal (dedos, pé, calcâneo), intensamente dolorosa, com bordas irregulares e base pálida.

A avaliação inicial deve incluir exame físico completo com palpação de pulsos periféricos e medida do índice tornozelo-braquial (ITB). ITB < 0,9 sugere componente arterial; ITB < 0,7 com ausência de anormalidade venosa indica insuficiência arterial como causa única. A classificação CEAP é utilizada para estadiar a insuficiência venosa crônica. O tratamento da úlcera venosa baseia-se em terapia compressiva (meias elásticas), elevação dos membros inferiores e correção cirúrgica do refluxo venoso quando indicado.

A banca explora aqui um conhecimento básico de angiologia: a associação clássica entre úlcera crônica de perna e doença venosa. As alternativas incorretas são condições sistêmicas que não têm relação direta com a gênese de úlceras de membros inferiores. A insuficiência renal aguda pode causar edema, mas não ulceração crônica; a hipoglicemia recorrente é um distúrbio metabólico sem manifestação cutânea ulcerativa; a asma é uma doença inflamatória das vias aéreas; e o hipotireoidismo pode causar mixedema, mas não úlceras. A distinção crucial é reconhecer que a úlcera de perna é uma manifestação de doença vascular, predominantemente venosa.

Úlceras crônicas de perna
  • 1Causa principal
    • Doença venosa crônica (70-80%)
  • 2Outras causas
    • Doença arterial obstrutiva periférica
    • Neuropatia diabética
  • 3Diagnóstico diferencial
    • Úlcera venosa
      • Perimaleolar medial
      • Pouco dolorosa
      • Bordas irregulares
    • Úlcera isquêmica
      • Distal (dedos, pé)
      • Intensamente dolorosa
      • Base pálida
  • 4Avaliação inicial
    • Palpação de pulsos
    • Índice tornozelo-braquial (ITB)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A insuficiência renal aguda (IRA) é uma síndrome de rápida deterioração da função renal, com acúmulo de escórias nitrogenadas e distúrbios hidroeletrolíticos. Embora possa cursar com edema (por retenção hídrica), não é causa de úlceras crônicas de perna. A IRA não está associada à patogênese de ulcerações cutâneas crônicas. A confusão pode surgir com a doença renal crônica (DRC), que, em estágios avançados, pode estar associada a calcifilaxia (úlceras isquêmicas), mas isso é uma complicação rara e não a principal causa de úlceras de perna.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A doença venosa crônica (DVC) é a principal causa de úlceras crônicas de perna, correspondendo a cerca de 70-80% dos casos. A hipertensão venosa prolongada, resultante de incompetência valvular ou obstrução venosa, leva a alterações tróficas na pele (dermite ocre, lipodermatoesclerose) e, em estágios avançados, à ulceração. A úlcera venosa é tipicamente perimaleolar medial, pouco dolorosa, rasa, com bordas irregulares e fundo com tecido de granulação. O diagnóstico é clínico, e o tratamento envolve terapia compressiva, elevação dos membros e correção cirúrgica do refluxo venoso.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A hipoglicemia recorrente é uma condição metabólica caracterizada por níveis baixos de glicose no sangue, geralmente associada a diabetes mellitus em tratamento com insulina ou sulfonilureias. Não há relação fisiopatológica entre hipoglicemia e ulceração crônica de membros inferiores. A confusão pode ocorrer com o pé diabético, que é uma complicação do diabetes mal controlado, mas a causa subjacente é a neuropatia e a doença arterial periférica, não a hipoglicemia em si.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas, caracterizada por hiperresponsividade brônquica e obstrução reversível ao fluxo aéreo. Não há qualquer associação entre asma e úlceras de perna. A asma é uma condição respiratória, sem manifestações cutâneas ulcerativas. A alternativa é um distrator claro, explorando a falta de conhecimento específico do candidato sobre as causas de úlceras de membros inferiores.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O hipotireoidismo é uma condição caracterizada por deficiência de hormônios tireoidianos, levando a um estado de hipometabolismo. Pode causar mixedema (edema não depressível), mas não está associado a úlceras crônicas de perna. A confusão pode surgir com o mixedema pré-tibial, que é uma manifestação do hipertireoidismo (doença de Graves), mas mesmo assim não causa ulceração. O hipotireoidismo não é uma causa reconhecida de úlceras de membros inferiores.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a associação intuitiva entre "doença vascular" e "úlcera de perna", mas o candidato pode se confundir com outras condições sistêmicas que causam edema (como insuficiência renal) ou com complicações de diabetes (pé diabético). A chave é lembrar que a úlcera venosa é a mais prevalente, e a doença venosa crônica é a causa principal. As demais alternativas são distratores que não têm relação fisiopatológica direta com ulceração crônica de membros inferiores.

Gabarito: letra B

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