Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — Avança SP 2025
- Código
- qg422821
- Banca
- Avança SP
- Órgão
- Prefeitura de Varginha - MG
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Clínico Geral
- AAsma
- BEnfisema pulmonar
- CBronquite
- DSinusite
- EPneumotórax
GabaritoC — Bronquite
Gabarito: letra C (Bronquite). O quadro descrito — tosse persistente com produção de muco, sensação de peso no peito, febre, cansaço, falta de ar e leve irritação na garganta, sem crises noturnas recorrentes nem chiado — é o protótipo clínico da bronquite aguda, inflamação da mucosa brônquica que cursa com tosse produtiva e sintomas sistêmicos leves. A ausência de sibilância e de caráter paroxístico noturno afasta a asma, e a presença de tosse produtiva com febre não se encaixa no enfisema, na sinusite isolada ou no pneumotórax.
A bronquite é a inflamação da mucosa dos brônquios, geralmente precedida por uma infecção das vias aéreas superiores. O processo inflamatório leva ao acúmulo de secreção, fazendo com que os brônquios fiquem inflamados e contraídos, dificultando a respiração, além de aumentar a produção de muco, o que resulta em tosse com catarro. A forma aguda é uma doença comum, de causa viral na maioria dos indivíduos sadios, mas também pode ser originada por Mycoplasma pneumoniae, Chlamydia pneumoniae e Bordetella pertussis, raramente por fungos. A poluição atmosférica e o tabagismo geralmente agravam os sintomas, e as crises duram de uma a duas semanas.
As manifestações clínicas da bronquite aguda incluem tosse seca irritativa que evolui para produtiva, sensação de desconforto no peito, febre, presença de roncos e sibilos esparsos, e escarros mucosos ou mucopurulentos se houver infecção bacteriana secundária. A maioria das pessoas saudáveis que contrai bronquite se recupera sem complicações, com sintomas persistindo por duas a três semanas. No exame físico, a ausculta pode revelar murmúrio vesicular normal ou mascarado por estertores roncantes, sibilantes e estertores grossos esparsos.
O diagnóstico diferencial é o ponto central desta questão. A asma, embora também cause tosse e aperto no peito, caracteriza-se por sintomas episódicos, recorrentes, frequentemente noturnos ou ao acordar, com sibilância e resposta a broncodilatadores — elementos explicitamente ausentes no enunciado. O enfisema pulmonar, fenótipo da DPOC, tem como sintoma predominante a dispneia progressiva aos esforços, com tosse geralmente seca ou pouco produtiva, em paciente tabagista. A sinusite cursa com congestão nasal, gotejamento pós-nasal e dor facial, sendo a tosse um sintoma secundário. O pneumotórax apresenta início súbito de dor torácica e dispneia, sem tosse produtiva ou febre.
A banca explora exatamente a fronteira entre bronquite e asma: ambas cursam com tosse e desconforto torácico, mas a asma tem caráter episódico, noturno e com chiado, enquanto a bronquite aguda tem início após infecção de vias aéreas superiores, tosse produtiva e febre. O enunciado fornece a pista decisiva ao afirmar que não há crises noturnas recorrentes nem chiado no peito — isso direciona o diagnóstico para a bronquite. Guarde esse critério: tosse produtiva + febre + ausência de sibilância recorrente = bronquite; tosse seca + sibilância + sintomas noturnos = asma.
A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas caracterizada por hiper-responsividade brônquica, manifestando-se com episódios recorrentes de sibilância, dispneia, aperto no peito e tosse, particularmente à noite ou nas primeiras horas da manhã. O enunciado exclui explicitamente as crises noturnas recorrentes e o chiado no peito, que são elementos centrais do diagnóstico de asma. Além disso, a tosse na asma é tipicamente seca ou com pouco muco, enquanto o quadro descrito apresenta produção de muco e febre, mais compatíveis com processo infeccioso agudo das vias aéreas.
O enfisema pulmonar é um fenótipo da DPOC caracterizado pela destruição dos alvéolos, tendo como sintoma predominante a dispneia progressiva aos esforços. A tosse no enfisema geralmente é seca ou pouco produtiva, e o quadro evolui de forma crônica e insidiosa, sem febre. O enunciado descreve um quadro agudo com tosse produtiva, febre e sensação de peso no peito, sem mencionar tabagismo ou dispneia progressiva — elementos que seriam esperados no enfisema. A presença de febre e a produção de muco apontam para um processo inflamatório/infeccioso agudo, não para uma doença degenerativa crônica.
A bronquite aguda é a inflamação da mucosa dos brônquios, geralmente precedida por infecção das vias aéreas superiores, cursando com tosse produtiva, sensação de desconforto no peito, febre e cansaço. Todos os sintomas descritos no enunciado — tosse persistente com produção de muco, sensação de peso no peito, febre, cansaço frequente, falta de ar e leve irritação na garganta — são manifestações clássicas da bronquite aguda. A ausência de crises noturnas recorrentes e de chiado no peito reforça o diagnóstico, excluindo a asma. O quadro se encaixa perfeitamente na definição: tosse e catarro são os principais sintomas da bronquite, acompanhados de desconforto torácico e febre.
A sinusite é a inflamação dos seios paranasais, cursando com congestão nasal, rinorreia, dor ou pressão facial, cefaleia e gotejamento pós-nasal. A tosse na sinusite é secundária ao gotejamento pós-nasal, geralmente seca e piorando à noite, mas não é o sintoma predominante. O enunciado descreve tosse produtiva com muco, febre e falta de ar como sintomas centrais, sem mencionar congestão nasal, dor facial ou rinorreia — elementos que seriam esperados na sinusite. A ausência de sintomas nasais torna a sinusite um diagnóstico improvável.
O pneumotórax é o acúmulo de ar no espaço pleural, cursando com início súbito de dor torácica pleurítica e dispneia. A tosse não é um sintoma proeminente, e quando presente é seca, sem produção de muco. O pneumotórax não causa febre nem tosse produtiva. O quadro descrito no enunciado — tosse persistente com muco, febre e cansaço — é completamente incompatível com o pneumotórax, que é uma emergência médica com apresentação aguda e dramática, não um quadro arrastado com sintomas sistêmicos.
A banca explora a confusão entre bronquite e asma, duas doenças que cursam com tosse e desconforto torácico. O candidato que não atenta para a ausência de crises noturnas e chiado no peito — elementos-chave da asma — pode marcar a alternativa A. A presença de tosse produtiva com febre e a ausência de sibilância recorrente são os critérios que separam as duas condições. Com treino, você enxerga essas pistas de longe 💪
Gabarito: letra C
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