Questão de Medicina — Endocrinologia — Avança SP 2025
- Código
- qg422875
- Banca
- Avança SP
- Órgão
- Prefeitura de Varginha - MG
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Endocrinologista
- AClorpromazina
- BHaloperidol
- CRisperidona
- DDipirona
- ESulpirida
GabaritoD — Dipirona
Gabarito: letra D. A dipirona (metamizol) é um analgésico e antipirético que não está listada entre as causas farmacológicas de hiperprolactinemia; as demais alternativas (clorpromazina, haloperidol, risperidona e sulpirida) são antipsicóticos/neurolépticos que, por bloquearem receptores dopaminérgicos D2, elevam a prolactina sérica. A fonte é o conhecimento consolidado de endocrinologia sobre causas medicamentosas de hiperprolactinemia.
A prolactina (PRL) é um hormônio secretado pela hipófise anterior, cuja liberação é tonicamente inibida pela dopamina hipotalâmica. Qualquer fármaco que antagonize a dopamina — especialmente os antipsicóticos típicos e atípicos — remove essa inibição e provoca aumento da PRL. Esse é o mecanismo central da hiperprolactinemia farmacológica: o bloqueio dos receptores D2 nos lactotrofos hipofisários.
Entre os medicamentos classicamente implicados estão:
Fenotiazinas (ex.: clorpromazina) — antipsicóticos típicos, potentes antagonistas D2.
Butirofenonas (ex.: haloperidol) — também antipsicóticos típicos, com alto potencial de elevar PRL.
Benzamidas (ex.: sulpirida, metoclopramida, domperidona) — antagonistas D2 usados como antipsicóticos ou procinéticos.
Antipsicóticos atípicos (ex.: risperidona) — embora mais seletivos, a risperidona é conhecida por elevar a PRL de forma significativa, podendo ultrapassar 200 ng/mL.
Outros: metildopa, reserpina, estrogênios, TRH, antidepressivos tricíclicos, inibidores da MAO, opiáceos e cocaína.
A dipirona, por sua vez, atua por mecanismos analgésicos e antipiréticos centrais e periféricos, sem interferência direta na via dopaminérgica hipofisária. Não há relato consistente de hiperprolactinemia associada ao seu uso, razão pela qual ela é o distrator correto da questão.
Na prática clínica, diante de hiperprolactinemia, o primeiro passo é afastar causas fisiológicas (gravidez, amamentação, estresse) e farmacológicas por meio de anamnese medicamentosa detalhada. A suspensão ou substituição do fármaco causador costuma normalizar os níveis de PRL. A distinção entre as causas é essencial para evitar investigações desnecessárias, como ressonância magnética de hipófise, quando a etiologia é claramente medicamentosa.
A pegadinha desta questão está em reconhecer que todos os antipsicóticos listados (clorpromazina, haloperidol, risperidona, sulpirida) compartilham o mecanismo de bloqueio dopaminérgico e, portanto, elevam a prolactina. O candidato que memoriza apenas alguns exemplos pode hesitar, mas a dipirona destoa completamente por não pertencer a essa classe farmacológica.
A clorpromazina é uma fenotiazina, antipsicótico típico, e está corretamente listada como causa de hiperprolactinemia por bloqueio dopaminérgico D2. Portanto, não é a resposta pedida.
O haloperidol é uma butirofenona, antipsicótico típico, e também é causa reconhecida de hiperprolactinemia. Não corresponde à alternativa que foge ao grupo.
A risperidona, embora seja um antipsicótico atípico, é conhecida por elevar a prolactina de forma significativa, muitas vezes acima de 200 ng/mL. Está corretamente incluída entre as causas farmacológicas.
A dipirona (metamizol) é um analgésico e antipirético que não causa hiperprolactinemia. Seu mecanismo de ação não envolve antagonismo dopaminérgico, e não há evidência consistente de elevação da PRL. É a única alternativa que não corresponde a um medicamento listado como causa de hiperprolactinemia não fisiológica.
A sulpirida é uma benzamida, antipsicótico que bloqueia receptores D2 e, portanto, eleva a prolactina. Está corretamente listada entre as causas farmacológicas.
A banca explora a tendência de associar hiperprolactinemia apenas a antipsicóticos "clássicos" (haloperidol, clorpromazina) e esquecer que a risperidona e a sulpirida também são antagonistas dopaminérgicos. A dipirona, por ser um analgésico comum, parece "inofensiva" — mas é justamente por não interferir na dopamina que ela é a resposta. Memorize o mecanismo (bloqueio D2) e você identificará o intruso em qualquer lista.
Gabarito: letra D — a dipirona é a única que não causa hiperprolactinemia.
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