Questão de Medicina — Endocrinologia — Avança SP 2025
Medicina›Endocrinologia
Código
qg422881
Banca
Avança SP
Órgão
Prefeitura de Varginha - MG
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Endocrinologista
Mulher na menacme apresenta distúrbios no ciclo menstrual, caracterizados por oligo ou amenorreia. As principais manifestações clínicas ocorrem como consequência do excesso de prolactina atuando sobre as mamas, causando a galactorreia e também sobre o eixo gonadotrófico pela inibição da liberação do GnRH, hormônio liberador de gonadotrofinas ocasionando o hipogonadismo e a infertilidade. Com base na condição endócrina descrita, assinale a alternativa correta.
AHipotireoidismo
BAcromegalia
CDiabetes mellitus tipo 2
DOsteoporose
EHiperprolactinemia
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GabaritoE — Hiperprolactinemia
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Hiperprolactinemia: fisiopatologia e manifestações clínicas
Gabarito: letra E. O quadro descrito — oligo/amenorreia, galactorreia, hipogonadismo e infertilidade por inibição da liberação de GnRH — é a síndrome clássica da hiperprolactinemia, condição em que o excesso de prolactina (PRL) suprime o eixo gonadotrófico e estimula a lactação. As demais alternativas (hipotireoidismo, acromegalia, diabetes mellitus tipo 2 e osteoporose) não explicam o conjunto de manifestações apresentado, embora algumas possam cursar com alterações menstruais isoladas.
A prolactina é um hormônio produzido pela hipófise anterior (adeno-hipófise), cuja função fisiológica central é estimular a lactação. Seu controle é predominantemente inibitório: a dopamina hipotalâmica suprime sua secreção. Quando há excesso de PRL — por prolactinoma (tumor benigno da hipófise), uso de fármacos antagonistas dopaminérgicos (fenotiazinas, haloperidol, metoclopramida), hipotireoidismo primário (via aumento de TRH), insuficiência renal crônica, entre outras causas — instala-se a síndrome hiperprolactinêmica.
O mecanismo central da síndrome é a inibição da liberação de GnRH pelo hipotálamo. Com menos GnRH, a hipófise reduz a secreção de FSH e LH, o que compromete a função gonadal: na mulher, leva a anovulação, oligo/amenorreia e infertilidade; no homem, a hipogonadismo, redução da libido e impotência. Paralelamente, o excesso de PRL atua diretamente sobre o tecido mamário, causando galactorreia — presente em 30 a 80% dos casos. A combinação de distúrbios menstruais + galactorreia é o achado que aponta fortemente para hiperprolactinemia, como destaca o material de apoio ao descrever as manifestações das síndromes hiperprolactinêmicas.
Na prática clínica, a investigação de uma mulher com oligo/amenorreia inclui a dosagem de prolactina, TSH e FSH. Valores de PRL acima de 100 ng/mL são sugestivos de tumor hipofisário (prolactinoma), e acima de 200 ng/mL são confirmatórios. O tratamento de escolha para prolactinomas é farmacológico, com agonistas dopaminérgicos (cabergolina, bromocriptina), que normalizam a prolactina e revertem o hipogonadismo e a infertilidade.
A pegadinha desta questão está em reconhecer que o hipotireoidismo (alternativa A) é uma causa de hiperprolactinemia, não a condição descrita em si. O enunciado descreve a síndrome hiperprolactinêmica como um todo — e é a hiperprolactinemia a entidade que reúne todos os sintomas. Guarde a cadeia fisiopatológica: excesso de PRL → inibição de GnRH → hipogonadismo hipogonadotrópico → oligo/amenorreia + infertilidade; e excesso de PRL → galactorreia. É exatamente essa sequência que a alternativa E espelha.
Alternativa A — ❌ Incorreta
O hipotireoidismo primário pode causar hiperprolactinemia (pelo aumento de TRH, que estimula a síntese de PRL), mas não é a condição descrita no enunciado. A paciente apresenta o quadro clínico da síndrome hiperprolactinêmica — galactorreia, distúrbios menstruais e infertilidade —, e não manifestações de hipotireoidismo (como ganho de peso, intolerância ao frio, constipação, bradicardia). A banca explora a confusão entre causa e consequência: o hipotireoidismo é um dos diagnósticos diferenciais a serem afastados na investigação, mas não é o diagnóstico da paciente descrita.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A acromegalia, causada por excesso de GH (geralmente por adenoma hipofisário secretor de GH), pode cursar com alterações menstruais e, em alguns casos, hiperprolactinemia associada (por compressão do talo hipofisário ou co-secreção). No entanto, o quadro típico da acromegalia é caracterizado por crescimento de extremidades (mãos, pés, mandíbula), alterações faciais, visceromegalia e intolerância à glicose — manifestações que não estão descritas no enunciado. A galactorreia e a inibição do GnRH descritas são consequência direta do excesso de prolactina, não de GH.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O diabetes mellitus tipo 2 é uma doença metabólica caracterizada por hiperglicemia crônica, associada a resistência insulínica e deficiência relativa de insulina. Não causa galactorreia nem inibição do GnRH. Embora o diabetes descontrolado possa levar a distúrbios menstruais (por disfunção metabólica geral), o conjunto de sintomas descritos — oligo/amenorreia + galactorreia + hipogonadismo + infertilidade — é patognomônico da hiperprolactinemia, não do diabetes.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A osteoporose é uma doença óssea metabólica caracterizada por redução da massa óssea e deterioração da microarquitetura, aumentando o risco de fraturas. Ela pode ser uma complicação tardia da hiperprolactinemia (pelo hipoestrogenismo decorrente do hipogonadismo), mas não é a condição endócrina descrita no enunciado. A paciente não apresenta fraturas nem outros sinais de osteoporose; apresenta o quadro agudo/subagudo da síndrome hiperprolactinêmica.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A hiperprolactinemia é exatamente a condição descrita: excesso de prolactina atuando sobre as mamas (galactorreia) e sobre o eixo gonadotrófico (inibição da liberação de GnRH → hipogonadismo → oligo/amenorreia e infertilidade). O material de apoio confirma: "Dentre as manifestações clínicas das síndromes hiperprolactinêmicas, na mulher, assinalam-se galactorreia, alterações menstruais e infertilidade". A fisiopatologia é precisa: a PRL elevada inibe a liberação de GnRH, reduzindo FSH e LH, o que leva à anovulação crônica e aos distúrbios menstruais. É a alternativa que integra todos os elementos do enunciado.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre causa e consequência. O hipotireoidismo (alternativa A) é uma causa de hiperprolactinemia, e a osteoporose (alternativa D) é uma complicação tardia — mas nenhuma delas é a condição descrita. O enunciado descreve a síndrome hiperprolactinêmica em si, com seus dois mecanismos centrais: ação direta da PRL na mama (galactorreia) e inibição do GnRH (hipogonadismo). Reconhecer essa cadeia fisiopatológica é o que separa o acerto do erro.